Em 2012 Branca de Neve e o Caçador, mas a produção dividiu o público e a crítica, sobretudo pela presença da insossa Kristen Stewart como a Branca de Neve. Como o estúdio queria continuar e transformar a história em uma franquia, não pensaram duas vezes e tiraram o elemento mais fraco do filme anterior (a própria Branca de Neve) para dar continuidade a história. Sem Branca de Neve e sem Kristen Stewart nasceu O Caçador e a Rainha do Gelo.

A história do filme  se passa antes e depois dos acontecimentos de Branca de Neve e o Caçador. Logo no início o espectador é apresentado a relação entre as irmãs Ravenna (Charlize Theron), a “malvada” e Freya (Emily Blunt), a “boazinha”, onde um trauma amoroso – muito mal explicado pelo roteiro – faz com que Freya se torne uma pessoa fria (literalmente!), que não acredita mais no amor e não permite que ninguém ao seu redor se apaixone. Ela separa as crianças de seus pais e os transformam em soldados – basicamente, uma versão mais pobre de Beastsof no Nation, mas duas crianças em especial se destacam no meio de milhares e se tornam os favoritos de Freya.

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As crianças são Eric (Chris Hemsworth, com uma grande força e Sara (Jessica Chastain), que jamais erra uma pontaria, porém os  se apaixonam e quando Freya os descobre, resolve separa-los. É durante essa separação que os acontecimentos de Branca de Neve e o Caçador ocorrem, para logo depois o filme dá um salto de 7 anos e mostrar o que houve depois de tudo…

O Caçador e a Rainha do Gelo é melhor do que o filme anterior, sobretudo pela escolha do elenco. Emily Blunt faz uma vilã competente e, embora suas motivações não sejam tão bem exploradas no filme, ela convence como atriz trazendo um teor de ameaça como uma boa uma vilã de conto de fadas. Jessica Chastain se sai melhor como Sara, tendo os melhores momentos do longa, seja no primeiro ato durante seu relacionamento com Eric ou na segunda metade do filme, na qual mostra a personagem como uma mulher forte e vai de encontro as discussões atuais de feminismo.

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Há um plot twist interessante entre as duas metades do filme no relacionamento entre Sara e Eric que nem mesmo os mais ligados vão perceber, mas o problema de O Caçador e a Rainha do Gelo é justamente a dependência do filme de 2012, que é citado várias vezes e o máximo de Branca de Neve que temos é uma rápida aparição de costas de uma dublê – um flashback, mesmo com Kristen Stewart, faria muito mais sentido.

O salto de tempo junto com uma narração em off foi um recurso muito fácil e preguiçoso do roteiro. Culpa tanto da dupla fraca de roteiristas, Craig Mazin e Evan Spiliotopoulos, quanto do estúdio e da produção, que exigiram essas ligações com o filme anterior para dar a plateia desavisada um lembrete constante de que se trata de uma “história da Branca de Neve sem a Branca de Neve”.

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Embora  Jessica Chastain seja a melhor personagem daqui, foi bom ter visto Charlize Theron após sua Imperatriz Furiosa de Mad Max e se divertindo no papel. Ela só voltou ao papel de Ravenna após o escândalo dos e-mails vazados da Sony, onde um dos e-mails dizia que Charlize receberia um cachê menor do que o de Chris Hemsworth, sendo que o retorno ao papel aconteceu justamente porque no final ela acabou recebendo o mesmo cachê de seu colega: 10 milhões de dólares.

Ainda é cedo para dizer se O Caçador e a Rainha do Gelo será um sucesso ou não de bilheteria – ele estreou no meio de Mogli, Rua Cloverfield, Batman vs Superman e uma semana antes de Guerra Civil.
Nota: 7,0