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A mais nova animação da Fox, Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, traz para as telonas uma série amada por muitos. Estreou dia 14 de janeiro no Brasil e não faz feio: agrada aos mais nostálgicos e encanta quem se depara pela primeira vez com a turma do Charlie Brown (com muita vergonha admito que me encaixo neste segundo time).

Dirigido por Steve Martino (que já fez A Era do Gelo 4) e escrito a 6 mãos, temos aqui uma narrativa simples, infantil e até um tanto óbvia. Mas saber usar os clichês de uma forma que arranque sorrisos de todas as idades não é uma tarefa que vemos com frequência. E uma coisa é fato: crianças e adultos riem igualmente aqui.

Charlie Brown é um garoto atrapalhado, inseguro e que se sente um perdedor. Muitas das coisas que ele tenta – e ele tenta várias – resultam em fracasso, e vez ou outra no lamentador e suspirante bordão: “Mas que puxa…”. Na escola ele se mete em altas aventuras com uma turma da pesada – favor leiam isso com a voz do narrador da sessão da tarde.


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A galera dele é bem diversa e abrange vários tipos comuns (ou nem tanto) em escolas : tem a estudiosa, a menina chata, a menina esportista, o garoto sujinho, a irmã mais nova… os personagens secundários apesar de não serem totalmente rasos são, no geral, apenas funcionais. O que poderia resultar em críticas negativas em outros filmes, aqui cumpre bem o que se propõe. Cada um dialoga com o protagonista em pelo menos um momento e servem muito bem de escada, além de ajudar a história ir para frente. Eles, algumas vezes, aparecem sozinhos em tela, sem o Charlie, possibilitando uma empatia com o público. Não será raro conversas pós-filme resultarem em: “sou o Linus” ou “Você parece a Lucy”. Essa identificação é muito importante para a construção do microuniverso e diminui a saturação do nosso heroi em tela.

O mote da narrativa se baseia na chegada de uma menina nova na cidade, que se torna vizinha de frente do Charlie Brown, e que vai para a mesma escola que ele. A garota de cabelos vermelhos, o nome dela não é mencionado na obra toda, encanta a todos apenas com a beleza, raramente falando algo (até mesmo o rosto dela não é colocado em foco). O principal fã dela, obviamente é o nosso querido “amendoim”, apelido de Charlie. Todavia qualquer tentativa de contato é barrada por aquelas características que citei anteriormente (notadamente a insegurança).

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Não podemos esquecer do fiel escudeiro Snoopy. Um cachorro, com caracteres bem humanas. Por vezes ele funciona como deus ex-machina trazendo elementos para o longa que seriam um tanto inverossímeis, mas facilmente ligamos a nossa suspensão de descrença e rimos com o que o carismático Snoopy nos apresenta, ajudado por traços um pouco mais cartunescos que os demais – referência também, é claro, às tirinhas. Muito mais que um alívio cômico ele possui uma história paralela tão ou mais empolgante que a principal, onde ele é um aviador que tem que salvar a amada das garras do temível Barão Vermelho (a forma como as histórias se cruzam no começo e no final são novamente óbvias, mas muito divertida).

Não esperem aqui uma aula de diálogos ou um subtexto mega filosófico, a mensagem é direta: superação dos próprios medos e reconhecimento do valor que cada um tem. A ausência de um vilão destacado (a Lucy por vezes faz esse papel, mas de forma secundária) mostra que o principal entrave para o Charlie Brown era ele próprio. Vale a pena ficar até o final para as cenas de pós-créditos e a dublagem está bem condizente não nos tirando da imersão. Tal como O Bom Dinossauro, Snoopy & Charlie Brown: Peanuts ficou de fora da corrida pelo Oscar, mas mais por mérito dos outros concorrentes (como o favorito Divertidamente e o nacional O Menino e o Mundo) do que demérito aqui. O humor é bem mais físico e visual – o que ajuda para os pequenos, mas sem perder de vista os adultos de alma jovem (dessa vez me orgulho de fazer parte desse segundo grupo). Nota 8,5

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