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“Presta atenção! Só existem três coisas nesse mundo: existe a vida, existe a morte e existe a sorte”, essa é a frase que permeia todos os devaneios da produção gaúcha Ponto Zero, que pode ganhar o coração do publico por sua requintada fotografia e por sua narrativa de silêncios sufocante.

Sob a direção de José Pedro Goulart, cineasta ganhador de vários prêmios com curtas pelo Brasil, e sob a peculiar direção de fotografia de Rodrigo Graciosa, Ponto Zero cria um olhar sob uma adolescência nova, alienada em celulares, mas acuada pela solidão, um obra digna de ser sentida e não necessariamente de ser explicada.

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O filme é uma imersão cinematográfica, com cores pasteis, muitas cenas gravadas com câmera na mão e desfoques de planos lentos, dando a essa super produção com tantos efeitos visuais, ainda a sensação de uma produção feita em casa. Já nos primeiros minutos é perceptível que o longa possui um apuro técnico impressionante. A piscina que se confunde com o espaço, a narração que fala sobre distância ao relatar um problema entre dois astronautas e uma lindíssima trilha sonora já dão o tom: gostando ou não, esta é uma obra que não vai te deixar indiferente.

Ponto Zero é um daqueles filme que apresenta poucas palavras e se destaca com uma notável força visual. Dos impactantes momentos noturnos e chuvosos ao modo como é retratada a capital gaúcha (os carros aqui andam de trás para frente), todas as escolhas “técnicas”, dizem muito sobre o personagem e todos os seus conflitos. O diretor se utiliza do lúdico, das entrelinhas e da fotografia pra contar a história através do olhar de seu personagem.

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Apesar do difícil drama transmitido, carregado de bullyng, traição e depressão, Ponto Zero consegue uma viagem tão sensorial e hipnótica que nem percebemos um peso crescer em nossas costas, o filme entrega o que se propõe. É um filme sobre a busca por algum tipo de luz e, principalmente, sobre como essa procura só depende de nós. Um filme que merece ser visto. Produzido aqui no país e apreciado internacionalmente.

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