Quando uma adaptação de quadrinhos é anunciada para o cinema, todo mundo fica ansioso para ver quais serão os atores e atrizes escalados, como será o visual dos personagens, quais histórias serão referenciadas, quem será o diretor… Pois bem, eu até penso nessas coisas, mas tem um elemento que pouca gente lembra, mas sempre me deixa cheio de expectativa: quem fará e como será o tema dos heróis na trilha sonora?

Porque no cinema, mais do que suas atitudes, o que define um herói e o seu filme é a sua música. Muitas vezes ela tem tanta importância que a simples menção ao nome do personagem traz o seu tema à mente. Na última semana, Batman vs Superman: A Origem da Justiça finalmente chegou aos cinemas e no meio de toda a guerra e destruição que ele têm causado nas redes sociais, em um aspecto todo mundo está de acordo: a trilha sonora é excepcional. Assinada pelo alemão Hans Zimmer e pelo holandês Junkie XL, a música do filme é sempre grandiosa e auxilia no tom épico que o diretor Zack Snyder buscava para sua produção.

Por isso mesmo, não é muito difícil decidir por onde começo minha viagem por temas marcantes de super-heróis. Vamos nos focar nos super-heróis da DC, afinal, os holofotes estão sobre eles agora (além do que é mais fácil começar por eles, até semana passada só dois tinham ganhado franquias e temas na tela grande. Não foi uma piadinha fanboys, apenas a verdade). Existem vários momentos dignos de serem lembrados na trilha de Batman vs Superman, mas como o foco aqui são os temas criados para os heróis, vamos falar primeiro das músicas feitas para os dois “novos” personagens apresentados na superprodução: o Batman de Ben Affleck e a Mulher Maravilha de Gal Gadot. O homem-morcego sempre deu sorte no audiovisual, já que todos os temas criados foram excelentes para as diferentes versões do personagem que foram apresentadas no cinema.

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O icônico tema de Danny Elfman é para muitos, o definitivo do herói, por conseguir misturar perfeitamente o clima sombrio que é inerente ao personagem com o heroísmo fantasioso que acompanhou o morcego nos filmes de Tim Burton e na sua versão animada dos anos 90. Já o tema de Hans Zimmer criado para a trilogia de Christopher Nolan, mantém a parte sombria, mas sem tanto heroísmo. A música de Zimmer soa mais intensa e menos grandiosa, reflexo do aspecto mais realista de filme policial adotado pelo diretor inglês.

E finalmente chegamos a Batman vs Superman, onde o mesmo compositor alemão precisou definir musicalmente o homem-morcego mais uma vez e agora, alcançou um resultado diferente de tudo que já foi feito para o personagem. Aqui, o tema de Batman é apresentado ao espectador logo nos créditos iniciais do longa, começa grandioso e depois mergulha numa melancolia intensa e quase agoniante, reflexo de um homem cheio de sofrimento e incapaz de se livrar dos traumas do passado. O heroísmo não tem vez, já que o foco aqui é na tragédia da vida de Bruce Wayne, que acabou resultando no seu alter-ego.

Se o Cavaleiro das Trevas não ganhou um tema heroico no filme de Zack Snyder, o mesmo não pode ser dito da Mulher Maravilha. Um dos grandes ícones dos quadrinhos, ela nunca tinha ganhado uma versão cinematográfica e por isso mesmo, a curiosidade com o seu tema era dobrada. Hans Zimmer e Junkie XL não decepcionaram, porque a música que anuncia a entrada da super-heroína na história é de longe, a melhor da trilha sonora. Uma guitarra selvagem (cortesia de XL) acompanha a percussão e as cordas de maneira perfeita e a amazona surge na tela de maneira poderosa e imponente, fazendo seus dois companheiros de luta parecerem até um pouco menores. Ainda não se sabe se esse tema será usado para a personagem no seu filme-solo, mas de qualquer maneira, funcionou perfeitamente para seu papel em Batman vs Superman (que é focado majoritariamente na ação, já no terceiro ato).

Já o Superman conta com dois temas na tela grande e é talvez a maior prova de como a música é crucial para definir um personagem, já que com o Azulão não há muito espaço para sutilezas, afinal, estamos falando do super-herói mais poderoso do mundo, encarado como um verdadeiro deus em todas as suas encarnações no cinema (apesar do peso disso ser diferente em cada uma delas). Ou seja, o personagem pede por uma música grandiosa. E é exatamente isso que criaram para ele, em ambos os casos.

O primeiro a  conseguir, é claro, foi o mestre John Williams, que criou o tema do Superman para o clássico de Richard Donner e, como estamos falando de John Williams, sua música conseguiu ir muito além do homem de aço: o tema composto por Williams é praticamente uma definição atemporal do que é ser um super-herói. Nos dias de hoje, com essa virada realista e sombria que as adaptações de quadrinhos têm experimentado nos cinemas, ouvir o tema do Superman interpretado por Christopher Reeve é quase reconfortante. Ele evoca toda a inocência e sentimento de incorrupção, imponência e esperança que os super-heróis representavam no passado (e ok, ainda representam, de forma um pouquinho deturpada, atualmente).

Man-of-Steek

Foi exatamente por ser tão perfeita que pareceu loucura quando Zack Snyder anunciou que não usaria a música de Williams para a sua reinvenção do Superman. Mas, depois de ver o filme, fica claro que isso seria completamente descabido, dado o contexto no qual o personagem foi inserido. A missão de criar um novo tema para o Azulão ficou com o homem mais citado desse texto, ele mesmo, Hans Zimmer. Muita gente pode não gostar, mas o que o alemão fez superou qualquer expectativa.

O tema de Homem de Aço define com uma perfeição assustadora quem é o protagonista do filme de Snyder (como eu disse na minha crítica do filme, lá no Pós-Créditos). A música começa lenta, quase contemplativa, parte do sentimento de descoberta de Clark Kent, tentando entender seu lugar no mundo. Gradativamente, ela vai aumentando, representando sua compreensão e aceitação do seu propósito e finalmente, a música estoura com toda pompa e grandiosidade que o Superman merece (no filme, acontece no momento do primeiro voo do protagonista, provando que apesar dos defeitos, o maior mérito de Snyder é saber exatamente como usar a música do seus filmes para criar momentos memoráveis) .

E veja só, o texto ficou gigantesco e eu só falei da trindade da DC, quando a ideia era falar de muitos outros super-heróis. Bem, aparentemente esse assunto ainda rende outro texto. Felizmente,  eu ACHO que temos outros filmes de super-heróis esse ano (hehehe) então, oportunidades não vão faltar para abordar o assunto.

Enquanto isso não acontece, vale ouvir a trilha de Batman vs Superman na íntegra, caso ela tenha passado batido por você enquanto assistia o filme (seja por empolgação ou raiva). Divirta-se com ela e até semana que vem!