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Para quem achava que Os Dez Mandamentos era a maior pérola do século relacionada ao Antigo Egito, ainda não viu nada. Deuses do Egito chega a ser ainda mais inacreditável de tão ruim e prova ser um desperdício de tempo e dinheiro, surgindo como forte candidato ao troféu Framboesa de ouro.

Na “história”, o Egito vive momentos de paz e prosperidade e está para assistir a coroação de Horus como rei, sucedendo seu pai, Osiris. Porém seu irmão Set, que passou dias vagando pelo deserto, mata o próprio pai, arranca os olhos de Horus e se torna rei do local – e com práticas escravagistas. Paralelamente a isso temos Bek, um mortal ladrão que faz um trato com Horus para que os dois tenham de volta aquilo que querem: o deus precisa recuperar o Egito e Bek precisa recuperar a amada.

Nada funciona em Deuses do Egito. Até onde a memória alcança, este é o pior uso de computação gráfica da história. Não há cenários e os atores claramente estão em um fundo verde – aliás, em muitos casos, nem os atores são reais. Até mesmo as cenas de luta, em que os atores interagem com algumas criaturas e os deuses se transformam em armaduras, não convencem ou empolgam a platéia sedenta por ação. Na verdade, tudo constrangem o espectador e o filme é permeado por momentos de vergonha alheia para o cinema – isso porque não irei falar dos cortes rápidos e preguiçosos de uma cena para outra.

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O uso exagerado de computação gráfica mal feita é ruim, obviamente, mas não é o pior dos problemas. Todos do elenco estão sem expressão, sem carisma, claramente fizeram o filme por “encomenda” e o roteiro é uma colcha de retalhos que resulta chocho. Há várias subtramas em Deuses do Egito: uma história de vingança, amor, poder, morte e todas ligam o nada a lugar algum. Os roteiristas, Matt Sazama e Burk Sharpless, já haviam feito outra pérola ano passado com o filme O Último Caçador de Bruxas, mas aqui conseguiram piorar o que já era horrível.

E por falar em morte, há um conceito impossível de trazer os mortos de volta à vida para justificar o romance inicial da trama. Não bastasse o absurdo do roteiro, o casal – que deveria ser o par romântico – não tem química alguma. Se for uma tentativa de fazer uma versão egípcia de ‘Romeu e Julieta’, foi um tiro pela culatra.

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Trazer Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister de Game of Thrones) para o papel de Horus e Gerard Butler para Set, foram tentativas de reprodução de seus personagens em Game of Thrones e 300 – e como falta de imaginação pouca é bobagem, o Leônidas… quero dizer o Set, grita e uiva ao longo do filme tentando mostrar fúrias no seu plano insólito de destruir o mundo ao passo que precisa dele para governá-lo.

O elenco feminino perde tempo demais em trajes mínimos e diálogos sem sentido, sobretudo Hathor, deusa do Amor e sua personagem que foi claramente uma tentativa de fazer uma “mulher forte” como o mercado atual exige, mas que falhou miseravelmente . A atriz que a interpreta, Elodie Yung, não chega nem aos pés de Lena Headey em 300, por exemplo.

Mesmo bons atores, como Chadwick Boseman, que será o Pantera Negra em Guerra Civil da Marvel e no seu filme-solo em 2018, e o vencedor do Oscar por Shine – BrilhanteGeoffrey Rush, não conseguem salvar o filme do desastre total, até porque a direção de Deuses do Egito é muito amadora. Alex Proyas está longe de ser um grande diretor, mas tem filmes bacanas no currículo como O Corvo e Cidade das Sombras, e aqui faz um trabalho que claramente foi encomendado por produtor, sem ter uma cena que se diga: “Aqui o diretor trabalhou!”.

Deuses do Egito até poderia ser um épico histórico, mas com esse resultado aqui, não merece nem uma nota de rodapé. E com o não-sucesso dele, pelo menos estamos livres de uma continuação.
Nota: 0,0

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