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Há filmes que são tão bons que é difícil achar os “culpados”. Esse é o caso de O Quarto de Jack, já que é difícil apontar o porquê desse filme ser tão especial, seja no roteiro primoroso, as atuações excepcionais ou o clima tenso. A verdade é que se trata de um filme independente que merece todos os elogios que está recebendo e deve ser descoberto pelo grande público, seja nos cinemas, em home vídeo ou pelo serviço streaming.

O Quarto de Jack conta a história de Joy, que vive há 7 anos em um pequeno quarto sem janelas ou ventilação com seu filho Jack, que tem 5 anos. Quem os deixa presos é o marido de Joy, o Velho Nick, na qual a única saída para o mundo externo é uma porta com uma combinação numérica que só ele tem.

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Quem tiver curiosidade verdadeira com ‘O Quarto de Jack’, recomenda-se não procurar por sinopses muito longas, apenas esta história central, a do quarto. E pronto, pois quanto menos souber sobre ele, melhor a experiência fica.

O Quarto de Jack é baseado no romance Room, de Emma Donoghue, que também assina o roteiro do filme. Isso é uma possível tendência da Hollywood atual: já que o público reclama que “o livro é melhor do que o filme”, nada mais justo do que o próprio autor (a) do livro escreva o roteiro para o cinema também. Foi assim com Garota Exemplar, está sendo com Animais Fantásticos e Onde Habitam e foi assim com O Quarto de Jack.

A autora disse que não se inspirou em nada da vida real para a história, e muito menos que O Quarto de Jack seja baseado em algum fato, o que explica ser um livro/filme sólido e mais movido por razão do que emoção, mas engana-se quem acha que o filme é imune aos sentimentos: é impossível não se envolver com a história, não há como ficar imparcial com tudo o que ocorre e, acima de tudo, quem assistir a ‘O Quarto de Jack’ e não ficar nem um pouco tenso ou angustiado, pode procurar um hospital.

O filme tem 120 minutos e ele claramente é dividido em dois atos: o primeiro, que é o que move a história é praticamente insuportável de tão tenso e que pode incomodar os mais desavisados, já que O Quarto de Jack não é um produto de entretenimento, é um grande exercício de cinema e que deixa o espectador claustrofóbico e com momentos de arranhar a poltrona. E tudo isso em apenas um ambiente e basicamente com diálogos entre uma mãe e um filho que não têm uma outra visão de mundo além daquela e sem perspectiva de um futuro.

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A visão de mundo de Jack (ele é o narrador do filme) é daquelas coisas que desafiam a provocam o espectador, considerando que ele jamais conheceu o mundo exterior e tudo o que ele conhece é sua mãe protetora, seu pai carrasco, a TV e algumas histórias, como a de Alice no País das Maravilhas e O Conde de Monte Cristo, que, curiosamente, o protagonista do livro de Alexandre Dumas, também ficou preso em uma cela por diversos anos. Quem interpreta Jack é essa revelação chamada Jacob Tremblay, que está tão bom quanto a protagonista e ver o mundo sob seus olhos – nas duas metades do filme – é daquelas coisas únicas no cinema.

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Mas o show daqui é dessa moça incrível chamada Brie Larson: sua Joy é uma personagem forte e ao mesmo tempo insegura como uma mãe que só quer proteger seu filho, mas se sente impotente com o marido que a prende e a destrata. Embora Brie seja uma atriz linda, aqui ela se despe de qualquer vaidade e faz uma personagem suja, sem maquiagem e sem glamour. E com momentos de cortar o coração. Ela se isolou por um mês e seguiu uma dieta rigorosa, para dar mais vivacidade à sua Joy, que quase ia para Shailene Woodley.

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Se Brie Larson perder esse Oscar de Melhor Atriz, é melhor nem ter cerimônia. Ela já levou o Globo de Ouro e SAG Awards e é a grande favorita ao prêmio. Curiosamente, ela concorre com Jennifer Lawrence, que também tem sua personagem com o nome de Joy e também a protagonista da animação Divertida Mente apresenta este nome.

O Quarto de Jack é um retrato poderoso sobre a relação entre mãe e filho, sobre liberdade – ou a falta dela – e sobre claustrofobia. E quem sair do filme da mesma forma que entrou, é porque não estava prestando atenção.

Nota: 10,0

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