A 5ª Onda é baseado em um best-seller que tem uma história pós-apocalíptica interessantíssima: em um futuro não muito distante, o planeta passou por 4 ataques alienígenas, ou 4 ondas, como foi chamada: na primeira, a eletricidade foi retirada do planeta, na segunda, houve um tsunami, na terceira, os pássaros transmitem um vírus, muito parecidos com a gripe aviária e na quarta, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos e com características nossas.

Isso quase dizimou a população mundial por completo e uma 5ª onda viria para acabar com a raça humana de vez, mas para acabar com isso, o exército americano cria tecnologias para conter a ameaça alienígena. Os poucos humanos sobreviventes vivem isolados, com medo de o próximo ser um alienígena e medo da ameaça. Um deles é Cassie (Chloe Grace Moretz), que perdeu parte da sua família, vive como nômade (quase como uma personagem de The WalkingDead) e precisa resgatar seu irmão. Essa é a história de A 5ª Onda. Imaginem tudo isso na mão de um grande diretor, roteirista, produtor e de um estúdio que se importa com o material que tem? Renderia um filmaço. Mas, infelizmente, não é o caso.

O filme já começa com um problema de narrativa logo no começo: o prólogo é demorado e o que deveria ser um simples flashback, é o primeiro ato do filme por inteiro, que liga com um segundo ato lento, sonolento e sem sentido até chegar em um terceiro ato, que tem a sua importância, apresenta um plot twist que deixa o espectador interessado no que possa vir a seguir e com a esperança que o filme melhore, mas a falta de tensão e um desfecho constrangedor, fazem com que este filme, que deveria ser épico, se torne comum – e como todas as tentativas fracassadas de adaptações literárias de fantasia, como A Bússola de Ouro e Eragon, este aqui simplesmente termina em qualquer lugar: os realizadores achavam que já tinha dado o tempo de duração e deixaram a história em aberto e com a virtual certeza de que vai se tornar um novo fenômeno da literatura para o cinema e que os “fãs” vão clamar por uma continuação.

A-5ª-Onda-752x440

O sucesso de Mad Max e Star Wars deixaram claro que o público não engole mais um filme mal feito digitalmente, que tudo seja artificial demais e que o fundo verde esteja lá. Os efeitos práticos se provaram mais eficazes e se for para o lado digital, que seja bem realizado, como em Jurassic World e nos filmes da Marvel, por exemplo.

A Sony é a distribuidora do filme e por diversas cenas há alguma propaganda de algum produto dela, o que não incomodou, mas colocar seu maior herói, o Homem-Aranha, de forma gratuita, foi uma tentativa para mostrar que ela ainda tinha voz com a parceria com a Marvel (o herói estará na Guerra Civil este ano e terá um filme solo em 2017).

Mas os dois problemas mais graves de A 5ª Onda são o péssimo elenco e a tentativa de ser o novo Crepúsculo:

1) Em momento algum o filme indicava que seria um romance, menos ainda um triângulo amoroso e aqui é sem química alguma e simplesmente jogado claramente para atrair as fãs órfãs de Crepúsculo. Não há nada de errado em ser um romance, mas e história que era de ficção vira romance com drama e que tem alguns vestígios de ação e que deixa tudo em aberto, ou seja, começa do nada e termina no lugar nenhum.

12247917_520722164769557_1130486929849721907_o

2) E o elenco aqui é digno de Framboesa de Ouro, sobretudo os dois jovens que disputam o coração de Cassie Liev Schreiber, que é um bom ator, está mal aproveitado aqui (e seu personagem poderia ter várias camadas que poderiam ser exploradas). Mas a decepção fica mesmo é com a protagonista, Chloe Moretz: ela começou a carreira muito bem, sobretudo na infância/adolescência fazendo algumas pontas sempre como a fofura da vez, como Abigail Breslin e Dakota Fanning já foram, mas ela ganhou notoriedade ao viver a Hit-Girl em Kick-Ass: Quebrando Tudo e fez o premiado A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese. Mas desde que ela cresceu, faz uma bomba atrás da outra, começando por Kick-Ass 2, que é muito inferior ao original e com o fracasso, estamos livres de um terceiro filme, mas o fundo do poço foi a pérola ‘Carrie – A Estranha’, remake do clássico de 1976 e foi destruído pela crítica.

Aqui em A 5ª Onda ela mal consegue atuar ou fazer expressão de perigo. Não se sabe se ela é uma atriz limitada ou se precisa trocar de agente. O fato é que sua carreira pode ir ladeira abaixo e entrar na galeria das crianças que não tiveram sucesso na vida adulta. E agora ela só assume papéis de protagonista.

A história poderia ser boa e tinha muito potencial. E também poderia ser algo diferente e inventivo, mas é um pout-pourri de tudo o que já vimos do gênero. E se eles querem uma nova franquia literária, agora com o fim de Jogos Vorazes, não vai ser com A 5ª Onda que vão conseguir.

Nota: 4,0