Olá, leitores

A coluna Outro Foco inicia hoje, 22 de abril de 2016, e tem o objetivo de apresentar filmes fora do circuito hollywoodiano. Quinzenalmente, traremos uma lista de três filmes com as características diversas (baixo orçamento, gênero, país…) e você tem todo direito de opinar e dar sugestões aí nos comentários. Para iniciar, a lista de hoje é composta por três produções indianas.

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Dostana

Dostana (homônimo em português) é uma comédia romântica musical dirigida por Tarun Mansukhani e conta a história de Sameer (Abhishek Bachchan) e Kunal (John Abraham), enfermeiro e fotógrafo, respectivamente. Eles se conhecem ao buscar aluguel do mesmo quarto de apartamento, mas são rejeitados pela dona que quer locar apenas para mulheres alegando questões de segurança, já que os novos inquilinos dividiriam o espaço com sua sobrinha Neha (Priyanka Chopra). Após conversar, os dois têm a ideia de fingir que são um casal gay e acabam ficando com o local.

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Este é um filme que vale a pena assistir por diversos motivos: a energia e animação indiana contagiam e, quando você menos esperar, pode estar se mexendo na cadeira ou no sofá ao som das músicas; os personagens são caricatos, divertidos e chamam atenção para si, além de ser hilário ver os protagonistas passando-se por gays [sobretudo quando se percebem apaixonados por Neha]. Dostana é, acima de tudo, é um filme que fala sobre amizade – aliás, dostana é a tradução do hindi para amigável – e isso fica evidenciado em diversos momentos. Ou seja, esta é uma boa indicação para quando você achar que o dia está ruim ou uma risada for necessária.

Dostana é vencedor dos prêmios de melhor coreografia pela música “Desi Girl” e melhor performance em filme de comédia. Além de ser indicado a outras dez categorias.

Black

Black (homônimo em português) é um drama do diretor Sanjay Leela Bhansali e conta a história de Michelle (Rani Mukerji) uma menina que ficou surda-muda e cega pouco tempo depois de nascer e, por preocupação e desconhecimento dos pais, Paul (Dhritiman Chatterjee) e Catherine (Shernaz Patel) cresce em total isolamento, tornando-se uma criança volátil e agressiva.

Michelle é tratada praticamente como um animal e vive presa em casa, pois seus pais não sabem como trata-la. As coisas começam a mudar para ela apenas quando o professor Debraj (Amitabh Bachchan) passa a instruí-la como viver em um mundo completamente desconhecido. Por meio de seu professor, ela supera sua deficiência, aprende a se comunicar e caminha para um novo caminho, mas sua história com ele vai muito além disso.

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A produção, baseada na vida da escritora americana Helen Kellerprimeira mulher surda-muda e cega a adquirir um bacharelado – é excelente e nela pode-se ver as dificuldades de crescimento e socialização de uma pessoa com deficiência. Michelle sofre com as peças que lhe pregam, com o descontrole de seu pai e com a angústia de viver em completa escuridão. A relação com seu tutor também recebe destaque, sobretudo após o diagnóstico de Alzheimer, quando os papeis se invertem e ela passa a ensinar as coisas a ele.

Black é um filme sobre perseverança e superação. É sobre como, mesmo em meio a tantas dificuldades, Michelle conseguiu vencer e adquirir seu diploma; sobre como o incentivo de Debraj foi essencial para que ela crescesse em um universo completamente desconhecido e é também um filme sobre amizade e confiança.

A produção é vencedora de 28 prêmios, dentre eles, melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e foi indicado a outros três prêmios. É uma boa sugestão de drama onde o mundo do outro é exposto de uma forma tocante e sensível. Cuidado, pois você pode chorar.

Taare Zameen Par

Taare Zameen Par [2007] (Como estrelas na terra toda criança é especial, em português) é um drama do diretor Aamir Khan e conta a história de Ishaan (Darsheel Safary), um garoto disléxico de oito anos que é tido como aéreo, problemático e preguiçoso. É constantemente expulso de sala, desatento e busca fugir das situações desconfortáveis por meio de expressões artísticas. Ele vive com os pais Nandkshore (Vipin Sharma) e Maya (Tisca Chopra) e o irmão Yohan (Sachet Engineer).

Ishaan é um excelente artista, mas nenhuma de suas competências parecem ser insuficientes para seu pai, que clama por notas altas, disciplina, títulos e metas. Quando percebe que o rendimento do menino continua em declínio, o pai o encaminha para um colégio interno onde ele será disciplinado. Sozinho e isolando-se cada vez mais, o garoto sofre com a separação de sua família e para completamente de expressar seus sentimentos por meio da arte até ser ajudado pelo professor substituto de artes Ram Nikumbh (Aamir Khan).

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A produção é extremamente tocante. Nela podemos ver as diversas nuances de Ishaan passando seu processo criativo até a expressão de sentimentos. Pode-se ver como ele sofre com a separação da família, como se retrai ainda mais em uma escola que o disciplina de maneira a bloquear sua única fuga dos problemas e como cresce ao perceber que não está sozinho. O filme trata, ainda, de temas como bullying e as deficiências escolares. Os vários professores do colégio promovem ações que restringem a educação e bloqueiam o processo criativo infantil. Em determinado momento, em uma conversa entre os docentes, um deles chega a ser comparado com Hitler.

Apesar de toda carga emocional, o filme tem seus momentos divertidos e é possível que você se perceba alternando entre choro e riso, ainda que de leve.  Ganhador de 13 prêmios, dentre eles, melhor filme, melhor diretor, melhor história, melhor criança artista e melhor diálogo, Taare Zameen Par foi indicado para outras 15 categorias. Vale lembrar que um trecho deste filme está contido em uma das cenas de Dostana.

Gostou das indicações? Já viu algum destes? Conte-nos o que achou aí nos comentários e, caso queira fazer sugestões de outros filmes indianos, fique à vontade.