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O Blue Swede foi uma banda sueca de pop rock que teve uma carreira assustadoramente curta. Durou apenas três anos e dois álbuns. Passou quase despercebida, emplacando apenas um hit por uma semana no topo das paradas americanas. Ficou no esquecimento até 2014, quando seu grande sucesso, um cover do americano B.J. Thomas chamado Hooked on a Feeling foi o tema não-oficial de Guardiões da Galáxia, surpresa da Marvel e um dos grandes sucessos daquele ano. De repente, quarenta anos após seu lançamento pelo menos três gerações conheciam o som da banda e o cantarolavam por aí.

Na semana passada, falei do poder que uma música pode ter para um filme e como prometido, hoje é hora de lembrar um pouco do caso contrário: quando o cinema faz a diferença para uma música. Já que comecei com Guardiões da Galáxia, é bom dizer que Hooked on a Feeling é só um exemplo, já que a trilha do filme está cheia de artistas de sucesso dos anos 70 que se perderam no tempo como Raspberries, Norman Greenbaum, Redbone e Rupert Holmes (este último responsável pela minha música favorita depois do hit do Blue Swede, Escape (The Piña Colada Song)). E até mesmo uma música que sempre foi um sucesso ganhou novo significado depois do filme. Ou você não lembra do pequeno Groot dançando sempre que ouve I Want You Back?

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E é sempre admirável quando algum filme consegue desenterrar uma música ou um artista dessa maneira, muitas vezes mostrando o quão atemporais algumas canções são mesmo anos depois de não terem as reconhecido no seu devido tempo. Que o diga Bob Seger, uma lenda de rock, que em 1979 lançou um single (excelente diga-se de passagem) chamado Old Time Rock and Roll, ganhando pouca atenção e sendo mais tocado em rádios menos populares, pelo menos até 1983, quando um jovem Tom Cruise surgiu deslizando apenas de camisa, cueca e meias na sala, cantando e dançando histericamente a canção de Seger, numa das cenas mais icônicas e parodiadas do cinema, presente no filme Negócio Arriscado. Foi o primeiro passo de Cruise rumo ao estrelato e a consagração de Old Time Rock and Roll como um dos grandes clássicos da carreira do cantor e guitarrista americano.

Há ainda os casos ainda mais obscuros e mais tristes, como o de When I’m Gone. Canção de 1931 (pode acreditar) gravada pelo grupo de folk The Carter Family, que atravessou os anos sendo regravada por diversos artistas até 2009, quando duas meninas (membros da banda Landshapes, na época chamada Lulu and the Lampshades) fizeram um vídeo cantando a música e utilizando copos como percussão.

O sucesso do vídeo culminou na música sendo imortalizada por Anna Kendrick em A Escolha Perfeita. Essa versão virou um grande sucesso e a parte triste da história que eu citei no começo do parágrafo, é pelo fato de que muita gente tem certeza que a música surgiu no filme, muitas outras sabem do vídeo viral de 2009, mas quantas devem saber que essa é uma música de 1931 de um dos grupos de folk mais tradicionais dos EUA? Pois é.

Em terrenos mais mainstream, temos os filmes que ajudam músicas que já eram famosas, a tornarem-se absolutamente imortais. Qualquer um que já assistiu o sensacional Quase Famosos, de Cameron Crowe, só consegue lembrar-se da inesquecível cena dos personagens dentro de um ônibus, sempre que ouve Tiny Dancer, um dos maiores sucessos de Elton John. Nos EUA, Bohemian Rhapsody voltou às paradas dezessete anos após o seu lançamento, graças à sequência em que Wayne (Mike Myers) e Garth (Dana Carvey) cantam o clássico do Queen no carro em Wayne’s World (ou Quanto Mais Idiota Melhor, aqui no Brasil).

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A lista vai longe: tem Scorsese fazendo uma música dos Dropkick Murphys (a viciante I’m Shipping Up to Boston) remeter imediatamente ao filme que lhe rendeu o Oscar (Os Infiltrados), Clube da Luta levando Pixies para o mainstream ao utilizar Where is My Mind? como fechamento do filme (para horror da banda, que sempre quis ficar no circuito alternativo) ou James Cameron aproveitando o lançamento do novo álbum do Guns n’Roses (no caso, o duplo Use Your Illusion)e utilizando uma música dele para a sua nova superprodução, deixando You Could Be Mine marcada como o tema de Exterminador do Futuro 2 (não é minha favorita da banda à toa)

Nem vou citar os filmes de Tarantino porque eles rendem umas trezentas pautas para a coluna. Assim como as séries de TV, que nesse caso eu não comento porque não as abordo por aqui. Mas se fizesse isso, citaria Who Are You?, música de 1978 do The Who que era tão perfeita para CSI que parece ter sido criada pra série ou a trilha sonora inteira de Breaking Bad, cheia de artistas e músicas obscuras que foram trazidas à tona pela série.

Bom, como sempre, tem muito a se dizer e pouco tempo (e espaço) para isso. Semana que vem estreia Capitão América: Guerra Civil então já sabem o que vem por aí não é? A parte 2 do texto de trilhas sonoras de filmes de super-heróis. Até lá!

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