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O Dia Internacional da Mulher é, na verdade, um lembrete de que as mulheres resistem apesar de todos os contextos de opressão aos quais são submetidas ao longo dos anos. Não é uma flor, um chocolate. É a rememoração do dia em que mulheres trabalhadoras morreram lutando pelos seus direitos e que ainda hoje a gente se vê lutando para conquistar espaços na sociedade.
No CInema não é diferente. A indústria cinematográfica tem aberto espaço aos pouquinhos para as mulheres. Hoje em dia temos participação feminina ganhando prêmios em categorias técnicas que sempre foram dominadas por homens.

E pra celebrar essa resistência, hoje compilamos indicações de mulheres sobre filmes dirigidos por mulheres. Olha só:

Garotas (Bande de Filles)

Indicação de Monique Costa
Título: Garotas (Bande de Filles)
Diretora: Céline Sciamma

Marieme, 16, vive sua vida como uma sucessão de proibições. A censura exercida pelo bairro, a lei estabelecida pelos garotos, o beco sem saída da escola … Mas seu encontro com um grupo de meninas que reivindicaram sua liberdade muda tudo. Ela abraça os códigos da rua, a violência e a amizade, para viver de fato sua juventude.
Achei incrível a força que Marieme conseguiu para se libertar. Tanto de sua introversão, quanto de seu irmão abusivo. É certo que algumas atitudes tomadas por ela e suas amigas com outras garotas não são de se aplaudir, mas aqui vemos um retrato interessante sobre garotas negras de baixa renda e escolaridade, durante sua juventude.

The Virgin Suicides

Indicação de Cecília Veloso
Título: As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)
Diretora: Sofia Coppola

Ambientada num bairro de classe média da década de 1970, a história gira em torno da família Lisbon, que conta com uma mãe repressora, um pai desconectado das filhas, e cinco meninas adolescentes que, mal ou bem, lidam com os problemas típicos dessa fase, como a perda da inocência, a descoberta do sexo, as dificuldades dos relacionamentos sociais, o isolamento, a solidão e o mais profundo deles, o suicídio. O filme é observado e narrado pelo olhar masculino de garotos, igualmente adolescentes, que as observam de longe, e tentam, de alguma forma, descobrir os mistérios que as envolvem.

Indico esse filme pela delicadeza com a qual Sofia Coppola consegue desenvolver e imprimir um ponto de vista feminino aos problemas de uma sociedade dos anos 70, sem o peso do feminismo militante. Coloca ao mesmo tempo uma história centrada no amadurecimento feminino, vista pelos olhos da perda da inocência masculina. Interessante e genial para a estreia dessa grande diretora, que foi alcançando reconhecimento em seus filmes posteriores. Um detalhe a mais, e não menos brilhante, é a trilha sonora belíssima. Vale a pena conferir.

Réponse de Femmes Notre Corps, Notre Sexe

Indicação de Sarah Jéssica Lima
Filme:  Resposta de Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo (Réponse de Femmes: Notre Corps, Notre Sexe)
Diretora: Agnés Varda

Agnés é uma cineasta já conhecida pelo teor feminista de muito da sua obra. Esse curta tem oito minutos e pouco, se não me engano, e é nada muito além de mulheres respondendo sobre o que é ser uma mulher e falando sobre questões de gênero.
Impressionante que um filme de 75 seja tão atual, que fale de maneira tão urgente, ainda. Deprimente, também.

A direção poderosa de Varda faz com que o curta todo seja um grande golpe de realidade em todo mundo que assiste, especialmente em mulheres, que se compreendem e se vêem representadas e que se vêem diante da necessidade de reinventar tudo o que as cerca. É um belo tapa na cara em menos de dez minutos.

Pariah

Indicação de Hyasminny Estevam
Filme: Pariah
Direção: Dee Rees

O filme começa confrotando a questão de papéis de gênero desde o início. Alike, a protagonista, é filmada com roupas “de garoto” enquanto está numa balada para lésbicas. O cotidiano dela é então, acompanhado por quem assiste de forma a ver o quanto detalhes fazem diferença quando temos que esconder quem realmente somos. Filha de uma família tradicional negra nos Estados Unidos, ela se vÊ constantemente confrontada por questões religiões, pela ilusão de “paraíso heterossexual” que mais tarde na trama, são violentamente quebradas.

É a vida de uma adolescente descobrindo-se para o mundo enquanto lésbica.
Tudo reside nos detalhes das atuações e na sensibilidade poética da percepção de Dee Rees.

Indicação de Anna Carolina Soares
Filme: Parahyba, mulher macho
Diretora: Tizuka Yamazaki

Pra quem achou que Tizuka Yamazaki só dirigia filmes da Xuxa, fica aqui essa bomba que é Parahyba, mulher macho. O filme, ambientado no final dos anos 20, dialoga de várias maneiras com o universo feminino, tendo como ponto central a história de Anayde Beiriz, professora que é um espírito rebelde e questionador na trama. O contexto da trama se dá justamente na Revolução de 30. A temática revolucionária dialoga dentro e fora da personagem, que quer permitir-se e permitir o outro.

O mais interessante pra mim, nesse filme, é a forma de filmar. A câmera mostra o corpo feminino diferente de toda construção semiótica do olhar para o corpo feminino no cinema. É esmagadoramente natural e bonito.

american-psycho-3

Indicação de Gabriela Sulzbach
Filme: Psicopata Americano (American Psyco)
Diretora: Mary Harron

Quis indicar esse filme porque já ouvi muitos comentários de homens dizendo que “o diretor desse filme captou mesmo o universo masculino em alguns aspectos” e eu ficava sorrindo olhando pra eles. Mary dirigiu um filme aclamadíssimo e ainda assim muita gente acha que um cara dirigiu o filme.

Tá, a trama gira em torno do cotidiano de Patrick Bateman, um jovem rico que vive superficialmente a ponto de causar desconforto no espectador. A reviravolta do filme é quando essa superficialidade começa a deixá-lo louco, de certa forma.
É uma crítica social bem forte, e qualquer coisa que eu disser além disso, pode parecer um spoiler bem chato.

Encerramos por aqui as indicações e só queremos mesmo desejar força pras mulheres todas que forem ler. Estamos juntas!

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