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Um Homem Entre Gigantes é o mais novo filme do astro Will Smith, inclusive Will esteve cotado para o Oscar no papel (acho um pouco exagerado, vejo 5 atores melhores que ele este ano, mas não seria um absurdo completo).  O longa estreou no Brasil dia 03 de março, mas em poucas salas (aqui no DF, por exemplo, em apenas três horários).

Temos a história real do Dr. Bennet Omalu (Will Smith), um médico legista de origem nigeriana que trabalha em Pittsburgh (EUA).  Ele tem métodos muito corretos na forma de conduzir a profissão (às vezes corretos demais) dando uma atenção minuciosa aos corpos sob a tutela dele – chegando ao ponto de “conversar” com os mortos…  vale o adendo que não é nada sobrenatural, apenas um jeito peculiar de lidar com o processo da autopsia.

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A vida dele ia razoavelmente bem, alguns probleminhas aqui e acolá, mas nada grave… até que o famoso jogador de futebol americano Mike Webster (bem vivido pelo veterano  David Morse) morre. Omalu suspeita que a morte dele foi causada por uma concussão devido à prática esportiva (aqui vale o parênteses: quem foi o “gênio” que traduziu “Concussion” – título original – para “Um Homem Entre Gigantes”?). O Dr. Bennet passa a cogitar que vários outros atletas possam sofrer de danos cerebrais. Ele começa então uma jornada para provar o ponto dele indo contra muita gente de peso.

A trama resvala, bem de leve, em Spotlight. Temos uma grande instituição sendo acusada e alguém a investigando e a colocando contra a parede. Aqui a Liga de Futebol Americana (NFL) e em Spotlight a igreja católica (em ambos os casos as instituições sabiam e encobriam os fatos). E Pittsburgh (cidade onde se passa a história) respira futebol americano, tal como Boston (local de Spotlight) tem forte influência da religião. Mas as semelhanças param por aí… o vencedor do Oscar é muitíssimo superior em vários aspectos.

O roteiro em Um Homem Entre Gigantes deixa muito a desejar (exatamente o ponto forte em Spotlight). A história é previsível e desenvolvida de forma errada. Os personagens são unidimensionais e tem tramas pouco convincentes. Além disso há um romance entre o Dr. Bennet e a, também emigrante, Prema Mutiso (Gugu Mbatha-Raw) que é bem fraco e clichê. Há o olhar do “amor à primeira vista”, a mudança de rotina que desagrada no início só para dizer como eles são diferentes e falas muito artificiais. Se esse arco não existisse o longa poderia ganhar força. Há também um problema em relação há alguns personagens secundários que é exposto de forma conveniente e não funciona.

Concussion

Outro ponto negativo aqui é que a reverberação das atitudes do Dr. Bennet são pessimamente exploradas. Os possíveis conflitos e consequências são diluídos ou há momentos em que batem em determinadas teclas de forma desnecessárias.

E o começo era promissor. A primeira cena do personagem do Will Smith em um tribunal é bem divertida. O estabelecimento do universo da trama é feito de forma tranquila e ágil ao mesmo tempo: entendemos os caracteres dos personagens, mas temos uma edição veloz que dá um bom dinamismo.

A direção do Peter Landesman, que também assina o roteiro, erra a mão em várias cenas. Há detalhes do processo de autópsia ou quando ele “enxerga” colisões entre jogadores que parecem uma mistura de CSI com House, mas sem o vigor das referidas séries. É colocado um certo ar monotônico na trama que a deixa superficial, verdade que algumas vezes a história é interessante, mas o recorte escolhido não foi a melhor opção. E a um problema de edição que deixa a coisa toda arrastada demais.

Will imprime uma boa atuação ao personagem. Ele traz um sotaque carregado e alguns trejeitos e expressões sem exagero que compõem bem o Dr. Bennet. Ele transparece uma inocência (que é irritante às vezes, mas que convence) e uma certeza dos ideias que tornam o personagem carismático (é provavelmente a melhor coisa do filme e se você achar que vale o ingresso será por essa atuação). Destaque também para Alec Baldwin. Ele dá um peso importante ao personagem do Dr. Julian Bailes e quando está em tela o longa ganha impulso.  Os demais não tem tanto material para trabalhar (à exceção de David Morse, que, apesar do pouco tempo, é o único que passa a perturbação vivida pelos jogadores).

O tema é importante e contemporâneo (imagina que um médico descobre que jogadores do nosso futebol correm o forte risco de sofrer danos graves no cérebro e a CBF já tinha ciência disso e oculta os fatos). Mas a história é mostrada de forma simplista e com um final muito aquém do que é pedido pelo evento em si. Nota: 5,5

 

 

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