Escolha uma Página

Visões do passado, que estreia quinta nos cinemas brasileiros,  é um terror/suspense focado na história de Peter Bower (Adrien Brody), um psicólogo que sofreu alguns traumas: a morte da filha e um evento na adolescência. Ambos reverberam no dia a dia dele o deixando bastante perturbado.

Quando Pete retorna para os EUA recebe pacientes indicados pelo colega, o Dr. Duncan Stewart (Sam Neill). Mas os pacientes são um tanto peculiares e intrigam Bower. Os números 1 2 7 8 7 vem à tona e é uma das poucas pistas de uma cliente um tanto estranha, a jovem taciturna Elizabeth Valentine (Chloe Bayliss). Paralelo à conturbada vida profissional, Pete tem problemas com a saúde da esposa Carol (Jenni Baird).

Adrien-Jenny-Visões do PAssado

Basicamente a história se desenrola com o Dr. Bower tendo que lidar com os problemas internos e aquilo que aflige a mente dele. Tanto que em basicamente 100% do tempo ele está em tela. A trama tem algumas reviravoltas que tendem ao óbvio, mas que podem surpreender alguns (cada “surpresa” que ele propunham eu dava um muxoxo de desapontamento durante a exibição…).

Quando elemento de terror é inserido ele se apresenta de forma clichê e usa de jumpscares para assustar (e maioria sequer funciona), ou seja, não se sustentando na construção ou ambientação, tal como faz o filme A Bruxa, por exemplo, mas utilizando uma muleta fácil para tentar impor o medo. Já o suspense funciona um pouco melhor, mas também deixa a desejar.

O primeiro arco do filme traz bem a apresentação do personagem e do que vamos ver a partir dali. A segunda parte do longa vira um suspense policial, mas mantendo a áurea de terror. O final retoma os elementos anteriores, mas é, de longe, a parte mais fraca aqui.

Na parte técnica, os sons ajudam na construção do clima e fica nítido, de forma bem presente, alguns barulhos como passos, portas batendo, trens passando, etc. A trilha, apesar de simples, não é óbvia e não antecipa as emoções, servindo mesmo como plano de fundo para a ação a ser narrada. A fotografia tem tons mais escuros que reverberam o sentimento do longa. A maquiagem hora funciona em alguns personagens e em outros fica devendo.

visoes-do-passado

Sobre as atuações, Adrien Brody fica muito aquém do trabalho dele em O Pianista, filme que rendeu a ele um Oscar. A interpretação é até firme, mas monotônica. Ele transparece o tempo inteiro uma feição cansada e chorosa em momento algum compadecemos dos dramas dele ou torcemos de forma fervorosa. Sam Neill tem pouco tempo em tela, mas traz uma ar mais convincente e atende às necessidades do personagem. Chloe Bayliss tem pouco material para trabalhar e se apresenta de forma genérica aqui. Jenni Baird, que faz a esposa do protagonista, tem um personagem bem desnecessário e que some em boa parte do filme, ficando até difícil dizer algo sobre.

Na última parte entram dois personagens na história, mas que, para evitar spoiler, é melhor não falar muito sobre eles aqui. A atuação de um deles está bem fraca, quase robótica. O arco da outra personagem é até interessante, mas um tanto conveniente.

Visões do passado

Visões do Passado não é um filme marcante. E não é excelente em aspecto algum. A trama pode instigar e agradar alguns, mas ser um tanto óbvia e maçante para outros. Michael Petroni, que escreve e dirige, poderia trabalhar a história de uma outra maneira, contudo traz mais do mesmo e com algumas opções bem questionáveis. Como este mês não teve grande opções (até o lançamento de Batman v Superman) pode ser que seja válida a ida ao cinema para conferir. Nota 5

[Algumas das poucas surpresas do longa são reveladas no trailer. Mas o primeiro minuto dá para ver tranquilamente. Só prossiga a partir daí se não se incomodar em ter detalhes da trama revelados]

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments