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A Colina Escarlate conta a história de Edith, uma jovem da alta sociedade dos Estados Unidos  do século XIX, que sonha em ser escritora. Após a morte da mãe, na infância de Edith, ela começa a ver fantasmas, inclusive o da própria genitora. Quando chega no começo da vida adulta ela conhece Thomas Sharpe um misterioso “baronete” que faz as vezes de cientista maluco e tenta ser sedutor. Após elaborar uma trama, Thomas a convence a morar com ele em um casarão na Inglaterra, junto a com a irmã Lucille Sharpe . A casa é recheada de mistérios e assombrações. Há um conflito entre os três personagens centrais, em um ar de romance gótico.

O primeiro arco é permeado por diálogos fracos que notoriamente deixam os atores desconfortáveis, por vezes lembra filmes de vampiro para adolescente – vide a cena da dança. Fato esse que atrapalha no convencimento da química do casal e na empatia com o público. As pistas para os mistérios são muito óbvias e até explícitas, o que enfraquece demais o desenrolar da história.

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Do meio para o final o filme há uma pequena melhora, mas ainda demostra uma má condução dos atores (que parecem perdidos em cena). A história mescla um mistério com romance e pitadas de terror. Não é exatamente bem sucedida em nenhuma aspecto (o terror, pouco explorado, é a melhor parte. O trecho final teria potencial, mas foi meio corrido com algumas cenas que parecem editadas de uma forma estranha.

Há indiscutíveis méritos para o figurino, maquiagem e para a construção da casa, quase um personagem à parte. Inacreditável como o design de produção não foi indicado ao Oscar (acho melhor, neste quesito, que Perdido em Marte e Pontes dos Espiões, por exemplo). A constituição “física” dos fantasmas está bem feita – tendo até um quê de originalidade. A fotografia, com a modificação da tonalidade do filme – o dourado no começo e o ar mais sombrio conforme o filme vai passando – está excelente. Além das demais composições visuais, como as imagens do interior e exterior da casa.

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Sobre as atuações Mia Wasikowska (a Edith), que fez Alice no País das Maravilhas em 2010 e o Tom Hiddleston (Thomas Sharpe), que deu vida ao Loki nos filmes da Marvel, estão fracos aqui. Não há química entre eles e não geram empatia com o público. Eles estão genéricos e parecem que só estão batendo o ponto. A que se salva um pouco é a ótima Jessica Chastain (que fez a Celia Foote do Histórias Cruzadas). A atriz se esforça com o material limitado que tem nas mãos e a personagem Lucille se torna quase interessante, mas mesmo ela tem momentos deixam a desejar.

O romance é fraquíssimo, os pretextos para justificar as situações idem, o terror é até bem inserido, porém pouco utilizado. Ou seja, praticamente tudo de positivo se perde no fraco roteiro e no tom errado de muitas passagens. O que é surpreendente tendo em vista que é escrito e dirigido pelo Guilhermo del Toro (vide a obra-prima dele “O Labirinto de Fauno”, facilmente colocado entre os melhores do gênero). Tem horas que parece que ele “desiste” do filme…

A Colina Escarlate no fim das contas se torna mais do mesmo e sem grandes atrativos (fora a fotografia e principalmente o design de produção). Quem curte os gêneros não deve ficar totalmente satisfeito, já que o filme não acredita nem no romance e nem no terror. Mas pode entreter alguns tantos, já que é visualmente bonito e tem algum mérito. Uma obra com potencial, mas que foi desperdiçada. Pelos aspectos positivos supracitados ainda é possível dar uma nota 5.

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