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Em meio ao hype de Batman vs Superman, há um mês (meu Deus, para onde foi o tempo), falei um pouco sobre temas de adaptações de quadrinhos e como acabei falando mais dos heróis da DC, prometi que rolaria uma segunda parte desse assunto num momento propicio (por isso mesmo, caso não tenha lido “A música define o herói – Parte 1”, vale a pena dar uma conferida, porque o texto a seguir é uma continuação do assunto). Pois bem, estamos a alguns dias de outra grande estreia de 2016, Capitão América: Guerra Civil, e creio que não exista momento melhor para falar da música nos filmes da Marvel do que agora não é?

Na eterna batalha entre Marvel e DC, o primeiro estúdio pode até ter conseguido se estabelecer no cinema mais rápido que o segundo (além de ter alcançado êxito mais vezes), mas em termos de trilha sonora, a Casa das Ideias leva uma surra violenta da concorrência, tanto que cheguei a pensar se comentar as trilhas dos filmes do estúdio dos Vingadores renderia um texto inteiro.

Apesar da quantidade, os heróis da Marvel, com algumas poucas exceções (e são essas que serão analisadas aqui), possuem poucos temas memoráveis, sejam eles do Marvel Cinematic Universe, da Fox ou da Sony (e pensar que na prática, a DC só tem o Batman e o Superman no cinema e eles sozinhos tem temas melhores que a concorrência é bem deprimente).

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Mas chega de reclamar, vamos relembrar dos poucos grandes temas de personagens da Marvel, começando pelos super-heróis que fizeram Hollywood acreditar no potencial das adaptações de quadrinhos novamente, os X-Men. Apesar do primeiro filme contar com uma trilha sonora competente de Michael Kamen, foi só em X-Men 2 que os mutantes ganharam um tema para chamar de seu (o excelente Suite from X2).

Composto por John Ottman, ele é o contraste perfeito com o que era o tema definitivo do time até então, a música da animação dos anos 90, composta por Ron Wasserman (que era excelente, mas só funcionava naquela época mesmo, diferente do que muitos fãs acham). O tema de Ottman é intenso, épico, e evoca drama e ação na mesma medida, definindo perfeitamente o universo dos X-Men apresentado por Bryan Singer no cinema. Não à toa, quando ele toca em Dias de um Futuro Esquecido, chega a dar um sentimento nostálgico.

Menos dramático, mais heroico e ainda mais marcante é o tema de Danny Elfman para o Homem-Aranha, na trilogia comandada por Sam Raimi entre 2002 e 2007. Elogiar Elfman é chover no molhado (até porque eu já fiz isso na primeira parte desse texto, quando comentei sobre a trilha do Batman de 1989), mas como um fã do Aranha, é difícil não ficar encantado com o trabalho dele aqui.

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A música começa simples e bem lenta, com aquele sentimento de descoberta (como no tema do Homem de Aço, de Hans Zimmer, que também comentei na primeira parte), um jovem percebendo que há algo diferente com ele, descobrindo novas habilidades. A introdução vai crescendo cada vez mais, apontando algo novo que está prestes a chegar e quando a música finalmente se estabelece (nos créditos iniciais, acontece no exato momento em que o nome do filme aparece na tela), transforma-se em um tema heroico, cheio de aventura e com os tons de fantasia inconfundíveis de todo trabalho de Elfman. Ele termina com uma nota de seriedade, como se evocasse a parte trágica que marca o Homem-Aranha desde o começo da sua história, lembrando, assim como nos quadrinhos e nos filmes de Raimi, que por trás do heroísmo, da aventura e do humor, está um jovem que carrega um arrependimento do qual jamais irá se livrar. A mesma estrutura foi utilizada para o tema do Hulk de Ang Lee, também composto por Elfman.

Pulando para o Marvel Cinematic Universe, sobra pouco para comentar. O Homem de Ferro só foi ganhar um tema orquestrado decente no seu terceiro filme (ironicamente, o único em que Tony Stark não se dá ao trabalho de colocar a armadura). Apesar de ser muito bom, te desafio a cantarolá-lo agora sem clicar no link acima. Por isso mesmo, considero Shoot to Thrill do AC/DC o tema oficial do personagem (e convenhamos que não tem como competir com isso).

Seu rival na Guerra Civil, o Capitão América, tem dois temas excelentes, o de O Primeiro Vingador é uma marcha pomposa, feita para um autêntico herói de guerra, enquanto o de O Soldado Invernal começa lembrando vagamente o primeiro até mergulhar numa melodia tensa e envolvente, típica de filmes de espionagem. Ou seja, perfeita para o filme. Mas novamente, nenhum dos dois passam perto de serem temas lembrados pelo público.  Guardiões da Galáxia tem uma excepcional trilha incidental composta por Tyler Bates, mas como eu disse na semana passada, foi Hooked on a Feeling que se popularizou como o tema deles. E só para constar, eu não me lembro de meia nota das trilhas sonoras de Thor (dos dois), de Incrível Hulk e muito menos de Homem-Formiga.

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Quem salva e quase compensa essa falta de boas trilhas no MCU é o motivo desse universo todo estar sendo montado: os Vingadores. A trilha sonora composta por Alan Silvestri para o filme de 2012 possui um tema absolutamente espetacular do início ao fim, não só para o time de heróis, como para todo o Universo Marvel nos cinemas. O heroísmo com leves tons de inocência dos filmes do estúdio e a necessidade de provar que estamos vendo algo especial estão ali, além do mais importante, que é toda a grandiosidade que os Vingadores merecem. Não é a toa que, não importa quantas vezes eu assista o filme, ainda me arrepio na sua cena-chave, quando o Hulk aparece, o time se completa, a câmera gira para mostrar todos eles e o tema explode nas caixas de som.

A trilha de Capitão América: Guerra Civil será composta por Henry Jackman, o responsável pela música do segundo filme. Ele fez um trabalho excelente ali, que não é reconhecido como deveria. Fica a torcida para que dessa vez ele faça algo ainda melhor, para que a gente saia cantarolando o tema do filme por semanas. Veremos na quinta e, enquanto isso, eu vou pensando na coluna da semana que vem. Até lá!

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