Faz um tempo que o tema “relações familiares” é extremamente explorado no mundo dos seriados de tv como uma das fontes mais rentáveis para gerar boas risadas. Desde o clássico I Love Lucy, chegando até a disfuncionalidade conveniente de Full House, o que mais vemos nas telas são sitcons que existem se valendo da premissa de que toda a família poderia se reunir para assistir e dar boas risadas de problemas e situações que, em teoria, seriam fáceis de se reconhecer.  A coisa toda chegou num ponto onde somos obrigados a nos perguntar se esse modelo ainda tem graça, ou se rimos apenas por osmose. Pelo menos foi essa uma das perguntas que eu me fiz enquanto via Cuckoo, uma das produções originais da Netflix que acabou de pintar no catalogo brasileiro.

Tendo estreado em 2012, Cuckoo conta com um plote simples, usando o velho modelo do “estranho encantador”, onde um personagem de características muito diferentes  é inserido dentro de um núcleo que vai ter de adaptar, ou pelo menos suportar, a sua presença. No caso da série, o personagem dissonante é o próprio Cuckoo que se casa com a filha mais velha dos Thompson, uma família britânica moderna.

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Cuckoo é uma espécie de A Grande Família de sotaque inglês e conta com todos as características que uma produção de comédia britânica. O humor ácido, os limites morais mais expandidos (cenas de semi nudez e barulhos sexuais) e até o bom e velho “non sense” que muitas vezes faz o espectador rir sem saber bem qual é a graça, estão presentes em toda a primeira temporada, direcionando o público para os momentos onde é necessário dar risada, ainda que a situação seja explicitamente  triste.

Como produção, a série deixa a desejar em vários pontos, pois explora mal os personagens e suas ligações emocionais mais básicas. Num mundo os números de divórcios é quase equivalente ao de casamentos, é complicado aceitar que um pai ou uma mãe se permitiria passar por determinadas situações sem ficar desconfortável o suficiente para pedir uma separação. Em Cuckoo muitas das situações chegam nesse ponto de tensão, e o espectador se vê de frente a problemas que ele mesmo não encararia com tanta pleura.

Cuckoo

Talvez o maior problema de Cuckoo esteja no visível desperdício de bons atores. Andy Samberg é fraco como Cuckoo, não porquê sua interpretação seja ruim, mas mais pelo fato de que o próprio personagem em si é tão caricato que acompanhar seu desenvolvimento é simplesmente chato. Fica ainda pior se compararmos o mesmo Samberg que está fazendo seu nome na atual série de humor Brooklyn 99.

É chato dar uma nota para Cuckoo sabendo que em momento nenhum a própria produção se leva a sério. Complica ainda mais quando descobrimos que uma das série mais vistas no canal BBC e que ganhou prêmios importantes dentro de seu circuito. Mas como é necessário fazer uma avaliação e transforma-la num numeral, acredito que a nota 2,5 consegue exprimir minha real impressão sobre essa primeira temporada.

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