Existem filmes que de tão ruins chegam a ser bons… esse não é o caso aqui. Orgulho e Preconceito e Zumbis entra só na categoria de filme ruim mesmo… infelizmente. O longa foi baseado no livro Orgulho e  Preconceito e Zumbis, de Seth Grahame-Smith, que, por sua vez, foi baseado no clássico de Jane Austen – Orgulho e Preconceito

Temos aqui a história da família Bennet, situada na Inglaterra do século retrasado. Enquanto a matriarca da família sonha em arranjar pretendentes para as 5 filhas. Já o Sr. Bennet incentiva-as a praticarem artes marciais, isso é necessário, pois como o título sugere, o mundo está infestado de zumbis. As moças aqui não são, portanto, donzelas delicadas, mas treinadas nas artes chinesas de batalha. A premissa poderia ser interessante… poderia…

Pride and Prejudice and Zombies

As atuações, ou parte delas, tentam tirar leite de pedra – e até realizam um bom trabalho. Sam Riley, como Mr. Darcy, tem uma expressão única quase que o filme todo, mas que coaduna com o que o personagem pede, refletindo o que ele viveu e tem que conviver diariamente, convencendo-nos daquela realidade (ok, que em duas cenas dava para ter uma carga emocional maior, mas no todo foi bem).  Lily James (Elizabeth Bennet, uma das irmãs que protagonizam o filme) é a que mais tem material para trabalhar e o faz dignamente trazendo uma variedade momentos que geram uma empatia pela figura dela (mesmo com alguns momentos bem clichês…).

Agora a Bella Heathcote , que faz a Jane Bannet, está aqui sem sal e é completamente genérica. Matt Smith, o pastor Collins, também deixa a desejar: praticamente todas as cenas com ele não funcionam. Douglas Booth faz um Mr. Bingley que parece estar ali só para ser um rostinho bonitinho para as adolescentes.

O filme aponta para três lados: o romance/ação das protagonistas, o humor (afinal a adaptação é uma paródia) e, é claro, zumbis. E esse é o ponto mais fraco do longa: a história, notadamente a forma como foi contada.

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O desenvolvimento do romance é recheado de clichês do gênero. Por exemplo há a presença de discursos inacreditavelmente ruins e “melosos” e reviravoltas previsíveis. Além de bailes com danças onde há o cortejo das mocinhas. O filme Brooklyn, indicado ao Oscar de melhor filme, ensinou – mesmo usando de pouca originalidade – como trazer um bom romance para tela.

As partes do longa que eram para serem engraçadas são praticamente nulas. O filme se leva a sério demais. Se assumisse o ar galhofa entregaria um produto mais palatável. Há um alívio cômico na figura de um pastor que não arranca nenhum sorriso – ele lembra o nosso glorioso Jar Jar Binks do Star Wars: a ameça fantasma.

Já os zumbis… bem os zumbis… aqui eles têm uma característica um tanto peculiar: eles falam! E não para por aí… eles pensam e elaboram armadilhas. Aquela imagem do zumbi como uma besta irracional e que vaga com lentidão atrás de alimento é jogada por água abaixo aqui, e a desconstrução definitivamente não funciona. É válido, porém, ressaltar que a maquiagem daqueles seres está excelente. Há uma cena no começo de um com o rosto soltando uma gosma nojenta que é realmente bem feita. Uma outra zumbi com uma bebê no colo também apresenta uma composição bem feita.

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Orgulho e Preconceito e Zumbis, não funciona nem como filme de romance, humor e nem de zumbis. E parte desse problema se dá, pois ele não se assume como nenhum dos três, ao tentar enveredar para todos os lados acaba não atingindo, com eficácia, nenhum.

A direção de Burr Steers (que também assina o roteiro) erra ao colocar a história dividia em 1h47 e com uma edição (principalmente no começo) com cortes bem esquisitos. Além disso há algumas passagens em que algo é focalizado mais tempo do que deveria no intuito de gritar: “prestem atenção aqui” ou então “riam disso…”. Em nenhum momento achamos que a história vai dar certo ou nos empolgamos com algo. 

Sobre alguns outros aspectos técnicos vale a nota para o design de produção e para a trilha. Em filmes que retratam a aristocracia o design de produção tende, por padrão, a ser bem elaborado. E aqui não é diferente. Temos figurinos, cenários, objetos, etc que refletem bem a realidade proposta. Algumas tomadas dos castelos, por exemplo, são bonitas e imponentes.

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A trilha alterna dois momentos uma voltada para o lado cômico e outra para o lado tenso. Neste acaba “impondo” o sentimento que quer passar, mastigando a cena para o público. Já a mais engraçadinha funciona no começo, mas a repetição de alguns acordes tornam as cenas bobas demais (aliada, é verdade, ao roteiro fraco).

O bom elenco, com a produção que teve e o material original que poderia ser uma versão engraçada, escatológica ou até mesmo um romance com mulheres fortes, infelizmente, não entrega nada disso. As vezes que resvala em algo que pode funcionar (como na divisão das classes sociais representadas pela origem do treinamento de cada um) é abandonado ou pouco desenvolvido. Quem é fã de zumbi não se sentirá representado. Quem espera uma paródia hilária, tampouco. Nota 4