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Todos nós quando assistimos a um filme, esperamos ser impactados de diversas maneiras, e a mais importante delas, é o visual. Esse visual na maiorias das vezes é totalmente aparente, outras vezes trabalha nosso subconsciente de uma forma que nem imaginamos, por isso que muitas vezes assistimos alguns vídeos, que passam tranquilidade e nem sabemos o motivo disso.

Quem trabalha muito esse visual, tanto aparente, quanto em entrelinhas, é o grande Diretor Wes Anderson. Nunca ouviu falar? Ahhhh deveria! O grande Hotel Budapeste, Moonrise Kingdom, O fantástico Sr. Raposo, A Vida Marinha de Steve Zissou são alguns dos filmes que mais gosto, já fica aí pra vocês como dica.

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Eu me apaixonei pelos filmes do Wes ainda muito cedo. Ficava espantada com a fotografia que ele usava, as cores influenciadas pelos anos 70 numa paleta saturada e aquele estilo único de transformar cenas simples em quadros únicos, esteticamente incríveis. Se você pausar qualquer cena dos filmes do Wes, consegue uma bela fotografia e isso é fantástico!

Como diretor, Wes é perfeccionista em relação à criação visual de seus filmes. Usa e abusa de cores pastéis (com uma pegada bem vintage), mantendo os cenários sempre bem estruturados e coloridos, mas não aquele colorido altamente saturado como em Amélie Poulain; enquanto mantem um estilo de fotografia simétrica e com ares minimalistas, sendo que um de seus enquadramentos assumidamente  favoritos é o plongée, onde a câmera filma o objeto de cima para baixo.

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Mas tinha um algo mais que me prendia, a cada novo filme que ele lançava. Além dos conflitos existenciais tragicômicos, existia um caráter peculiar em suas películas, que até então eu desconhecia, mas que me agradava harmoniosamente, (aquela coisa do subconsciente que mencionei logo acima).

Foi quando vi o vídeo Centered, feito pelo cineasta Kogonada, que pude entender, não só o motivo de não me cansar dos filmes do Anderson, mas também o elemento da sua “genialidade”. Era uma marca em comum que unia todos seus filmes que já tinha visto até então, algo que sempre esteve lá, e geralmente não notamos quando vemos pela primeira vez. Era a “elegante simetria de Anderson”.

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Ao adicionar uma linha pontilhada branca no meio dos quadros, o vídeo de Kogonada, mostra a composição imaculada nas cenas de toda a filmografia do diretor. Quer se trate de um rochedo, um close num personagem, o zíper de uma cabana se abrindo, ou um edifício, alguma coisa, quase sempre, é colocada num ponto meticulosamente calculado como um reconfortante “feng shui” cinematográfico, acontecendo em ambos os lados do panorama em questão. É realmente fascinante, é realmente genial!!

Wes Anderson // Centered from kogonada on Vimeo.

Depois dessa overdose de simetria que agrada qualquer pessoa, o cinema teatral de Wes Anderson, ainda possui uma das características fundamentais na narrativa cinematográfica que é a comunicação por meio das cores. Anderson vem para nos provar que a cor é um elemento narrativo fundamental que integra outros na ação de seus filmes. Para transpor seus significados, os personagens de Anderson possuem personalidades pelas cores, os cenários em que são introduzidos, unidos à fotografia, nos fazem sentir a construção de um universo com peculiaridades e piadas visuais próprias. Na verdade é um exercício no estudo da relação entre cor, fotografia, cenografia, design e produção. Te convido a conhecer essas obras, Wes, é incrível, difícil de cansar de sua magnitude estética.

Wes Anderson // From Above from kogonada on Vimeo.

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