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É fato que existe uma rivalidade entre a Rede Globo e a Record pela audiência na TV e isso está sendo levado aos cinemas. Hoje a Globo Filmes é a maior produtora do cinema nacional e todas essas comédias que lideram as bilheterias brasileiras são produzidas pelo estúdio. E a Record, vendo isso, não poderia ter ficado de fora e só estava esperando a oportunidade.

Em 2015 ela lançou uma novela com status de superprodução e que derrubou anos da hegemonia de sua rival: Os Dez Mandamentos virou um fenômeno de audiência e também elogiada pela crítica especializada. A novela adapta 4 livros da Bíblia: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio e narra a história de Moisés, passando pelo seu nascimento até seu encontro com Deus no Monte Sinai, destacando a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho e a revelação dos 10 mandamentos.

A novela se encerrou no final de 2015 e com o sucesso, a emissora anunciou uma segunda temporada, que chega em março de 2016. E com uma produção desse tamanho nas mãos, na qual alguns críticos chamaram de “cinematográfica”, a Record viu que esse era o momento perfeito para iniciar sua empreitada nos cinemas. E então ela condensou 176 capítulos em um filme de duas horas e lança nos cinemas, apenas dois meses após a novela terminar ‘Os Dez Mandamentos – O Filme’.

Logo nos primeiros momentos do longa, nota-se a edição preguiçosa: toda a infância e adolescência de Moisés passam tão rápido que mal dá tempo de a platéia se envolver emocionalmente, onde muitas informações são simplesmente jogadas, alguns personagens aparecem e somem misteriosamente.

Os primeiros 60 minutos simplesmente são uma colcha de retalhos e que embora todos saibam que é uma adaptação de uma novela, o filme parece sim, uma telenovela – isso no mal sentido – seja em romantizar uma história tão grande (ideologias religiosas à parte) e apresentar uma péssima escalação de elenco principal para personagens que deveriam ter um tratamento melhor: quem foi que viu em Guilherme Winter um peso dramático para interpretar Moisés? Ou em Mel Lisboa para interpretar sua mãe? E pior: Sérgio Marone como Ramsés, que faz um vilão sem carisma.

Ramsés
Para quem não sabe, segundo a Bíblia, Ramsés foi irmão de Moisés e tomou um rumo diferente de seu irmão, na qual ele foi coroado Faraó e toda a produção do Egito era mantida pela escravidão do povo hebreu. O problema é que tudo isso é contado em um flashback tão rápido que mal dá para o espectador ficar tenso ou torcer pelo mocinho e vilão – e sim, essa é uma parte da história que merecia uma atenção maior.

Há alguns bons atores por aqui, mas todos são subutilizados, como Paulo Gorgulho, Petrônio Contijo, Denise Del Vecchio e Larissa Maciel e todos tiveram suas tramas condensadas, bem como toda a primeira metade. Apenas na segunda metade é que a história se centra na rivalidade entre Moisés e Ramsés e tem uma leve melhora na edição, onde temos apenas uma história acontecendo e em um único lugar, embora não tenha trazido nenhuma novidade para quem conhece a História.

Enquanto a novela estava no ar, muitos elogiaram a parte técnica. De fato, o figurino é competente e a produção acertou em filmar em locações reais, mas a maioria dos efeitos remete às produções de baixo orçamento em que víamos nos anos 80 e 90 na TV, onde o Chroma Key é evidente, por exemplo.

A idéia poderia ser boa e a emissora tinha um grande material nas mãos, mas com um filme tão mal editado como esse, fica difícil acreditar em seu futuro nos cinemas. Querem ver grandes filmes sobre Moisés e o Êxodo? Corram atrás de Os Dez Mandamentos, de Cecil B. DeMille e a animação da DreamWorks, O Príncipe do Egito. Fica a dica.

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O-Principe-do-Egito02

Nota: 3,0

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