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Após realizar o fabuloso ‘Vidas ao Vento’ em 2013, o diretor Hayao Miyazaki disse que iria se aposentar e logo vieram os rumores de que o estúdio nunca mais produziria longas-metragens. Felizmente tudo isso não passou de boato e a verdade é que após a realização de ‘As Memórias de Marnie’, o Estúdio Ghibli faria uma “breve pausa” para reavaliação e reestruturação.

E depois de ver o resultado final de ‘As Memórias de Marnie’, fica uma sensação de alegria e tristeza: alegria de ver um grande filme e mais uma obra-prima desse estúdio que dificilmente erra. E a tristeza em ver que teremos um tempo sem filmes do Estúdio. Outro sentimento também é o da emoção: os realizadores sabem atiçar platéias e medir coração e razão na medida certa em momentos de chorar – e quem terminar ‘As Memórias de Marnie’ sem sentir nada, pode procurar um hospital.

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Nada que o Estúdio não esteja acostumado: ele existe desde os anos 1980 e só ficaram mundialmente conhecidos, sobretudo aqui no ocidente, após o Oscar de Melhor Filme de Animação para ‘A Viagem de Chihiro’ em 2003 – dirigido pelo próprio Miyazaki. De lá para cá, algumas animações se tornaram famosas também pelas indicações ao Oscar, mas que infelizmente, não trouxe vitória, são eles: O Castelo Animado, Vidas ao Vento e o mais recente e fabuloso, O Conto da Princesa Kaguya (que injustamente perdeu no Oscar para Operação Big Hero ano passado).

‘As Memórias de Marnie’ é o primeiro filme do estúdio que não é uma idéia original de seus fundadores: o próprio Hayao Miyazaki e Isao Takahata. É uma adaptação literária de uma obra homônima da britânica Joan G. Robinson e engana-se que fica com pé atrás porque o filme não é original: é uma obra com o espírito das animações do estúdio e está no mesmo patamar de O Conto da Princesa Kaguya e A Viagem de Chihiro, por exemplo.

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‘As Memórias de Marnie’ conta a história de Anna, uma menina com sérios problemas de saúde e de convivência. Tímida a carente, ela vive isolada em seu mundo e sofre de asma, tanto que seus pais a mandam para a casa dos tios, que moram no interior e lá ela vive igualmente reclusa, mas usa seu tempo livre para desenhar e idealizar uma criação sua: Marnie, uma menina que vive no alto de um castelo e em um dia, ela conhece sua “criação” e as duas se tornam amigas inseparáveis.

Durante uma boa parte do filme, não se sabe o que é sonho e o que é imaginação de Anna. O filme deixa essa dúvida o tempo todo e só é esclarecido no ato final – e quanto menos souber, melhor a experiência fica. O filme tem momentos preciosos, que usa muito bem a palheta de cores em uma direção de arte de encher os olhos, valorizando cada detalhe e deixando tudo o mais genuíno possível. É uma história que fala de sonhos, realidade, fantasia, amizade, família e sobre introspecção e quem não ver por ser “filme de criança” está perdendo um grande espetáculo.

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‘As Memórias de Marnie’ está indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação e dificilmente sairá vencedor perante ao poderoso ‘Divertida Mente’. Aliás, a safra está excelente este ano. Na verdade, desde que a categoria foi criada em 2002, nunca se viu animações tão primorosas: além dos próprios ‘As Memórias de Marnie’ e ‘Divertida Mente’, temos ‘Shaun – O Carneiro’, Anomalisa, que é uma animação totalmente “fora da caixa”, inventiva, original e não tem nada de infantil. E não devemos nos esquecer da nossa animação brasileira ‘O Menino e o Mundo’ de Alê Abreu, na qual o diretor fez tudo praticamente sozinho, é um grande trabalho do nosso cinema e das animações como um todo e agora com a indicação ao Oscar, merece ser descoberto. O Estúdio Ghibli promete se reestruturar, o que é normal em uma empresa. Nós, espectadores só esperamos que a essência e espírito de seus filmes permaneçam, independentemente do que está por vir – ou da tecnologia que possa aparecer.

Nota: 10,0

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