Vince Gilligan, produtor e idealizador de Breaking Bad ainda queria explorar o universo criado pela aclamada série, mas em uma produção nova, mostrando como era a vida de um dos personagens antes dos acontecimentos de Walter White, Jesse e companhia. Better Call Saul, que narra a história do advogado Saul Goodman antes dele conhecer Walter White, foi o resultado dessa necessidade, porém a ideia não foi recebida com bons olhos à primeira vista. Saul era coadjuvante em Breaking Bad e funcionava como um alívio cômico em uma série tensa e os questionamentos levantados poderiam se resumir em apenas uma pergunta: Bob Odenkirk – ator que interpreta Saul – conseguiria segurar uma série nas costas? Sabendo que levaria o peso de estar protagonizando algo que é a continuação de Breaking Bad?

A boa notícia é que a resposta é sim: Better Call Saul é uma grande série, independente de carregar o legado de Breaking Bad. Ela funciona tanto para quem viu ou para quem não viu a série do Walter White, tendo duas temporadas – coma terceira já foi confirmada –  e no ano passado esteve no Emmy indicada para Melhor Série Dramática. E para quem tinha dúvida sobre Bob Odenkirk, ele também foi indicado a Melhor Ator Dramático pelo papel.

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A primeira temporada foi excelente, cômica e dramática na medida certa, com alguns elementos de Breaking Bad, mas em momento algum tentou copiar a fórmula ou forçar o público a se lembrar de Breaking Bad. Na verdade, Better Call Saul apresenta tantas tramas interessantes que a ansiedade de quem vê a série de início, que é aguardar o momento de quando o protagonista vira o Saul Goodman, acaba se transformando em algo secundário.

No início Saul Goodman ainda atende pelo seu nome real, Jimmy McGill, e é um personagem à ser descoberto. Conforme sua vida é revelada, melhor o personagem fica, sobretudo por alguns flashbacks de sua infância, adolescência e até vida adulta, antes de virar advogado. E enquanto a primeira temporada focava em Jimmy e nele se livrando dos problemas das formas mais absurdas possíveis, na segunda temporada vemos um advogado muito mais maduro, mas ainda em ascensão.

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A 2ª temporada também explora personagens que foram secundários e agora são tão ou mais importantes do que o próprio Saul. Neste quesito quem se dá melhor e a personagem Kim, que na primeira temporada era apenas uma amiga que conversava esporadicamente e fumava às escondidas com Jimmy. Já aqui há uma tensão sexual entre os dois e estão muito mais unidos.

Por ironia do destino, quem não acompanhou a evolução da temporada foi justamente o Mike. Com uma trama tensa, muito parecida com a de BreakingBad de início, envolvendo ele e Nacho, mas que quase se torna interrupção da trama principal em um determinado momento.

Em uma entrevista, Vince Gilligan disse que não tem pressa nenhuma no momento em que Jimmy vira Saul e não deu sinal de quando isso iria acontecer e no que depender dessa temporada, ainda vai demorar a chegar este momento, e, por enquanto, isso é o que menos importa.

A série mesma terminou de forma aberta para a 3ª temporada, e todo o arco de Jimmy, Kim e Chuck ainda tem muito lenha para queimar. E embora essa temporada não tenha sido tão brilhante quanto a passada, a terceira pode cobrir algumas falhas dessa e mostrar uma história de direito, crime, conspiração e corrupção. Isso sem a ajuda de Walter White.
Nota: 8,0