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Nos últimos 5 anos o diretor David O. Russell se tornou um nome conhecido e presença obrigatória nas premiações, inclusive sendo indicado 3 vezes ao Oscar, por ‘O Vencedor’ em 2011, por ‘O Lado Bom da Vida’ em 2013 e por “Trapaça” no ano seguinte.

Muitos atribuem isso como um exagero e que ele só está aí porque tem um lobby grande na Academia.

Polêmicas à parte, é inegável que seus filmes, embora sejam diferentes, são iguais entre si, ou seja, seus filmes têm histórias diferentes, mas com características idênticas, sobretudo no que diz aos personagens, que se mostram desajustados, com famílias e casais que não se entendem e que apresentam algum tipo de distúrbio ou mania. Sempre em um filme do David O. Russell a trilha é marcante – e há alguma cena de dança.

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E agora em ‘Joy – O Nome do Sucesso’ ele apresenta uma história real de Joy Mangano que, no início dos anos 90, inventou um esfregão prático (sim, aquele para limpar o chão) e hoje é uma empresária de sucesso, mas o caminho não foi nada fácil. E é exatamente o caminho duro que esse filme mostra: ela é divorciada, tem 3 filhos, todos em sua casa dependem dela e está financeiramente quebrada, com a hipoteca da casa atrasada e com as contas vencidas. E vive infeliz com o seu trabalho no aeroporto.

Mas Joy começa a investir tudo o que tem – e o que não tem – em um esfregão que é desmontável e que a sujeira não fica acumulada e ela tem uma chance de mostrar isso em um programa da TV a cabo, mas quem disse que ela tem sorte na empreitada.

O filme pode não funcionar tão bem como biografia, já que em momento nenhum é citado que é uma história real e a história não apresenta data nenhuma, o que é outra característica de Russell, que em ‘Trapaça’ não contou que se tratava de algo que aconteceu – e por isso o filme foi indicado como Roteiro Original, e não adaptado.

Não se sabe se é um estilo ou uma jogada para ser indicado a Roteiro Original e, assim, ser visto como autoral, mas a verdade é que David deveria valorizar os personagens reais em que se trata e até para o grande público conhecê-las.

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E aqui em ‘Joy – O Nome do Sucesso’, como não poderia deixar de ser, as características do cinema de Russell estão evidentes: Joy é divorciada, mas ainda tem contato com seu ex-marido, que se diz cantor, mas também está sem dinheiro e vive no porão de casa. A mãe de Joy, Terry, é uma falastrona que é viciada em uma novela e está mais preocupada com os próximos capítulos do que com a sua família. Rudy, pai da protagonista, nunca apoiou a filha e vive criticando-a pelo casamento frustrado.

Quem interpreta Rudy é Robert de Niro e se ele é dos maiores atores da história do cinema, seus últimos trabalhos não haviam rendido tanto, até que ele fez o pai viciado em jogo em ‘O Lado Bom da Vida’, que lhe rendeu elogios e foi indicado ao Oscar pelo papel. E no ano seguinte, em ‘Trapaça’, ele fez uma ponta hilária como um gângster, e caiu o gosto da nostalgia dos tempos áureos de ‘Os Bons Companheiros’ e ‘Poderoso Chefão 2’. E aqui em ‘Joy – O Nome do Sucesso’, ele está igualmente hilário como o pai da Joy e quase rouba todas as cenas.

Bradley Cooper faz o produtor do canal a cabo e seu papel é praticamente uma participação especial, mas não menos interessante do que já o vimos como ator principal.

Mas o destaque aqui – como não poderia deixar de ser – é da própria Jennifer Lawrence. Ela está incrível como Joy e aqui ela cravou sua 4ª indicação ao Oscar aos 25 anos de idade. Exagero? Não se levarmos em conta que ela é uma grande atriz e tem talento e carisma natos. Ela nem precisa se esforçar para ter uma carreira já consolidada, com uma legião de fãs e duas franquias para chamar de sua.

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Há duas coisas sobre ela que são de fato um exagero: seu Oscar por ‘O Lado Bom da Vida’, na qual ela estava muito bem no filme, mas haviam papéis melhores indicados e nem foi um filme que exigisse dela, ao contrário de ‘Inverno da Alma’, por exemplo. Outra coisa é compará-la a Meryl Streep. É fato que ambas são grandes e tiveram um começo de carreira promissor, mas com a rapidez com que as coisas acontecem, não dá para prever se saberemos quem é Jennifer Lawrence daqui a 10, 20, 40 anos. Só o tempo dirá.

Muita gente está dizendo que a indicação ao Oscar de Jennifer por este filme foi um exagero e que haviam atrizes melhores. De fato, Charlize Theron poderia estar indicada por “Mad Max – A Estrada da Fúria”, porque sua Imperatriz Furiosa foi “A” personagem do ano. Mas deixar de reconhecer o grande papel de Jennifer aqui é um ultraje – e muitos nem viram Joy. Como diria Scorsese, “conheçam meu filme antes de julgá-lo”. E alguns dizem que ela só está onde está porque é a “queridinha” do momento.

“Joy – O Nome do Sucesso” não foi bem de bilheteria nos EUA (efeito Star Wars?) e a crítica também não o recebeu bem, tanto que ele só está indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz. Mas o fracasso foi injusto. Primeiro porque ele é melhor do que ‘Trapaça’ e ‘O Vencedor’, mas não melhor do que ‘O Lado Bom da Vida’. Segundo porque é uma história bonita de superação e é fácil de se identificar com o drama da protagonista – ainda mais em tempos de crise – e não importa o quanto o seu sonho seja bizarro ou pequeno, nem o que os outros vão dizer, mas é o quanto você acredita nele e o que está disposto a fazer para chegar ao sucesso.

E um diferencial de “Joy – O Nome do Sucesso”, é que ele não é bem um drama. Toda a história é levada ao humor – e diverte muito – o espectador. Seria uma metáfora para seguirmos a vida sempre sorrindo, apesar das adversidades?

Nota: 9,0

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