O diretor e produtor Adrian Lyne está desde 2002 sem dirigir um filme, sendo o seu último trabalho o provocante Infidelidade, que rendeu uma indicação ao Oscar para Diane Lane. Não dá para chamá-lo de genial, mas seu cinema com temas mais ousados marcou a 7ª arte – para o bem e para o mal. Seu trabalho mais reconhecido foi o premiado (e superestimado) Atração Fatal, de 1987, que rendeu um dos melhores papéis da carreira de Glenn Close e completa 30 anos agora em 2016.

Olhando para a sua biografia, não houve produção de Lyne que gerou mais polêmica, comentários e que tenha entrado no imaginário popular como 9 ½ Semanas de Amor, que é baseado em um livro homônimo de Elizabeth McNeill e comparando as duas mídias, o filme aliviou muito do que o livro propôs, sobretudo na relação erótica do casal principal. Embora o filme seja ousado e apareça sempre na lista dos filmes mais eróticos da história, ele é mais um trabalho de provocação e insinuação.

9-semanas-de-amor_-_reproducao1

Há muitas cenas de sexo sim, mas praticamente não há cenas de nudez e o roteiro foca mais na relação e obsessão. Na história, John (Mickey Rourke) e Elizabeth (Kim Basinger) se apaixonam e vivem um relacionamento baseado em fantasias sexuais, se torna a obsessão um do outro numa relação doentia, quase como uma tortura psicológica, mas onde um não consegue viver sem o outro. 9 ½ Semanas de Amor está muito longe de ser uma obra-prima e os problemas do filme estão justamente na direção preguiçosa – e por diversas vezes, constrangedora – de Adrian Lyne e, principalmente, na interpretação de Mickey Rourke.

9-1-2-semanas-de-amor-foto-2

Mickey era uma grande promessa nos anos 80 e seu talento já foi comprovado em vários filmes, mas aqui passa todo o tempo fazendo pose de galã e mostrando que personagem não tem profundidade alguma, ao contrário da Elizabeth de Kim que, apesar de não estar interpretando um grande papel, se esforçar e consegue dar mais credibilidade para a personagem, ainda que a tenha ficada marcada pela sensualidade.

Adrian Lyne mostra que não sabe trabalhar com atores e não consegue extrair o melhor deles, fazendo o filme perde tempo demais em cenas sem sentido, sobretudo as tomadas externas, como no parque de diversões ou a criança que fazia o som de Tubarão de forma peculiar. Por sorte o filme é salvo pela química do casal e pela trilha sonora irretocável que consegue fazer toda a diferença. Quem viu o filme vai lembrar da relação do casal ao som de Slave to Love ou do striptease de Elizabeth ao som de You Can Leave on Hat on.

9 ½ Semanas de Amor não promove reflexões dos relacionamentos humanos, não se aprofunda nos temas propostos e é, acima de tudo, um produto de entretenimento. O filme foi um grande sucesso de público, mas foi destruído pela crítica (Kim Basinger foi indicada à Framboesa de Ouro) e pode ser amado ou odiado, mas não se pode ignorar sua importância na história do cinema, pois ser um filme que quase não tem nudez e ainda ainda sobrevive como um clássico erótico – mesmo depois 3 décadas, o faz merecer  nosso respeito.
Nota: 5,0