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Quando saiu o 1º trailer de Rua Cloverfield, 10, todo mundo foi pego de surpresa, afinal em tempos de internet e redes sociais, as informações são expostas e dificilmente um filme consegue manter um segredo por muito tempo. Mas ainda existem filmes que surpreendem quando chegam sem avisar, como Rua Cloverfield.

Filmado em segredo, embora tenha um grande elenco e nomes de peso na produção, e com um custo de 5 milhões de dólares, podemos considerar que todo o barulho que o filme está fazendo é um bom sinal se comparado com a falta de divulgação prévia. Quem viu os trailers e materiais promocionais de Rua Cloverfield, 10 ficou com a dúvida: se trata de uma continuação ou de um prequel de Cloverfield – Monstro, de 2008?

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Na verdade, depois de assistir a Rua Cloverfield, 10, a dúvida permanece. Absolutamente nada ficou claro. Se a história é passada antes, durante ou depois do filme de 2008 e é o que menos importa. Rua Cloverfield, 10 é um grande filme de suspense/terror e deixa as respostas para o espectador.

Na história, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) termina com o namorado e saí de casa. No caminho, ela sofre um acidente de carro e vai parar em um bunker arquitetado por Howard (John Goodman), que desde o início demonstra uma imagem imponente, e que logo revela que está na verdade protegendo a moça. Segundo ele há um ataque que está dizimando a raça humana e ela está segura dentro de sua fortaleza. Há também uma terceira pessoa, Emmett (John Gallagher Jr.), que ao contrário de Michelle, pediu para entrar no local depois de ver a dizimação do lado de fora.

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Mas afinal, Howard é louco ou herói? Michelle foi salva ou sequestrada? O filme deixa essas dúvidas o tempo todo e existe um grande jogo de gato e rato, enquanto roteiro constantemente solta pistas falsas para deixar o espectador com frio na espinha e tenso com o próximo passo dado por cada personagem. Michelle é uma moça determinada que quer a todo custo saber da verdade e não confia em Howard, ao passo que ele protege seu bunker de forma autoritária. E Emmett é o meio termo, aceitando a “proteção” de Howard, mas também confiando nas dúvidas que levanta Michelle.

E tudo isso é mérito do elenco. John Goodman interpreta muito bem seu Howard, que é revelado aos poucos e quanto menos souber sobre este personagem, mais interessante ele fica. Já Mary Elizabeth Winstead (a nossa querida Ramona Flowers de Scott Pilgrim) faz uma Michelle que representa os olhos do espectador e cada descoberta sua do mundo ao seu redor faz com que a platéia se torne cúmplice dela e torça por ela, tanto pela sobrevivência quanto para sua luta pela verdade. Provavelmente elo mais fraco da cadeia é mesmo Emmett, vivido por John Gallagher Jr. (da série da HBO, The Newsroom). Não que ele seja um ator um personagem ruim, mas ele acaba não tomando partido de nada e fica difícil perante dois personagens incríveis do lado.

Quem assina o roteiro é o quase estreante Josh Campbell e o já experiente Damien Chazelle (Whiplash), o que acaba explicando o roteiro tenso e bem amarrado, que só cai nos momentos finais, na qual algumas dúvidas são respondidas e a resposta é frustrante. Mas, apesar dessa ressalva, não há dúvida de que Rua Cloverfield, 10, é um filme com proposta e realizações diferentes. E em um mundo de reboots e continuações, isso é um feito. E desde já, candidato a cult.
Nota: 9,0

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