Olá, leitores, a coluna Outro Foco traz hoje uma lista de Três filmes Nacionais. Apesar de muito boas, as produções brasileiras nem sempre chegam a conhecimento popular. Apesar de receberem destaque na atualidade, não é de hoje que produzimos bons filmes. Muitos deles, carregados de cultura e regionalismo como os citados na lista.

Árido Movie

Árido Movie [2005] é um drama do diretor Lírio Ferreira e apresenta a história de Jonas (Guilherme Weber) no retorno a suas raízes pernambucanas. Ele é o homem do tempo em um jornal de TV e há muito está em São Paulo sem contato com a família até que recebe a notícia de que precisa comparecer ao enterro de seu pai, Lázaro (Paulo César Peréio), que fora assassinado. Seus amigos, Bob (Selton Mello), Verinha (Mariana Lima) e Falcão (Gustavo Falcão) resolvem, a contragosto, ir atrás de Jonas para dar suporte mas acabam se desencontrando e vivendo suas próprias aventuras. Em paralelo, o protagonista encontra Soledad (Giulia Gam), mulher independente que está no estado gravando um documentário sobre a água e a seca na região. O filme ainda conta com a presença de atores como José Dumont, Matheus Nachtergaele, Luiz Carlos Vasconcelos, Renata Sorrah e vários outros.
A produção traz de tudo um pouco. Tem o cabaré da cidade; o romance de Jonas e Soledad; a devoção religiosa da avó que só aceita enterrar o filho após a chegada do neto; os contos de estrada; a terra da maconha onde Bob, Falcão e Verinha se perdem e as histórias de vingança dos povos indígenas que tiveram suas terras usurpadas.

Árido Movie é um filme de buscas e conquistas. Todos os personagens estão, de alguma forma, buscando algo. Desde o indígena na tentativa de reaver suas terras aos amigos em busca de diversão. Demanda um pouco a mais de atenção aos personagens e história, mas vale a pena assistir… e não se espante caso fique um pouco confuso com as viagens após beber um gole do chá do índio.

A Erva do Rato

A Erva do Rato [2008] é um drama dirigido por Júlio Bressane e traz uma das histórias mais loucas que você pode encontrar. Ela (Alessandra Negrini) é professora, mas nunca lecionou para poder cuidar do pai doente, o qual faleceu há apenas três dias. Ela sempre o considerou o amor de sua vida, o que há de mais importante na Terra e, com sua morte, encontra-se desolada e sem saber o que fazer. No cemitério, ao visitar o túmulo, desmaia e é amparada por Ele (Selton Mello), desconhecido que oferece-se para cuidar dela enquanto vivo for (tá achando estranho até aqui? Espera que tem mais). Os dois começam uma relação bastante incomum, fazem companhia um ao outro e vão conhecendo-se aos poucos enquanto moram juntos. Ao longo dos dias, eles vão estudando assuntos diversos até que Ela tem conhecimento da Erva do Rato, uma planta silvestre que, em sua constituição, tem o veneno e o antídoto. É chamada assim pois é extremamente perigosa e afeta ratos e humanos em igual forma. No meio tempo, Ele quebra o clima ao sugerir fazer fotografias diversas d’Ela pelos cômodos da casa.

A produção é um tanto complexa de entender mas chama atenção por aspectos como a interação dos personagens, a ambientação e a maneira como as situações ocorrem. Em determinado momento, um rato aparece e vai roubando a cena à medida que a trama segue. Uma verdadeira obsessão por captura-lo toma conta do espaço e, principalmente,  d’Ele ressaltando as ações humanas em relação ao animal. As interações com o bicho são completamente diversas entre Ele e Ela. Arrisco-me a dizer que A Erva do Rato trata de morte e como lidar com isso.

Madame Satã

Madame Satã [2002] é um drama/biografia do diretor Karim Aïnouz e retrata a vida de João Francisco dos Santos (Lázaro Ramos) um malandro carioca/ transformista e homossexual que viveu durante o Século XX (1900-1976). João não leva desaforo para casa e vive a vida intensamente. Brigão, protetor, vaidoso e cheio de convicções, mora com Laurita (Marcelia Cartaxo) e Tabu (Flavio Bauraqui). O elenco tem, ainda, nomes como Fellipe Marques, Renata Sorrah, Emiliano Queiroz, Giovana Barbosa, Ricardo Blat, Marcelo Valle, Floriano Peixoto e muitos outros.
A produção apresenta a vida adulta do protagonista. As dificuldades de ser pobre e negro são superadas diante de suas atitudes e sua maneira esculachada de viver a vida. A boemia carioca é bastante presente e surpreende pela forma livre e comum como a homossexualidade é retratada em meio a década de 1930.
Vencedor de prêmios como melhor ator, melhor atriz, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e melhor diretor, Madame Satã ainda foi indicado em 23 outras categorias em diversos festivais. A própria história faz o filme valer a pena. Ainda assim, se você precisar de outras motivações, as atuações são incríveis, a direção é excelente, a ambientação está ótima e transporta para o passado, além de uma trilha sonora que encaixa muito bem.

*O meu obrigado ao Eduardo Vitor pela colaboração e indicação dos filmes A Erva do Rato e de Árido Movie.