Escolha uma Página

Spike Jonze é um diretor encantador, seus filmes enchem nossos olhos, criando uma estética própria e contam com uma narrativa que vai evoluindo e se tornando interessante com desenrolar da história. Sua característica mais marcante é ser um cineasta que ama fotografia, o que reflete diretamente em seus trabalhos. Mesmo já tendo produziu videoclipes de bandas como Chemical Brothers, Bjork e Daft Punk e sendo co-criador da série Jackass, Jonze também tem em seu currículo a genialidade de utilizar a fantasia para criar críticas sociais bem pontuais em seus filmes.

A primeira obra do diretor, nas telas do cinema, Quero ser John Malkovich (1999), explora a insatisfação das pessoas em não se adequar em um padrão de vida perfeito, imposto pela sociedade e sempre achar que a grama do vizinho é mais verde. Jonze cria um portal onde os personagens entram na mente de John Malkovich e provam um pouco dessa vida que eles julgam ser perfeita. O filme cria espaços claustrofóbicos, portas, túneis, imagens psicodélicas e edições tremidas e picotadas para mostrar a desordem e o caos vivido pelos personagens. É uma obra única que evolui a cada revisitação e convida o espectador a refletir sobre a sua própria identidade.

large_being_john_malkovich_blu-ray_07

Outro filme que merece nossa atenção, tanto esteticamente, quanto no conteúdo passado, é Onde vivem os Monstros (2009). Uma bem sucedida adaptação de Best Seller , que conta a história de Max, um garoto que depois de ficar de castigo em seu quarto, cria um mundo próprio, repleto de monstros para se divertir. O filme é vendido como fantasia infantil, porém vai muito além disso. A fotografia possui uma paleta com tons cinzas e escuros, e os monstrinhos do filme fogem daqueles bichinhos fofinhos das aventuras da Disney. Cada monstro tem um quê do lado psicológico de Max , desde impulsos incontroláveis, como um lado mais calmo. Alguns criticaram o filme por não ser tão sentimental quanto o livro, no entanto o que Jonze fez foi criar algo sem músicas orquestradas repletas de tons heroicos e sentimentais, sem uma grande história shakespeariana, ou seja, o que sabe fazer de melhor: um filme inteligente, cool, que não entrega a história de bandeja, que te faz ligar o cérebro durante toda a projeção e que você vai querer ter na estante de casa.

onde-vivem-os-monstros-dica-leitura-bazarlaboutique

Ela (2013), mais um filme nessa linha fantasia-psicologia, que já rendeu ao cineasta um Globo de Ouro e cinco indicações ao Oscar, é um longa que conta a história de um homem afetado por sua recente ruptura sentimental e que acaba se apaixonando por um novo e revolucionário sistema operacional. O filme funciona como uma mordaz crítica social ao modo como o humano se relaciona com a tecnologia e, cada vez menos, com o seu semelhante. Jonze leva ao extremo a ideia de um sistema operacional conseguir ter emoções e querer evoluir, tal como um ser humano. Visualmente, o filme é apaixonante, com predominantes tons claros e pastéis, o romantismo passeia nas imagens ricas em detalhes, que se pausados, gerariam lindas fotografias.

Que Spike Jonze é um cineasta inovador, capaz de converter temas de envergadura intelectual com os quais seria difícil trabalhar, em algo com que todo mundo pode se sentir identificado, fica fácil de notar. E essas definições são suficiente para te fazer querer conhecer essas e outras obras do diretor. Mas, como essa coluna é focado em fotografia, precisamos terminar esse texto que é quase um compilado de indicações, de uma maneira mais coesa. A fotografia de Jonze tem vida, mas não se sobressaí em cima da história contada. De certa forma, ela é usada como uma maneira de temperar cada personagem e trama, dando a indicação visual do que deve ser notado e apreciado, assim como aquelas velhas polaroides que batíamos nos anos 80 e mostravam um mundo mais opaco, mas ainda assim com elementos em cores vivas.

banner_728x90_camera_fujifilm_mini

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments