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O Regresso foi o filme que mais recebeu indicações ao Oscar deste ano, 12 no total. Foram justas? Alejandro González Iñárritu repetirá o feito do ano passado e ganhará a estatueta de melhor diretor? E o Leonardo DiCaprio finalmente desencantará? Vamos tratar disso agora…

Temos aqui a história de um grupo de caçadores de peles, destacadamente Hugs Glass (DiCaprio). Após um embate com locais e principalmente com um urso ele acaba sendo ferido e o grupo que ele fazia parte se divide para cuidar de Glass. John Fitzgerald é um dos que integra a equipe, porém ele parece não estar tão preocupado com o companheiro, mas apenas em ganhar dinheiro fácil.

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Com uma premissa que pode despertar o interesse e personagens com personalidades fortes e que compõe bem a trama, o ponto fraco aqui fica por conta do roteiro, assinado por Mark L. Smith. Óbvio e não explorando tudo que poderia. Tinha um grande material nas mãos, mas que não se sustenta e acaba sendo frustrante do término do primeiro arco até o final do filme. Além de muitas passagem de caráter duvidoso, sendo um tanto inverossímeis, e outras desnecessárias. Tem hora que o personagem do DiCaprio é sortudo além da conta e outras vezes azarado fora de medida – e isso ocorre com outros personagens também. Diferente de Perdido em Marte, por exemplo, onde acreditamos nos percalços impostos ao Matt Damon.

Outra crítica aqui é quanto ao ritmo. A cadência faz com que a trama engrene de maneira meio torta. Esse problema afeta fortemente a narrativa e torna o filme pior do que ele de fato é. O longa poderia ter uns 20, 30 minutos a menos tranquilamente – o tempo total é de 2h36min.  Eu só não me peguei em alguns momentos olhando no relógio pois outros fatores, que falarei a seguir ajudam a segurar o todo.

Mas vamos aos muitos pontos positivos:

Emmanuel Lubezki faz um trabalho primoroso aqui com a fotografia. A luz natural, planos abertos (muitas vezes sem perder o foco dramático do DiCaprio) e alternâncias de ambientes tornam esse aspecto impecável aqui. Os cenários aqui ajudam muito na composição narrativa, não sendo apenas um locus isolado na trama. Oscar aqui está complicado, não por demérito, mas pela concorrência: temos três ótimos filmes no páreo: Oito Odiados, Mad Max e o Regresso (Sicario e Carol que completam os indicados têm boas fotografias, mas alguns degraus atrás).

THE REVENANT

O som é outro aspecto relevante (tanto que está indicado nas duas categorias). A trilha em si não é tão relevante, mas o ambiente é bem expressivo neste sentido. E inclusive alguns momentos de silêncio são bem utilizados como recurso “sonoro”.

Iñárritu se sagrou no ano passado pela utilização do plano-sequência “eterno” em Birdman. Aqui este elemento é também colocado algumas vezes e ajuda muito na imersão principalmente em cenas de confronto e em outras de grande dificuldade (ficamos nos perguntando como ele e o Lubezki conseguiram aquele resultado). Mas considero que o George Miller em Mad Max fez um trabalho mais espetacular no todo, até pela questão do ritmo que foi um ponto muito negativo aqui.

Já havia elogiado os personagens, mas acredito que parte do mérito se deve às atuações. Tom Hardy faz um vilão bem vilão e nos convence bem disso (e traz um caráter dúbio dentro do universo da trama), mas o Oscar de coadjuvante de ficar para o Stalonne (em Creed). Os atores mais jovens o Poulter e o Forrest Goodluck também não fazem feio, principalmente o primeiro ao colocar uma inocência e depois culpa, ambas muito sinceras. Domhnall Gleeson como líder daquele grupo dá um bom peso àquele personagem mostrando justiça e sobriedade.

tom hardy

E sim, Leonardo DiCaprio levará este ano o tão sonhado Oscar para casa, não foi a melhor interpretação dele – prenda-me se for capaz, Ilha do Medo e O Lobo de Wall Street são superiores, por exemplo – mas ele faz tudo que o personagem pede: dor, sede de vingança, força física, superação… Há um momento em que ele diz ser um homem calado, isso foi um tanto desnecessário, bastava ele ficar calado (e se expressar de outra maneira). Mas, fora esse detalhe temos uma grande atuação e  a entrega dele aqui é muito digna de ser condecorada pela academia.

Leonardo DiCaprio

Dada algumas premiações anteriores e pelo número alto de indicações (foi o filme que mais foi lembrado) O Regresso vem como um dos favoritos neste ano. Mas, mesmo com todo o mérito, listo filmes que poderiam estar na vaga dele na categoria principal: Anomalisa, Beasts of no Nation, Carol, Creed, Divertida Mente, Ex Machina, O Menino e o Mundo e os Oito Odiados. Sei que é uma lista polêmica, mas não considero exagerada. A cinematografia do filme é sensacional, talvez impecável, mas só a parte técnica não sustenta uma obra. O roteiro, e a forma como ele foi nos mostrado, prejudicou muito o todo. O Regresso não é um filme ruim, longe disso, mas decepciona. Nota 7,5


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