Há 516 anos o Brasil era “descoberto” pelos portugueses, mas parece que até hoje muita gente ainda não descobriu que existe vida inteligente no nosso cinema. Muitos acham que os filmes nacionais se resumem a comédias românticas genéricas…. nada contra elas, esse tipo de filme tem um público e variedade de opções é sempre bom.

E é exatamente isso que irei mostrar aqui. Vi 9 filmes nacionais no cinema este ano e são longas (uns bons, outros nem tanto) bem variados. Já vou tirar o trem da reta: não vi Os Dez Mandamentos. Mas o Raphael Pessoa conferiu e vocês podem ler o texto dele.

Confiram também as animações de 2016 e Os 10 Melhores filmes do ano (até agora).

Vamos aos longas nacionais:

1- O MENINO E O MUNDO:

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o filme foi lançado originalmente em 2014, mas ficou em cartaz novamente este ano por um motivo muito especial: a indicação ao Oscar de melhor animação. Infelizmente o filme do Ale Abreu não levou, mas o longa tem muitas qualidades. Apesar de funcionar para as crianças, devido ao visual, o foco aqui é uma crítica ao jeito moderno de viver. Por falar no visual, temos cenários incríveis, cada local um mundo à parte… e tudo feito com lápis de cor, giz de cera, ou seja é tudo “tosco”, mas incrivelmente belo. A história é singela, emocionante e um recorte de parte do povo brasileiro, sob a ótica de um menino.

2- REZA A LENDA:

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Um filme de ação intensa, uma trama bem bolada e uma parte técnica eficiente. Reza a Lenda foi vendido como “Mad Max” brasileiro. Isso é uma sacanagem, tanto com o Mad Max, quanto com o Reza a Lenda. Tirando essa comparação meio besta, temos aqui uma trilha e fotografia muito boas. O roteiro falha muito é verdade, mas achei uma tentativa válida.

3- CHICO – O ARTISTA BRASILEIRO:

Chico Buarque

Um dos maiores cantores nacionais contou a própria história, pessoal e musical, em um documentário bem divertido. O roteiro foi pensando quase em forma de narrativa ficcional (tanto que tem um certo plot no final que é surpreendente). No filme, Chico fala sobre o processo de criação, como ele encara a própria obra e sobre as relações dele com amigos, companheiros e esposas. Tudo recheado, é claro, de muita música (com participações especiais de grandes nomes do cenário musical do Brasil).

4 – BOI NEON:

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Boi Neon passou batido por muita gente, uma pena. Mas você leitor do Acabou de Acabar pode ler sobre ele aqui no site. Sem dúvidas uma pérola do nosso cinema, o filme traz uma história simples e com uma abordagem cotidiana. Mas vem para quebrar esteriótipos e nos fazer pensar. O próprio título é bem inusitado e já dá o tom aqui. Vale muito a pena conferir.

5- MEU AMIGO HINDU:

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Você  talvez não conheça Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (sexta maior bilheteria de um filme nacional), O Beijo da Mulher Aranha (4 indicações ao Oscar e 1 prêmio), mas com certeza se lembra de Carandiru. Pois é todos esses longas foram dirigidos por Hector Babenco, um argentino naturalizado brasileiro. E Meu Amigo Hindu é uma auto biografia completamente peculiar desse controverso diretor. Quem faz o papel de Babenco é o astro internacional Willem Dafoe (os demais atores são brasileiros). Em uma pegada quase psicodélica e com um humor mordaz, Meu Amigo Hindu não deve agradar a todos, mas quem comprar a ideia irá se divertir bastante.

6- MUNDO CÃO:

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Mundo Cão nos traz um bom elenco ( Lázaro Ramos, Adriana Esteves, Babu Santana, Milhem Cortaz e Paulinho Serra), um roteiro que oscila e uma direção que falha. O longa tem altos e baixos, mas uma história que nos prende, diverte e até emociona. Quem gosta de reviravoltas vai curtir muito essa trama envolvendo um funcionário da zoonose e um ex-policial corrupto.

7- ZOOM:

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Coprodução Canadá-Brasil, Zoom conta com três histórias que se entrelaçam de um modo bem peculiar. Um escrita que escreve sobre uma quadrinista que desenha um diretor que dirige um filme sobre a escritora. O longa é sem dúvidas criativo e muito bem editado, de forma a tornar essas histórias sólidas. Mariana Ximenes é a protagonista de uma das histórias e parte do longa é animado em rotoscopia, o que torna tudo bem inusitado. Pedro Morelli brincou com vários estilos e podemos dizer que foi bem sucedido.

8- O ESCARAVELHO DO DIABO:

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Fazer uma adaptação de uma obra clássica às vezes é mexer em um vespeiro complicado. Durante décadas a coleção vaga-lume publicou um livro que marcou gerações: O Escaravelho do Diabo. A versão para as telonas, mesmo com uma mudança sensível no texto, manteve uma boa história. Mas o diretor Carlo Milani (que dirigiu Malhação) falha muito na abordagem estilizada do vilão e principalmente na condução dos atores.

9- EM NOME DA LEI:

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Corrupção, contrabando e justiça são temas sempre pertinentes. Em Nome da Lei traz um juiz (Mateus Solano) que tenta fazer uma faxina em uma região dominada por um cartel comandado pelo “El Hombre” Gomez (Chico Diaz). Para isso ele contra com o apoio de uma promotora e de um delegado, vividos pela Paola Oliveira e pelo Eduardo Galvão. A história até flui bem e tem alguns momentos interessantes (principalmente quando o Chico Diaz está em tela), mas o roteiro é bem clichê e deixa um tanto a desejar.

O cinema do Brasil tem crescido e se diversificado. Como vocês viram na lista, tem filme bom, filme mais ou menos e, como em qualquer outro país, filmes ruins. Não torça o nariz de cara ao ver que o longa é BR e também não amenize nas críticas só por patriotismo. É produzindo, apanhando e aprendendo que o nosso cinema vai se fortalecer…. claro que a resposta é mais complexa que essa, mas isso é assunto para um outro momento. 

E vocês, que filmes nacionais viram neste começo de ano? Se interessaram pelos da lista? Tem algum que vai estrear que te chamou a atenção? Deixem aí nos comentários…