Você, provavelmente, já conhece a criatura: um monstrengo enorme, casca grossa, que fica andando pela cidade causando destruição. Godzilla é uma das figuras mais reconhecíveis da cultura pop e, também uma das mais importantes. Afinal, ele ajudou a popularizar no mundo o gênero de filmes de monstros gigantes (kaiju), tendo grande sucesso fora do Japão, onde foi criado. Mas Godzilla também é importante por ser um dos exemplos mais antigos de franquia cinematográfica a usar o recurso do crossover.

Se você leu minha coluna aqui semana passada, você já sabe que a nova mania de Hollywood é construir universos cinematográficos compartilhados, pra imitar o que a Marvel Studios tem feito com os Vingadores. E muita gente pode achar que foi a própria Marvel que inventou essa moda de juntar personagens em crossovers no cinema. Mas isso já tinha acontecido algumas vezes antes, e um dos melhores exemplos que a gente pode apontar é justamente Godzilla.

A criatura surgiu pela primeira vez nas telonas em 1954 e, em seguida, em 1955, ganhou uma continuação: Godzilla Contra Ataca. Depois, na hora de lançar um novo filme com o monstro, a Toho, estúdio responsável pela franquia, decidiu colocar Godzilla pra enfrentar outra criatura gigante e famosa. Assim, surgiu o primeiro crossover protagonizado pelo colosso japonês: King Kong vs Godzilla.

Mas a Toho não parou por aí. O próximo longa-metragem da série colocaria a criatura para lutar com outro personagem da companhia. Afinal, Godzilla não estava sozinho no catálogo de monstros gigantes da Toho. Então foi decidido que o novo rival seria a mariposa gigante Mothra, que havia estreado nas telonas com um filme de mesmo nome, em 1961. Assim, foi lançado, em 1964, Mothra vs Godzilla.

Então, agora dois monstros de franquias diferentes da Toho já haviam se encontrado. E como a estratégia estava dando certo, a empresa repetiu a dose e decidiu trazer outra criatura que havia lançado no cinema para um novo crossover. O escolhido da vez foi Rodan, que havia estrelado seu próprio filme em 1956.

Rodan

Mas em vez de colocar Godzilla, Mothra e Rodan para lutarem um contra o outro, a Toho optou por transformar os três monstros em heróis. Assim, vemos o trio defender a humanidade em Ghidorah, o Monstro Tricéfalo. O vilão da história é o Ghidorah do título, um dragão de três cabeças.

Ghidorah

Muito familiar essa estrutura de franquia cinematográfica, não é? Sim, porque é o que vemos a Marvel fazer hoje: personagens que conhecemos em filmes separados e que depois são unidos em um grande filme-evento.

Com essa estratégia, os filmes de Godzilla tiveram grande popularidade. Interessante notar hoje como já dava certo, tantas décadas atrás, construir universos cinematográficos pra criar crossovers.

E não é só a prática de fazer crossovers vista em Godzilla que ganhou nova vida no cinema. O próprio Godzilla retornou recentemente às telonas e demonstrou sua relevância como personagem da cultura pop. Além disso, ele se tornará parte chave de um novo universo cinematográfico. Afinal, a Warner não apenas vai produzir Godzilla 2, mas também vai criar uma nova versão de King Kong, com filme agendado para estrear no ano que vem.

Adivinhem, então, o que a Warner vai fazer em seguida? Exatamente, um novo crossover entre os dois. Semana passada, o estúdio oficializou que lançará, em 2020, King Kong vs Godzilla. A história se repete.

Vai ser bom esse crossover? Não dá pra saber ainda. Mas, com certeza, é muito legal ver Hollywood trazendo pra moda atual dos crossovers uma das criaturas responsáveis por popularizar esse conceito no cinema tantos anos atrás.

E que venha a pancadaria entre monstrengos.

                                                                                                             ——————–

Gostou de descobrir como Godzilla foi uma das primeiras franquias de crossover do cinema? Então você deveria ver o novo episódio do meu canal no YouTube, o EntrePlanos! Nele, eu falo sobre como os filmes clássicos de monstro da Universal (Frankenstein, Drácula, O Lobisomem) começaram essa história de crossovers e de universos cinematográficos, lá nas décadas de 1930 e 1940. Clica aí!