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A Academia adora reconhecer – e premiar – um drama independente inglês. Tudo começou lá em 1982 com Carruagens de Fogo e de lá para cá em quase todas as edições houve um filme inglês. E em 2015 o representante da vez é Brooklin, um filme que chegou sem fazer barulho, foi exibido em Sundance, caiu nas graças da crítica e foi ganhando espaço na temporada de premiações.

Ele chega ao Oscar 2016 como o grande azarão da festa e ganhou notoriedade com a indicação de Melhor Filme, quando muitos clamavam pela presença de ‘Star Wars’ e ‘Beasts of no Nation’, por exemplo. Mas Brooklin não é um filme que deve ser ignorado nem odiado pelo público, muito pelo contrário, é uma bela história sobre solidão, amor e inocência em uma terra desconhecida.

Na história, Ellis Lacey é uma jovem irlandesa que vive uma vida pacata e tem uma chefe arrogante em uma pequena loja. Ela decide sair de sua terra natal e partir para os EUA viver no Brooklin. Lá ela vive em uma pensão que abriga imigrantes irlandesas e o local é comandado pela Sra. Kehoe (vivida por Julie Walters). Ellis também consegue um emprego como vendedora e encontra seu amor, John Fiorello, na qual acaba se casando.

Brooklyn-RDP

Brooklin está indicado a 3 Oscars: Filme, Roteiro Adaptado e Atriz e embora muitos torçam o nariz para as duas primeiras indicações, ninguém contesta a indicação de Saoirse Ronan para Melhor Atriz, que está incrível como Ellis e traz a melancolia e solidão que a personagem exigia. Saoirse já havia sido indicada a Atriz Coadjuvante por ‘Desejo e Reparação’ e aqui faz seu melhor papel da carreira. O público até a perdoa pelo desastroso ‘A Hospedeira’. E, curiosamente, ela é irlandesa na vida real. Seu papel aqui é mais interpretativo e durante boa parte do filme, há poucos diálogos e tudo vai da expressão da Ellis e conforme ela vai se descobrindo como pessoa, melhor sua personagem fica.

Dificilmente Saoirse sairá vencedora do prêmio porque este ano a concorrência está grande, mas fica o incentivo para ela continuar evoluindo como atriz. O roteirista Nick Hornby já tem experiência em escrever filmes mais intimistas como ‘Livre’, com Reese Witherspoon e ele também escreveu ‘Educação’, que também é inglês e foi um azarão no Oscar de 2010.

Saoirse Ronan as "Eilis" in BROOKLYN. Photo by Kerry Brown. © 2015 Twentieth Century Fox Film Corporation All Rights Reserved

Seu roteiro é uma fábula sobre mudança de culturas e solidão e engana-se quem acha que é uma história ufanista. Com esse texto sobre a moça inocente que se muda para um país mais desenvolvido, o roteiro poderia exaltar o amor à pátria e mostrar seu país natal como arcaico e atrasado, mas felizmente não foi o caso: Hornby foi imparcial no tratamento das duas culturas e embora Ellis se apresente como uma moça infeliz em terras irlandesas, ela também se sente insegura no Brooklin, o filme esquece o glamour de Nova York, mostra a cidade de forma realista e ela tem constantemente sente falta de sua família e de Irlanda.

Há grandes momentos em Brooklin, como as conversas de Ellis com a sua família através de cartas, os momentos na mansão são muitos bem escritos e o show não é apenas de Saoirse, mas de Julie Walters também, e a seqüência da praia é um grande momento de libertação – e quase tão boa quanto a cena da piscina de ‘Que Horas Ela Volta?’.

Os mais atentos irão notar a presença de duas atrizes conhecidas de séries de TV: Emily Bett Rickards – a Felicity de Arrow – faz uma das imigrantes irlandesas e colega de mansão de Ellis e Jessica Paré – a Megan de Mad Men – faz a dona da loja na qual a protagonista trabalha.

Brooklin não é um filme feito para as grandes massas, é um trabalho que pode ser visto apenas como um “filme de Oscar” e só ficar restrito ao circuito independente e das premiações. Ou como um grande “azarão”. Mas jamais deve ser ignorado.

Nota: 8,0

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