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Esta semana estreará o longa Casamento Grego 2. Então que tal lembrarmos do primeiro filme da saga que uniu Toula Portokalos e Ian Miller? Nas bilheteria ele foi um baita sucesso: arrecadou 241 milhões só nos EUA ficando entre as 100 maiores de todos os tempos. E tendo como custo apenas 5 milhões.  Ah, Casamento Grego foi indicado para o Oscar em roteiro original… será que era para isso tudo mesmo?

Para quem não conhece a história ou quer rememorar (até a presente data ele está disponível na Netflix) temos uma comédia romântica onde a família Portokalos (que significa laranja, em grego) segue a risca os rituais da própria cultura e morando em Chicago, EUA acaba soando um tanto exótico.

Toula, irmã do meio do casal Maria e Gus, tem 30 anos e é solteira (uma afronta para as tradições da família) e sempre teve uma educação rígida voltada para os valores que, principalmente o pai impunha. O visual dela e a transformação remetem à novela Betty, a Feia. Ela começa fazendo um esforço danado para ser feia (cabelo, roupas, postura… faltou só o aparelho) e em um estalo vira (ou apenas tenta, na minha sincera opinião) um mulherão: cria confiança, ajeita o cabelo, passa maquiagem, etc.

casamento grego

Ela conhece Ian. Um rapaz não grego, professor e que se mostra engraçado e romântico (e juro que extrai o máximo de características que pude). Podem me acusar de spoiler (normalmente sou muito contra tal prática), mas eles ficam juntos… afinal o filme é sobre um casamento…

A relação deles, foco da trama, é a coisa mais problemática e que definitivamente traz a nota lá para baixo (acho que a Grécia entrou em crise depois disso). O começo do filme é até promissor. A trilha, edição e até o roteiro funcionam na ambientação daquele universo. Mas quando o casal se forma… a motivação do amor deles é bem fraca, o desenvolvimento da relação é nulo e química entre os protagonistas é um tanto artificial e com diálogos nada criativos. O ápice disso é que a cena do evento título tem menos de 10 minutos e é um tanto opaca (vi novelas na emissora do plim plim fazerem, no último capítulo, casamentos mais pomposos).

Os personagens secundários não ficam atrás no show de horror: extremamente estereotipados e sem camadas (coisa que os protagonistas também não tem). A função deles é bem monotônica: a o irmão malandro, a velha senil, o pai cabeça dura… Os pais do noivo são certinhos pelo simples motivo de se contrapor à balbúrdia da família da noiva. Ah, tem uma personagem que função é mostrar o decote….

casamento grego

O mote da história, mostrar os conflitos culturais e como uma mulher pode lutar por aquilo que ela quer, fica na mais rasa das possibilidades. Não há um porém, ou seja, nada que torne a história menos linear. “Mas Lucas, isso é uma comédia romântica e não um tratado de filosofia…” Eu sei, mas ainda assim o filme tem que funcionar, independente do gênero… mas vamos considerá-lo…

Eu ri, contado, 4 vezes (e uma delas, admito, gargalhei). Algumas piadas são realmente muito ruins tanto pela construção quanto pelo conteúdo. Já o romance, falei dele ali… não traz absolutamente nada de novo e não explora praticamente nada que podeira. Em suma: os dois elementos principais de uma comédia romântica não funcionam aqui.

O diretor Joel Zwick (que fez dezenas de trabalhos em séries e filmes para a tv) dá até um bom ritmo para o filme, algo comum no gênero. Mas não ousa em nada e não harmoniza bem os personagens em cena. Entendo que algumas vezes a confusão fazia parte do jogo, não é isso que me incomodou… mesmo nas cenas um pouco mais calmas algo na movimentação dos personagens e na colocação deles em tela soa torto.

O roteiro é escrito pela protagonista Nia Vardalos. Ela claramente se dá um peso grande e se alguém tem algum desenvolvimento é ela. Há um recurso de narração que é simplesmente descartável, ao só falar o óbvio. Além das falhas na história que já ressaltei anteriormente… acho totalmente inacreditável a indicação ao Oscar.

Sobre as atuações, bem… os atores não podem ser acusados de interpretar de modo totalmente equivocado aqui. Eles vão, em linhas gerais, de acordo com o que a história pede e trabalham com o material que tem nas mãos. Mas em alguns momentos o John Corbett, que faz o par romântico, mostra-se meio preguiçoso e ausente, mas em outros vai muito bem e se destaca mais que a protagonista. Com o Michael Constantine acontece algo semelhante. Ele tem bons momentos, mas em outros soa forçado.

Muito devido ao sucesso financeiro, que imagino que não vá se repetir (muito menos o sucesso “Acadêmico”, nada de nova indicação aqui) Casamento Grego 2 vem 14 anos depois tentar novamente ganhar o meu coração frio, irei ver a continuação sem quaisquer expectativas, o que pode ser bom. Para o primeiro filme dou, sendo bondoso a nota de 3,5/10.

[segue o trailer do Casamento Grego 2, o filme terá a minha análise aqui no Acabou de Acabar, mas já serve de esquenta para o que vocês podem esperar]

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