Escolha uma Página

Amy é um documentário sobre a cantora Amy Winehouse. E é um dos favoritos na categoria para o Oscar deste ano, já que, além da qualidade, tem levado vários prêmios importantes na temporada.

Amy WineHouse nasceu em 1983 em Londres, Inglaterra, sendo uma das cantoras de maior sucesso dos anos 2000, e por que não da história… Ela faleceu precocemente em 2011. O filme faz um recorte a partir do final da adolescência até a fatídica idade de 27 anos.

Para quem não tem o hábito de ver documentários Amy é uma ótima pedida. Temos aqui um longa com uma narrativa fluída e muito bem editado. O que tornam as duas horas uma experiência muito fácil de ser apreciada, principalmente para quem já for fã ou para aqueles que tiverem o interesse em conhecer a vida e obra da cantora.

O filme já está disponível na Netflix (Netflix aliás que concorre com duas produções originais na categoria: “What happened, Miss Simone?”, que conta a história da cantora Nina Simone e “Winter on fire: Ukraine’s Fight for Freedom”  sobre as manifestações ucranianas em 2013-2014).

Amy Poster

Um outro grande mérito aqui do diretor Asif Kapadia (que também fez o documentário do Senna) é não ser chapa branca, é verdade que dada a personalidade e a vida da biografada isso seria quase impossível. Mas é uma certa tendência do gênero optar por só mostrar o lado “bonitinho”, ocultando – ou manipulando – as coisas negativas, o que definitivamente não ocorre aqui.

A estrutura do filme é composta basicamente de seleções de gravações feitas por pessoas ligadas à Amy. E mescladas a depoimentos atuais, com uma narração em off, com imagens e áudios da época daquelas gravações. Então vemos situações bem descontraídas e cotidianas da cantora. Explorando o bom humor e deixando claro a personalidade de Amy, sem esconder o uso abusivo de álcool e drogas, por exemplo.

Algumas apresentações musicais também são mostradas (aí não mais utilizando filmagens amadoras) e também gravações de canções, nestas as letras dos versos cantados aparecem na tela, dando um efeito bem interessante. Destaque para Grammy vencido em várias categorias e para  o dueto com Tony Bennett, mais para o final do filme.

Tony Bennett e Amy Winehouse

Vários pessoas que conviveram com Amy, desde amigos, familiares, profissionais do ramo e namorados tem voz na narrativa (e todos devidamente identificados, o que é muito bom para sabermos quem é quem). Depoimentos esses aliados à uma composição visual quase que poética, que ajudam a narrativa de uma forma muito consistente. Com essa construção coletiva o público vai montando a protagonista e se questionando sobre os acontecimentos da vida dela, novamente mérito para a edição.

Os relacionamentos amorosos e a forma passional que Amy lidava com eles (que influenciaram as letras da compositora) também é focalizado. Mas, principalmente, a conturbada relação com Blake Fielder-Civil, com quem Amy foi casada. Blake, para o bem ou para mal, foi um grande parceiro para ela, sendo um dos responsáveis por iniciá-la em drogas pesadas, como a heroina.

amy e blake

Após o sucesso de “Rehab”, em 2006, música elogiada pela crítica e pelo público. A perseguição da imprensa se intensifica. Os paparazzi invadem a intimidade dela em troca de fotos para publicar nos tabloides (o próprio pai dela incentiva gravações de alguns desses momentos – filmagens aliás que são mostradas no filme).

A segunda metade do documentário fica em um tom mais pesado em contraposição à leveza do começo, que é marcada pelo carisma da jovem Amy. Quando a degradação física e mental da artista brotam na tela, devido aos problemas com aquelas substâncias e de distúrbios alimentares, começamos a lamentar a perda de uma das principais vozes de nossa época (já sabendo onde aquilo, infelizmente, vai levar).

Mesmo tendo uma maturidade vocal de uma cantora de Jazz de 75 anos, como definiu o produtor musical dela, Amy não aguentou o peso da fama. No fundo era uma jovem que não estava preparada para tudo aquilo. Pinço duas declarações dela sobre o assunto: “se eu me der conta que sou famosa eu me mato” e “se eu pudesse trocar isso [cantar bem] por só poder andar pela rua sem toda essa atribulação…eu trocaria”, em ambas vemos que o sucesso nunca foi o objetivo da cantora, algo que fica bem marcado no filme, em um outro momento ela frisa, algo como: “me deixem em paz para que eu produza música”.

O documentário Amy, tal como a cantora, é visceral e humano. E ainda tal com ela, soa natural e complexo. O Diretor Asif Kapadia, na medida do possível, tenta não tomar partido e não dar respostas óbvias para os questionamentos levantados.

Apesar do final trágico da vida da cantora (consequência de fatores muito mais elaborados que um julgamento superficial possa dar), o uso do verso “happy birthday to you”, cantado por Amy, no começo do filme, é uma singela homenagem a essa magnífica voz… diante daquele talento, e com a voz embargada, digo simplesmente: parabéns, Amy…. Nota 9,5

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments