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O MTV Movie Awards deste ano trouxe, junto com toda a farofada da sua cerimônia, prévias de alguns blockbusters de 2016. Entre eles, está o Esquadrão Suicida, o próximo passo do Universo DC no cinema. E o estúdio teve uma sacada que faz a diferença na divulgação de qualquer produção. Desde que Bohemian Rhapsody e I Started a Joke embalaram os trailers anteriores, a pergunta da vez entre as pessoas ansiosas pelo filme é: qual vai ser a música da vez no trailer seguinte?

A escolhida no caso foi a divertidíssima The Ballroom Blitz, um dos grandes sucessos da banda Sweet, que reforçou qual vai ser o clima do filme além de garantir mais uma vez, que todo mundo reforçasse o amor pelo grupo de vilões da DC, mesmo que quase ninguém conheça eles direito. Porque se você quer chamar a atenção do público de maneira eficiente em um trailer, recorrer à música, seja pop ou rock, é sempre uma solução infalível, que inevitavelmente rende belos resultados.

É uma brincadeira onde todo mundo sai ganhando. Do lado do estúdio, o filme ganha atenção se a música é muito famosa (quando a frase “Is this the real life?” foi recitada no segundo trailer do Esquadrão, o público já estava ganho) ou quando ela dá o ritmo perfeito para as imagens mostradas e do lado da indústria musical, quando o trailer acaba, todo mundo sai correndo pro YouTube, Spotify ou Google para procurar aquela “música maravilhosa daquele trailer sensacional”. É só dar uma olhada nos comentários do vídeo da música do Sweet, a maioria fala que chegou ali graças ao Esquadrão Suicida.

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Esses trailers do futuro filme da DC me fizeram puxar da memória prévias que foram inesquecíveis (às vezes mais do que o próprio filme) graças as suas músicas. Nunca me esqueço de quando fiquei ouvindo o remix de The End is the Beggining is the End do Smashing Pumpkins em looping por uma semana (a música original também é ótima, diga-se de passagem), após ficar girando em círculos em julho de 2008 quando vi o inacreditável teaser trailer de Watchmen. O filme não conseguiu ser tão épico quanto esse teaser (porém ainda acho muito bom) que é daqueles que valem a pena rever até hoje, porque é arrepiante, mesmo pra quem não é fã da HQ.

A música do Pumpkins, tanto pela batida quanto pela voz inconfundível de Billy Corgan, conseguia passar todo o clima sombrio e de desesperança da obra de Alan Moore, como nenhuma outra música utilizada na trilha do filme conseguiu. Ironicamente, ela não aparece em um segundo sequer da produção, mas me marcou de tal maneira que todas as vezes que peguei Watchmen pra ler (ou assistir), só conseguia ouvir as batidas do início do teaser tocando na minha cabeça.

Outro filme cheio de músicas pop e rock, mas que ficou marcada pela única música que não está no corte final é O Lobo de Wall Street. O primeiro trailer do espetacular filme de Martin Scorsese contava com Black Skinhead, uma das músicas mais aclamadas da carreira de Kanye West (e particularmente, a única que eu gosto dele, provavelmente por causa desse trailer).

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A música é um verdadeiro manifesto de West, caótica do primeiro ao último segundo, ou seja, absolutamente PERFEITA para divulgar a história protagonizada por Leonardo Di Caprio. O resultado foi um trailer absolutamente insano, em que a batida dita o ritmo e a parte da letra usada antecipa o que vamos ver. No fim das contas, o filme em si tem inúmeras músicas, desde Rolling Stones até Foo Fighters, mas nada de Kanye West.

Outro exemplo menor, mas que também me deixou extremamente empolgado pro filme, é o trailer de A Rede Social, de David Fincher, que tinha uma versão maravilhosa de Creep, do Radiohead, cantada por um coral. Nem precisa dizer muito aqui não é? O quão significativo é usar uma música sobre uma pessoa que não se vê como parte de nenhum grupo, queria ser perfeita, mas sente-se uma estranha, no trailer de um filme sobre a criação do Facebook?

É impressionante como até na divulgação, música e cinema se completam. Às vezes, uma única música pode ajudar a vender o filme. Em outras, no entanto, é o filme que faz toda a diferença para a música. Quer exemplos? Bom, isso é outro assunto, então… fica para semana que vem. Até lá!

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