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Boneco do Mal só funciona por um único motivo: ele não se leva a sério. Os trailers, imagens e materiais sugeriam um terror psicológico e o próprio trailer pegou muita carona nos recentes sucessos, Invocação do Mal e Annabelle, sobretudo com a história de um boneco. Mas, logo nos primeiros minutos, nota-se que ele irá à linha do humor e que não se trata de nenhum filme grande: é uma produção claramente barata e que tem basicamente uma única locação, que é a casa. Mas se o trailer vende o filme de forma estranha, um ponto forte do marketing de Boneco do Mal, que poderia ser mais bem aproveitado é a protagonista: Lauren Cohan.

Ela é a Maggie de The Walking Dead, amada pelos fãs da série e musa de 11 entre 10 pessoas. Lauren tem poucos filmes no currículo e com uma carreira feita basicamente na TV até seu destaque em The Walking Dead. E para o grande público, ela será Martha Wayne, a mãe de Bruce em um flashback de Batman vs Superman. Colocá-la como protagonista em um filme de “terrir” foi um grande acerto: é ela quem segura o filme, está em praticamente 100% das cenas e mostra que sim, é uma atriz de cinema, embora este seja um papel que não exigiu quase nada dela.

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Boneco do Mal conta a história de Greta (Cohan) que sai dos EUA por problemas pessoais e vai trabalhar de babá em uma pequena vila na Inglaterra. Lá, ela descobre que a criança em que vai cuidar nada mais é do que um boneco, mas que os pais o consideram como um filho, inclusive com uma série de regras que Greta precisa seguir.

O baixo orçamento de Boneco do Mal não incomoda até o terceiro ato, onde os problemas estão mais visíveis, aparecem personagens que são irrelevantes na história. E é o único momento em que existe o terror de fato, mas não perde o humor, o que é um grande problema, pois as piadas não são tão engraçadas e o terror não assusta tanto.

Já os dois primeiros atos são a construção da história e dos mistérios que rondam a casa. O roteiro acerta em manter o clima de suspense, mesmo não assustando, mas deixando a platéia curiosa com as explicações que viriam a seguir e fazendo com que o espectador se envolta emocionalmente com Greta e seu drama/suspense, que leva interesse do público até o final.

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Qualquer semelhança com o recente A Visita, de M. Night Shyamalan não é coincidência: produção pequena até na escolha do elenco, e um roteiro que vai construindo tudo para os momentos finais, mas que, quando chega lá, nada era o que parecia ser.
O produtor Roy Lee já trabalhou na produção de filmes como O Chamado e O Grito e aqui entrega um produto propositalmente trash e b, muito parecidos com algumas pérolas dos anos 60 e 70 – que inspiraram, por exemplo, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino no projeto Grindhouse com os filmes Planeta Terror e À Prova de Morte.

Na verdade, se Boneco do Mal fosse feito a 20, 30 anos, ele com certeza seria o típico filme que seria descoberto na locadora e faturado alto no home vídeo. Ele funciona muito bem se visto em casa em uma noite de sábado, de preferência com os amigos, mas visto hoje, dificilmente será um grande sucesso (mas também não será um fracasso, considerando a produção baixa e uma protagonista conhecida), mas, na iminência do sucesso vir, não vai demorar a ter uma continuação – e uma possível franquia.

Nota: 7,0

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