São muitos os elementos presentes nos filmes que nos contagiam, porém um dos mais notórios é o visual gráfico. Cada vez mais os diretores prezam pelo elemento gráfico que, em grande parte de suas obras, ajudam a contam e causar mais realismo em suas histórias. Por isso no texto de hoje, vamos bater um papo sobre Takashi Miike, um cineasta que se utiliza desse elemento pra mostrar violência  e brutalidade nas suas películas de uma forma surreal.

Para quem curte os universos de David Cronenberg e David Lynch, repletos de acontecimentos que desafiam as explicações lógicas, certamente vai se interessar pela filmografia de Miike, que não fica para trás na quantidade sangue e tripas mostradas. O humor negro do diretor não tem limites em suas obras, que são quase sempre marcadas por cenas chocantes de extrema violência,  gori (sangue em excesso), tramas esquizofrênicas impossíveis de prever e todo tipo de perversão sexual.

audition

Conhecido como o Tarantino oriental,  Miike é capaz de criar sentimentos e sensações antagônicas no espectador. Em 1995 com o filme Audition, Miike, conquistou o público internacional e a crítica cinematográfica. Na trama, um viúvo é convencido por um amigo a promover audições para encontrar uma nova esposa, com a desculpa esfarrapada de que eles estão selecionando atrizes para participar de um filme. A obra começa devagar, quase um romance e assim seria, se este não fosse um filme de Takashi Miike que leva o filme de um extremo ao outro transformando o longa em uma produção de horror tenebroso onde  apresenta uma das cenas de tortura mais indigesta do cinema.

Em 2003, o diretor produziu Gozu considerado o filme japonês mais estranho já feito até hoje. Pode ser a indicação perfeita pra quem quer conhecer os filmes de Miike, pois nesta obra conseguimos vislumbrar todas as loucuras que o cineasta é capaz de fazer. Através de cenas delirantes, que vão da comédia ao horror, conhecemos um membro jovem da Yakuza, encarregado de se livrar de um membro mais velho, que começou a dar sinais de loucura. A partir dai, nessa busca pelo homem insano, o espectador presencia cenas bizarras, inclusive com a participação da criatura titulo do filme, o tal Gozu, uma criatura com corpo humano e cabeça de vaca.

Gozu-Gozu

Miike tem uma filmografia extensa, dirigiu quase 100 filmes de 1991 a 2015, passeando por praticamente todos os gêneros. Sempre surpreendendo o espectador ao inserir novos elementos visuais, que tiram a linearidade de que estamos acostumados, seus filmes se baseiam na improvisação do exagero, do mal gosto e absurdidade, tudo feito de maneira brilhante e genial. A cada filme Miike muda tudo. Ele pode rodar uma comédia para família e o próximo ser um terror censurado. Num projeto pode ter uma câmera elegante e calma com uma grande estrutura de produção e alto orçamento, e o filme seguinte ser com uma câmera mais marginal e agitada, com pouca estrutura e baixo orçamento, o que acaba tornando seus longas imprevisíveis e originais.

Takashi Miike é, sem sombra de dúvidas, um dos mais interessantes cineastas da atualidade, sempre surpreendendo o público com “incoerência”, mostrando que ainda existem muitos jeitos de se experimentar a sétima arte. Porém, como me comprometi a sempre trazer algo de bom para vocês, leitores, dessa vez vou deixar como dica de leitura o livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Redux. Um livro para aqueles que querem conhecer mais sobre a temática dos Filmes B e entender como os diretores, atores, roteiristas etc. que trabalharam nesse gênero ajudaram a revolucionar a industria sem receber o devido reconhecimento. Além de uma boa leitura, quem comprar pelo nosso link (só clicar na imagem no final do texto), vai ajudar o Acabou de Acabar 😉

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