O game de celular Angry Birds é um fenômeno que já foi baixado mais de 1 bilhão de vezes ao redor do mundo, mas que perdeu muito espaço nos jogos casuais desde sua criação e ápice de sucesso. Porém, apesar do bom passado, nem seus maiores entusiastas viam sua adaptação cinematográfica com bom olhos. O problema está no fato de que o game, basicamente, não tem história. Colocá-lo em um longa-metragem parecia uma ideia oportunista demais para dar certo.

O receio de muitos com a ideia de ver os passarinhos e porquinhos nas telonas era justamente o roteiro. A principal pergunta era  “Como adaptar um jogo que não tem história?”, e a resposta foi até bem simples: tendo a licença poética de criar uma história para o longa-metragem e respeitando os elementos do game play.

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As referências ao jogo estão no filme, seja de maneira sutil ou até mesmo atiradas na frente do espectador. Os passarinhos destruindo blocos, um estilingue funcionando como o jogador arremessando os pássaros e  os vilanescos  porcos verdes, estão no filme de maneira bem explicada e simples.

Angry Birds – O Filme divide muito bem essa estrutura dos 3 atos de um filme: primeiro temos a introdução do personagem e do universo em que vive, vindo logo em seguida a apresentação do problema e depois a ação em si. Como protagonista é usado o passarinho vermelho, Red, um sujeito mal humorado, sem amigos e sem família que após um momento de raiva, é obrigado a participar de um tratamento em grupo. Todos os pássaros acham que não existe mundo além de sua ilha, até que um navio com os porcos chega, inicialmente amigáveis, mas que guardão um plano secreto nada legal.

O roteiro não é um primor e isso fica claro desde o início. Na verdade, podemos dizer que em vários pontos é bem preguiçoso, mas o filme faz o favor de compensar essa fraqueza com personagens carismáticos e algumas mensagens bacanas, como mostrar os males do preconceito e arrogância. 

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Red pode parecer – e ser – um protagonista rabugento e sem carisma de início, porém deixa perguntas no ar. “Será que ele está errado?”, “Será que ele precisa fingir gostar de todo mundo, quando todos claramente o discriminam?”. A fórmula usada em Red é irresistível para as crianças, mas o filme conta com elementos que funcionam também com adultos. Há referência deliciosa de um famoso filme de terror e a trilha sonora apresenta vários clássicos como I Will Survive Never Gonna Give You Up, do Rick Astley.

Tecnicamente, Angry Birds – O Filme mantem o nível de qualidade. O 3D é bacana para as crianças, sobretudo nas cenas de ação, já que a profundidade fica por conta dos pássaros voando em direção à platéia. Até a dublagem brasileira é boa, com nomes como Fábio Porchat, Marcelo Adnet e Dani Calabresa, além do fato de fazer uma ótima adaptação das piadas para o português mantendo a comunicação com linguagem das gerações mais novas.

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Foi uma surpresa pra mim, terminar de ver o filme e perceber que Angry Birds – O Filme é muito bacana, além de contar com  um visual arrasador. Graficamente é tão bom – e às vezes, até melhor – do que as animações da Pixar. Dá até pra arriscar e dizer que o possível sucesso deste filme, pode virar uma franquia, sem contar com o fato de que abre as portas para criação de ainda mais produtos ligados a franquia. Tudo o que a Sony precisava no mundo dos cinemas, já que ela andava mal das pernas com o vazamento dos e-mails ano passado.

2016 promete ser um ano importante para os games no cinema. Além de Angry Birds, teremos Warcraft em junho e Assassin’s Creed, no final do ano. Parece que finalmente os gamers estão sendo levados a sério pela indústria cinematográficada, assim como aconteceu com as HQs.

Nota: 8,0

PS: O pessoal aqui do Acabou de Acabar está fazendo um sorteio de uma pelúcia do Angry Birds. Se você quiser participar, dá uma passada lá na fanpage e vejas as regras para participar 😉

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