Escolha uma Página

Talvez você não esteja muito acostumado com documentários ou tenha tido uma experiência ruim na escola com algum tema chato. Hora de mudar isso, jovem padawan. Vou trazer aqui 5 indicações de longas que estrearam no Brasil (nos cinemas ou na Netflix) este ano e que vão fazer você se emocionar, pensar e talvez passar a curtir mais o gênero. Se vocês quiserem outras indicações de documentários deixem aí nos comentários que fazemos a parte 2.

Clicando nos títulos terão acesso ás análises completas dos longas. Vamos à lista:

SÓ O MELHOR PARA O NOSSO FILHO (2014):

Só o Melhor Para Nosso Filho

Kees tem mais de 40 anos, é autista e ainda mora com os pais. A dedicação deles deu a Kees a possibilidade de se desenvolver como adulto relativamente independente. Mas o que acontecerá quando os pais de Kees não puderem mais cuidar dele? Esse é o questionamento principal que a diretora Monique Nolte levanta neste documentário Holandês. Kees tem um humor involuntário que com certeza arrancará risadas do público. A sinceridade quase infantil é mesclada com uma autoconsciência assustadora. Ele reclamando da saia curta da diretora é impagável e ele falando dos sobre uma possível morte dos pais é muito belo. Incrível como certos temas são universais. Se você quer saber mais sobre as pessoas com autismo, ver outros “universos” e outras culturas é o convite que Só o Melhor Para o Nosso Filho faz. O longa está sendo exibido nos cinemas no Festival de Cinema Europeu. Vai passar ainda em 8 cidades. Para saber mais veja  a programação no site da Semana Europeia.

AMY (2015):

amy e blake

Amy WineHouse nasceu em 1983 em Londres, Inglaterra, sendo uma das cantoras de maior sucesso dos anos 2000, e por que não da história… Ela faleceu precocemente em 2011. O filme faz um recorte a partir do final da adolescência até a fatídica idade de 27 anos. O documentário, dirigido por Asif Kapadia, traz apenas imagens dos arquivos pessoas de Amy, amigos e familiares. Ainda assim ele consegue estabelecer uma narrativa impressionante. O filme traz, claro, muita música. E o jeito como elas são colocadas em tela também é muito inteligente: as letras dos versos cantados aparecem na tela, dando um efeito bem interessante. Destaque para Grammy vencido em várias categorias e para o dueto com Tony Bennett, mais para o final do filme. Outro mérito é que o documentário não traz uma visão bonitinha e favorável à Amy. Ele coloca as atitudes dela em cheque e problematiza as opções que ela escolheu. O filme ganhou o Oscar de melhor documentário este ano e já está disponível na Netflix.

CHICO – O ARTISTA BRASILEIRO (2015):

Chico Buarque

Outro documentário “musical”, mas desta vez com o selo brazuka. Um dos maiores cantores nacionais, Chico Buarque de Hollanda, contou a própria história, pessoal e musical, em um documentário bem divertido. A direção foi do Miguel Faria Jr. e o roteiro foi pensando quase em forma de narrativa ficcional (tanto que tem um certo plot no final que é surpreendente). No filme, Chico fala sobre o processo de criação, como ele encara a própria obra e sobre as relações dele com amigos, companheiros e esposas. Tudo recheado, é claro, de muita música (com participações especiais de grandes nomes do cenário musical do Brasil). O filme esteve em cartaz no final de 2015 e começo de 2016. Com sorte ainda encontra em alguma sala por esse brasilzão.

THE HUNTING GROUND (2015):

The-Hunting-Ground

Também presente no catálogo da Netflix, ele é mais pesado e talvez o mais necessário dentre os aqui indicados. The Hunting Ground denuncia os atos de violência sexual cometido nas universidades americanas. Traz dados como: “mais de 16% das estudantes sofreram abuso sexual”, ou seja, quase uma a cada cinco universitárias teve o corpo violado. Isso por si só já é assustador, mas algo que também nos aterroriza ao vermos o documentário é que as universidades encobrem os fatos. Raramente os responsáveis são devidamente punidos. Se eles integrarem uma fraternidade ou foram atletas aí é que a coisa fica ainda mais obscura. Outro dado aterrador é que “cerca de 8% dos homens são responsáveis por 90% dos estupros”, evidenciando a impunidade e que poucos animais são a causa de tamanha violência. O filme, dirigido por  Kirby Dick, injustamente não concorreu ao Oscar em Melhor Documentário. Todavia a mensagem do filme The Hunting Ground ficará marcada já no impactante título da canção da Lady Gaga: Til It Happens To You (Até isso acontecer com você), essa sim contemplada com uma indicação.

FOGO NO MAR (2016):

fogo-no-mar

Encerrando a lista com um documentário que quase não parece um documentário. Ele mostra o cotidiano da ilha de Lampedusa, localizada entre a África e a Europa. O local serve de travessia de emigrantes africanos. Paralelo às histórias deles vemos o dia a dia do Samuele, um garoto, morador da ilha, que faz as atividades como outra criança qualquer. O jeito como foi filmado e como a história foi conduzida é que torna Fogo no Mar diferenciado. Não há quase entrevistas (marca típico do gênero) e a naturalidade e emoção que o diretor italiano Gianfranco Rosi conseguiu captar daqueles personagens é algo brilhante. O contraste da árdua vida daqueles imigrantes com o cotidiano bem cotidiano mesmo de Samuele é que dá outro tempero aqui. E a presença do menino se consolida na simbologia do que ocorre com o olho dele. Ele é obrigado a criar um novo jeito de enxergar as coisas, e não é exatamente essa a proposta/pedido do diretor para com o público?

Essas foram as minhas indicações. Espero que tenham se interessado pelos filmes e que eles possam apresentar novos horizontes para vocês. Como a conversa aqui é de mão dupla, vocês indicam algum documentário recente que esteja no cinema ou na netflix? 

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments