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Está cada vez mais comum ver séries inteiras dedicadas a apresentação da “vida banal” como algo que pode ser interessante, sendo que muitas delas se quer fazem distinção entre o cômico e o trágico. Provavelmente a produção mais recente que exemplifica bem essa ideia é o seriado Master Of None, mais um produto original Netflix.

Como o próprio nome já diz, em forma de piada, Master Of None (MoN) conta a história de um “mestre de ninguém”, que em apenas 10 episódio consegue fazer com que o espectador fique preso na cadeira, acompanhando a sua bela e banal existência melodramática. Vivido pelo bizarro Aziz Ansari, Dev é um ator de 30 anos de origem hindu, que ficou relativamente famoso por causa de um comercial e hoje luta para crescer na carreira enquanto vive situações que qualquer outro homem de mesmo perfil viveria.

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A série em si começa com uma das sequências mais comuns na vida de um homem hétero e solteiro: o medo de engravidar alguém a quem mal se conhece por causa de uma camisinha furada. E ao longo dessa situação vai apresentando os personagens que servirão de pilares para o resto da história e compõem o núcleo de amizades de Dev. Rachel (Noël Wells) aparece de forma bem indecifrável como um par romântico, enquanto Brian Cheng (Kelvin Yu) entra no lugar do melhor amigo que estará presente nas aventuras que Dev viverá.

Com a premissa de mostrar o que seriam as agruras e prazeres da vida cotidiana do “homem comum”, o seriado vai apresentando de maneira orgânica e sem muitas explicações, todo o universo que gira entorno do protagonista. Relações sociais, questionamentos raciais e  reflexões profundas sobre os limites da compreensão do seu verdadeiro papel no mundo, são o “tudo” e o “nada” que preenchem o ambiente proposto pelo seriado, pintando em cada episódio um quadro extenso da realidade que vem sendo negada nas produções.

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Essa valorização do “comum” e perceptível até mesmo quando MoN começa a utilizar a criação de um gancho romântico (para prender o público), no que eu considero como “melhor episódio sobre inicio e fim de relacionamentos”.  Fica claro que a ideia do desenvolvimento amoroso não era uma forma de apelar para os corações dos espectadores, e sim para suas mentes. 99,9% do que é vivido pelo protagonista, é completamente plausível e provavelmente já aconteceu/vai acontecer com você que está lendo esse texto.

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O lado bom desse foco no realismo é que o tocante da série é a argumentação e um pouco do efeito “moralizador” que cada descoberta nova do pequeno homem observado pode causar em quem está as observando. Ou seja: o seriado vale muito mais pelo seu texto, ainda que enfatize a fragilidade do banal, do que por qualquer outro motivo. É sentimental, mas sem ser passional, característica que me fez dar uma nota 7,5 e restringir essa indicação aqueles que não querem fortes emoções, mas ainda assim quem se envolver com uma boa história sobre a vida comum.

PS: Ignore atuações e as partes técnicas do seriado. O foco é a trama, ou a completa ausência de importância daquilo que a recheia 😉

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