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Nos últimos 2 anos não houve filmes mais aguardados e que despertassem mais curiosidade do que Star Wars: O Despertar da Força e Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. A saga espacial mostraria como a Disney trataria essa franquia tão amada, como a história continuaria e como seriam os personagens novos; já Batman vs. Superman é o filme que marca o início do universo DC nos cinemas, tem a inserção de personagens conhecidos pelos fãs de HQs e é o pontapé inicial para o filme da Liga da Justiça, que estreia em novembro de 2017.

Não podemos negar que Batman vs. Superman teve uma grande campanha de marketing. A Warner/DC não economizou em mostrar imagens, clipes e claro, trailers. Foram 3 trailers mais os vários teasers, que deixaram muitas pessoas com a sensação de que chegariam no filme sem surpresas e acabou por gerar a questão: será que essa superexposição atrapalha a experiência do filme?

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Há duas cenas em especial que poderiam ser apoteóticas e fariam os cinemas vibrarem, mas para quem já viu tudo antes, a graça vai embora. Mas também existem cenas em Batman vs. Superman que somente vendo o filme é que se aprecia melhor e tornam a experiência cinematográfica se torna única. Na verdade, o início do universo DC é com o Homem de Aço e o estúdio até cogitou um segundo filme do herói, mas com o rendimento abaixo do esperado nos cinemas, a alternativa foi fazer um filme na qual o Superman e o Homem-Morcego não se entendem e não deixa de ser continuação do filme anterior, pois as motivações daqui são justamente os danos causados na cidade de Metrópolis do filme de 2013.

A opinião pública, dentro do universo criado no filme,  fica em duvida se o Superman é um herói que salvou a cidade ou se ele deve ser responsabilizado pelos danos e destruição causada. O Batman, obviamente, entende que o Homem de Aço é o responsável e lutará contra o filho de Krypton – e sim, os motivos reais do embate vão além do que foi divulgado e são sim boas surpresas. O bom roteiro de Chris Terrio (Argo) e de David Goyer, que também escreveu a trilogia do Nolan, mostra uma história política, pessimista e sombria de destruição de uma sociedade dividida, culminando no embate que decidirá que se o mundo precisa mesmo de uma personificação de um herói.

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O clima dos filmes do Nolan também está presente, mesmo ele sendo “apenas” produtor executivo. A ideia do mundo sombrio apresentada na trilogia do Batman é visível tanto na trilha sonora arrebatadora de Hans Zimmer, onde cada personagem tem seu tema; quanto na fotografia incrivelmente linda e bem filmada de Larry Fong, que também foi diretor de fotografia de Watchmen e 300, ambos de Zack Snyder. E por sua vez, o próprio Snyder mostra mais uma vez que, quando filma uma adaptação de HQs, sabe o que está fazendo, conhece seus personagens e até suas câmera lenta e estilizada é mais contida, mas presente em momentos “chave”.

O único problema técnico aqui foi a edição cheia de cortes desnecessários de David Brenner, sobretudo no início. Os acontecimentos passam tão rápido que mal dá tempo de o público se envolver emocionalmente e as cenas alternam de forma tão radical que ficou difícil entender uma ligação entre um momento e outro. Ficou claro que a edição foi feita às pressas em um filme que teve mais de 2 anos de produção.

Quando o Ben Affleck foi escolhido como Batman a internet inteira recebeu a notícia a pedradas e o mesmo vale para a Gal Gadot como Mulher-Maravilha, mas ambos são a melhor coisa de Batman vs. Superman: ele traz a imagem de um herói veterano e ao mesmo tempo amargurado e cheio de vingança que claramente não esqueceu a morte dos pais. Affleck é o melhor Batman dos cinemas até aqui e já ficamos ansiosos para o seu filme solo, que sai em 2018. Enquanto Gal Gadot rouba todas as cenas tanto como Diana Prince, como a heroína e seu personagem são um preparativo para o filme solo e de seu papel dentro da Liga da Justiça.

O Lex Luthor de Jesse Eisenberg dividiu opiniões. Alguns o chamam de “caricato” outros de “psicótico”, como a própria Lois Lane diz em um dos trailers, mas sua importância na trama é muito maior do que os materiais promocionais indicavam. Lex é a personificação do vilão maluco em construção e sem a necessidade de contar uma origem. Quando a internet inteira clamava pelo Bryan Cranston, Zack Snyder sabia o que estava fazendo ao chamar um ator com menor glamour.

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Outros grandes atores, já de talento comprovado a vencedores de Oscar, Jeremy Irons como Alfred e Holly Hunter como a senadora Finch, têm um arco dramático mais profundo do que o trailer sugeriu. A premissa também vale para Amy Adams como Lois Lane, que mesmo sendo uma humana “comum”, pode ser a fiel da balança na trama principal e tem quase o mesmo tempo de tela que os protagonistas.

Batman vs. Superman exigiu muito dos envolvidos. Todos tinham uma grande responsabilidade em entregar um filme para as grandes massas, ao passo que deveria ser uma produção que introduzirá alguns personagens para a Liga da Justiça e mostrará um clima diferente dos filmes divertidos e coloridos da Marvel – sem entrar no mérito de qual é melhor ou pior. E podemos dizer que todas essas necessidades foram atingidas com louvor.

Não é fácil fazer um filme de longa duração nesse mercado competitivo e foi um grande risco dos envolvidos em colocar uma trama política e cheia de diálogos numa produção de 250 milhões de dólares, com essa obrigação de dar certo para um público de massa, já que todo o universo da DC Comics nos cinemas dependia disso. Mas a vida sem riscos não tem graça, e sem a ousadia de alguns o mundo não iria evoluir. Depois de Batman vs. Superman, queremos o Esquadrão Suicida para ontem!

Nota: 9,0

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