Muita gente torceu o nariz para Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011), dizendo que ele é confuso, que não passa de um emaranhado de imagens sem pé nem cabeça. Em Cannes ele foi criticado por metade da plateia e aplaudido pela outra metade, levando a Palme D’Or e nada no Oscar (2012). Foi assistido várias vezes pelos fãs, e abandonado na metade ou antes por quase a metade do publico (ao menos na sala de cinema aonde eu estava). Porém é preciso deixar claro aqui que, possivelmente, quem não gosto do filme,  não entendeu a sua narrativa. Árvore da vida é um filme para poucos, mas com uma ajudinha dá para entender melhor onde o diretor e suas “imagens sem pé nem cabeça” querem chegar.

Em Árvore da vida temos quatro níveis narrativos temporais, e é de grande ajuda identificá-los, pois o diretor salta repetidamente de um nível ao outro sem aviso, mas sempre para estabelecer conexões poéticas entre esses diferentes níveis narrativos. É nesse momento que a fotografia do filme se faz presente, vindo para contar uma história sob pontos de vistas diferentes. O filme usa a não-linearidade para construir uma estética que  vai além da lógica para nos atingir diretamente na alma.

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Pessoalmente, considero Árvore da vida como uma das grandes obras-primas da história do cinema. É o tipo de filme que te leva para a origem da vida, porém é preciso ter a mente aberta para inúmeras possibilidades de compreensão. Cada imagem com seus detalhes é intencional, a fotografia dita o tempo e espaço de cada situação, ela é a peça chave e aparece mais do que os próprios atores. A imagem é sempre metafórica, não só as coisas que aparecem, mas os diálogos, os eventos, etc (mais uma situação de paciência e análise para o espectador).

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“A Árvore da Vida”   é uma peça de teologia natural, que aponta o sentido divino do mundo para o homem moderno. O filme pergunta e discursa sobre o problema do mal, sobre o bem, sobre a Graça e sobre o destino do mundo, mas o faz transformando em experiência puramente visual. O divino é incessantemente revelado diante do espectador, de forma indireta e sutil, através dessa fotografia tão impecável que a película carrega.

Assim, sugiro àqueles que viram o filme e não o entenderam, ou não gostaram dele, que tentem de novo. Não dá pra assistir  Árvore da Vida só com os olhos. Tem que ser com a alma.