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No último dia 20 de abril, foi oficializado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que a nota de U$20 passará a mostrar um retrato de Harriet Tubman no lugar do ex-presidente Andrew Jackson. Por ser uma importante notícia relacionada à maior potência econômica do mundo, é claro que os veículos de notícia brasileiros reportaram essa história. A questão é que muita gente (eu, inclusive), ao ouvir a novidade, provavelmente se pegou perguntando “Legal! Mas…quem é essa mulher?”

Decidido a entender melhor o porquê de Tubman ser tão importante a ponto de ganhar uma nota em sua homenagem, dei uma pesquisada sobre a vida dela. E quando fiz isso, uma das primeiras coisas que me veio à mente foi: “Como assim ainda não fizeram um filme sobre a vida dessa mulher?!”. Porque quando se vê a trajetória de Tubman, percebe-se que a história dela parece pronta para virar um drama histórico (até mesmo no estilo que a premiação do Oscar gosta).

Tubman 1

Se a gente fosse olhar a vida de Tubman sob uma perspectiva cinematográfica, daria para identificar três arcos narrativos muito ricos e interessantes. O primeiro deles é referente aos primeiros anos de vida de Tubman, quando ela era uma escrava. Tendo servido em uma plantação, foi vítima de diversos abusos físicos e viu os pais sofrerem. Quando tinha 27 anos, ela conseguiu fugir e foi para o norte dos Estados Unidos.

Só esses anos de sofrimento como escrava já renderiam momentos dramáticos o suficiente para um filme. A jornada de uma protagonista nascida na escravidão, que passa anos sofrendo abuso e que finalmente consegue se libertar é uma trajetória que poderia dar origem a cenas emocionantes, alternando entre momentos tristes e momentos de suspense (imagina só a tensão de uma cena da fuga de Tubman, por exemplo).

Tubman 4

O segundo arco narrativo que um filme sobre ela poderia ter seria referente aos anos em que Tubman trabalhou para libertar outros escravos. Após ter conquistado a própria liberdade, Tubman não se deu por satisfeita e voltou a sua terra natal para atuar nas chamadas Rotas Subterrâneas: um conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados para libertar escravos. Assim, ela liderou diversas missões e conseguiu libertar entre 60 e 70 pessoas, entre amigos, familiares e desconhecidos, sem nunca deixar uma delas sequer para trás. A eficiência de Tubman era tão grande que ela ficou conhecida como “a condutora mais hábil das Rotas Subterrâneas”.

Caso fosse levada para as telonas, essa parte da vida de Tubman poderia dar origem a cenas memoráveis também. Se o primeiro arco tem uma forte carga dramática de sofrimento, esse segundo arco poderia trazer um lado com mais ação e suspense, focada nas missões lideradas por Tubman para libertar escravos.

E, por último, há o terceiro grande arco narrativo da vida dela: quando ela atuou como espiã durante a Guerra Civil (1861-1864), infiltrando-se em plantações, fingindo ser uma escrava e ajudando os demais a escapar. Se quiser uma ilustração desse período da vida dela, o canal Comedy Central fez esse vídeo (hilário, a propósito) explicando como ela atuou como espiã.

Tendo sido capaz de realizar tantos atos corajosos e que ajudaram a libertar dezenas de escravos nos Estados Unidos, dá pra perceber que Harriet Tubman seria uma personagem fascinante de se ver nas telas de cinema. Imagina só como seria assistir às cenas de sofrimento, revolta, fuga, resgate e, ainda por cima, espionagem no contexto da Guerra Civil. Seria não apenas uma história de grande apelo, mas também uma bela oportunidade para uma atriz negra demonstrar um trabalho de atuação de enorme força.

E não dá nem pra usar a desculpa de que histórias sobre a escravidão nos Estados Unidos não têm popularidade. De cabeça, já é possível citar dois exemplos recentes de grande sucesso de público e de crítica: Django Livre e Doze Anos de Escravidão.

Tubman 2

Então cadê Harriet Tubman nas telas?

Apesar de não ter tido um filme de grande destaque e circulação internacional dedicado a ela, Harriet Tubman já teve algumas aparições na televisão e no cinema também.

Na TV, ela já foi assunto de alguns programas sobre história americana, foi personagem secundária de alguns filmes feitos para televisão e esteve em uma minissérie. Já no cinema, a única vez que ela foi representada em um filme de grande orçamento feito por Hollywood foi em…Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros.

Tubman Abraham Lincoln

Mas acontece que já tem um grande projeto em desenvolvimento para contar a vida de Tubman. Um filme sobre a trajetória dela está em desenvolvimento pela HBO e Harriet Tubman será interpretada por Viola Davis, duas vezes indicada ao Oscar e estrela principal do extremamente popular How To Get Away With Murder.

Ainda não é um filme que vai passar nos cinemas do mundo todo e concorrer ao Oscar, mas já é uma ótima oportunidade para retratar a vida de Tubman. E agora que a ativista estará nas notas de U$20, suspeito que não deve demorar muito para que Hollywood decida fazer sua própria versão da trajetória dessa figura tão importante na história dos Estados Unidos.

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