Unbreakable Kimmy Schmidt foi uma das grandes surpresas de 2015 para os amantes da comédia. A série chegou à Netflix em março do ano passado com um material promocional modesto se comparado às grandes produções do serviço, como House of Cards e Demolidor. Porém Kimmy foi ganhando no boca-a-boca o destaque merecido, chegando a ser lembrada nas premiações – Emmy e Globo de Ouro na categoria Comédia. Mas diante dessa segunda temporada, precisamos perguntar o que torna a série tão especial?

Unbreakable é ousada, mas não é exatamente uma série adulta, apresenta um humor sagaz, mas não incomoda ninguém no sentido moral da coisa e diverte muito o espectador que está disposto a aceitar suas piadas de referência. É uma série de comédia, mas apresenta um humor diferente, sobretudo do que estamos acostumados a ver nas séries do Chuck Lorre, Two and Half Men e The Big Bang Theory.

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A história conta sobre um grupo de 4 mulheres que passaram 15 anos em um bunker de um religioso fanático que dizia que ter acontecido um apocalipse, o que dá uma denotação dramática e faria todo o sentido, porém a série brinca com o fato de muita coisa ter evoluído neste tempo, sobretudo a tecnologia: há 15 anos os celulares eram maiores e eram menos populares, não existia internet banda larga e as redes sociais ainda não viam a luz do dia.

A protagonista é a Kimmy Schmidt do título, vivida pela irresistível Ellie Kemper, decide ir para Nova York e refazer sua vida após ser resgatada do bunker. Lá ela acaba indo morar no subúrbio com Titus andromeda, interpretado pelo ótimo Tituss Burgess, um sujeito falastrão e que sonha em se tornar uma estrela. Kimmy arranja emprego de babá na casa de Jaqueline (Jane Krakowski) e a primeira temporada acaba focando nessa adaptação aos novos tempos e recuperação o tempo perdido da personagem.

A segunda temporada mantem muito desses elementos, mas explora mais o arco dos personagens coadjuvantes apresentados anteriormente dando mais envolvimento emocional à eles, sobretudo Titus e Jaqueline, que logo no início desse segundo arco de episódios são confrontados com seus passados. Kimmy também confronta com alguns fantasmas do passado, de antes dos eventos do bunker e descobrimos mais sobre a sua família e fica claro que existem mais problemas ligados ao seu passado para se descobrir na 3ª temporada, que já foi encomendada.

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Se no ano anterior Kimmy era uma garota em um mundo de descobertas, aqui ela já é uma pessoa quase consolidada e adaptada na atualidade, ficando claro seu perfil psicológico: uma pessoa que coloca a vontade do outro em detrimento da sua, seja com Titus, Jaqueline, Lilian (senhoria do apertamento onde vive com Titus) ou de Pal (seu affair na temporada passada).

A intenção da série é justamente a de mostrar uma protagonista com o perfil de uma heroína, que não apresenta maldade e jamais perde a esperança. Não é exagero nenhum compará-la a Jesus Cristo da vida real. Os méritos de tudo isso são do roteiro, mas também são da atriz, Ellie Kemper. Ela transmite o sentimento de inocência e empatia que a personagem exige em grandes momentos e se vierem os prêmios para a atriz na categoria comédia nas premiações, estará em boas mãos. Aliás, Unbreakable Kimmy Schmidt também merece indicações para a série e para os coadjuvantes, Tituss Burgess e Jane Krakowski, mas os melhores momentos desta temporada são os protagonizados por Tina Fey.

Tina já havia aparecido na 1ª temporada como advogada atrapalhada e aqui aparece na segunda metade da temporada, também atrapalhada, incrivelmente hilária e totalmente “fora da caixa” em diálogos sem a preocupação do “politicamente correto” – e que lembram muito Tom Cruise em Trovão Tropical. Se Tina Fey não for ao menos indicada para Atriz Coadjuvante por esta temporada, não há justiça neste mundo. E se a série mantiver essa linha, de apresentá-la em personagens diferentes a cada temporada, será uma experiência interessante.

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Após o sucesso da primeira temporada, a produção claramente aumentou algumas participações especiais: Jeff Goldblum, Anna Camp (a Sarah de True Blood), Ice-T, Lisa Kudrow e Jon Hamm ataca novamente! O roteiro está repleto de referências da cultura pop como Armageddon, Interestelar e uma piada esperta com Dawson’s Creek.

Unbreakable Kimmy Schmidt pode não ser perfeita, talvez por se arrastar demais em alguns momentos e não existir a diferença de ser consumida no formato binge watching ou a cada episódio separadamente. Porém por ser uma série cheia de referências pop/nerds, com brincadeiras com viagens no tempo e com personagens irresistíveis, merece ser apreciada pelo grande público que gosta de uma boa comédia como Friends e Seinfeld. Só nos resta agradecer à quem possibilitou sua existência. Obrigado, Tina Fey. Obrigado, Netflix!
Nota: 9,0