Escolha uma Página

A Marvel aprendeu muito com os erros de Vingadores – A Era de Ultron. Não que que tenha sido um filme ruim, pelo contrário. O problema é que naquela ocasião os trailers e materiais promocionais entregaram partes importantes do filme que poderiam criar uma experiência mais marcante nos espectadores. Agora, no mais novo Capitão América – Guerra Civil, os trailers não entregaram nem 5% do que é visto em tela. E a experiência do espectador ficou intacta.

Todos nós sabíamos que haveria uma divisão dos heróis, assim como já esperávamos Homem-Aranha e Pantera Negra sendo apresentados, porém o mais interessante, que não foi explanado de forma aberta pelos trailers, era saber as motivações de cada personagem – e cada uma é importantíssima – e o porquê de cada um escolher seu lado. Essa parte, a trama em si, foi o maior atrativo do filme.

some-concerns-i-have-about-captain-america-civil-war-832293

Sem entrar no mérito de qual é o lado certo ou errado, ou se é a favor ou não do registro de heróis, o roteiro de Capitão América – Guerra Civil não foi tendencioso e o público conseguiu entender bem os dois lados. O filme não se trata apenas de heróis em guerra, há muita profundidade na história , mostrando um lado muito mais político e sério do que os demais filmes do Universo Marvel.

Mas não se engane, Capitão América – Guerra Civil não é um filme sombrio. A platéia se diverte muito, os momentos cômicos são propostos como um complemento do roteiro, ao invés de colocarem uma piada aqui e ali para preencher espaço. É o filme mais bem amarrado dentro das tramas que a Marvel tem apresentado nas telas, sobretudo porque finalmente vemos as conseqüências das destruições dos filmes anteriores, seja a batalha de Nova York do primeiro Vingadores ou a luta em Washington em Capitão América 2– Soldado Invernal.

A grande motivação para a história de Guerra ívil é a criação do registro dos heróis, um acordo entre o governo e a ONU onde é sugerida a criação de um registro com as informações principais de cada herói conhecido, visando a facilitação para identificar quem é responsável pelas bagunças que tem acontecido dentro do Universo Marvel.  O impulso para essa ideia de registro dos heróis  é a batalha de Sokovia, que acontece durante Era de Ultron, e deixa milhares de pessoas feridas e uma tremenda destruição.

Os heróis se dividem em relação ao registro, uns apoiam a ideia, enquanto outros acreditam que ela seja nociva para os próprios heróis. O que leva Tony Stark a apoiar o registro de heróis promovido pelo governo é justamente o peso na consciência. As conseqüências do que acontece em Sokovia, o levaram a vestir a armadura de Homem de Ferro e convencer a todos de que o acordo com o governo e a ONU é a melhor solução. Já o Capitão América enxerga o registro como forma de controle dos heróis, além de também ter uma motivação pessoal: defender seu amigo de infância, Bucky, conhecido como Soldado Invernal, que acaba se tornando responsável por um atentado e precisa ter sua inocência comprovada.

maxresdefault

Os dois personagens novos apresentados em Capitão América – Guerra Civil são: Homem-Aranha e o Pantera Negra. E quem acha que apresentar o “amigão da vizinhança” era uma tarefa fácil, já que houveram 5 filmes dedicados a ele, está enganado. Mudar a perspectiva de um personagem tão querido e colocá-lo junto com esse universo consolidado era algo que os fãs de quadrinhos há muito queriam ver, e o resultado é um grande espetáculo de ação e deleite para os fãs do herói que estão órfãos de um filme bacana com ele. Por outro lado, o estreante Pantera Negra é o personagem mais dramático do filme. Ele é o que mais se aproxima do “sombrio”, tendo suas motivações na escolha de lado na guerra mais pessoais do que políticas.

O Pantera vai ganhar um filme solo em 2018, mas sua apresentação não necessitou de uma história de origem. Ficou claro quem é o personagem e sua terra natal, tudo ficou explicado sem interromper a evolução da história e em pouco tempo de tela. Tudo isso é muito mérito do roteiro e também do ator, Chadwick Boseman, que transmite a imponência que o personagem vai precisar para seu filme e o diferencial dramático que seu arco teve ao longo do filme.

18-civil-war-trailer-stills-feature-spider-man-bla_d7k7.640

Muitos dizem que o ponto fraco do filme é o vilão Zemo. As comparações com Lex Luthor mais recente dos cinemas são inevitáveis, justamente porque, assim como em Batman Vs. Superman, a guerra entre os heróis começa por causa da presença e influência do vilão. São críticas válidas, mas ao mesmo tempo podemos considerar que a melhor solução para o filme cheio de heróis poderosos foi justamente a presença de um vilão mais estrategista do que super poderoso. O Zemo de Daniel Brühl dificilmente estará nos melhores vilões dos quadrinhos no cinema, mas não deve ser ignorado.

E por falar em super poderes: as cenas de ação são as melhores do Universo Marvel, sobretudo quando a seqüência é mais braçais e que exigem uma câmera mais tremida e que acompanha o personagem em terra. O CGI e o 3D do filme são bacanas e igualmente críveis, mas as cenas em solo firme são um grande diferencial. E Como um legítimo filme da Marvel, há duas cenas pós-créditos e ambas são as que mais têm tempo de duração de todos os filmes da Marvel até aqui.

Capitão América – Guerra Civil é um feito de maturidade e a prova de que a Marvel ainda tem muita lenha para queimar nos cinemas. Seu universo compartilhado com vários heróis, arcos, tramas e também outras mídias, servem de referência para quem quer criar algo em termos de desenvolvimento de personagem e histórias que se cruzam em um mesmo mundo. E nós, fãs de quadrinhos e cinema, ficamos agradecidos. Acredito que Capitão América – Guerra Civil é o melhor filme da Marvel Studios até o momento, e um dos melhores da história baseadas em HQ.

Nota: 10,0

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments