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Eu tenho uma pergunta pra você que gosta dos filmes do mestre da animação Hayao Miyazaki. O que mais te impressionou quando você viu os longas-metragens dele pela primeira vez? Foram as criaturas fantásticas? Foram os lugares desconhecidos? Foram as aventuras cheias de intensidade e poesia? Bom, pra mim, com certeza foi tudo isso. Mas tem um tema na obra de Miyazaki que sempre me tocou muito: o voo.

Isso não é surpresa pra ninguém que é aficionado pelo cineasta. Em praticamente todos os filmes dele, em algum momento, um personagem vai voar. Este vídeo representa isso muito bem:

Não é coincidência que a obra de Miyazaki esteja repleta de personagens alçando voo. Pra começo de conversa, o diretor, quando criança, tinha constantes sonhos em que começava a voar pelos céus, magicamente.  Em segundo lugar, o voo tinha um papel muito importante na família dele, pois o pai do artista, Katsuji Miyazaki, era dono de uma empresa chamada Miyazaki Airplanes. Eles produziam caudas para aviões, principalmente para aqueles utilizados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. E o pequeno Hayao, quando visitava a fábrica do pai, ficava encantado.

Com o passar do tempo, Miyazaki se tornou um artista e decidiu dar vida às fantasias que tinha na cabeça. E, naturalmente, o sonho de voar foi transposto para o trabalho dele. Mas se engana quem pensa que as cenas de voo sejam apenas um recurso narrativo pra levar um personagem de um ponto ao outro. Como é comum em grandes obras de arte, certos elementos são muito mais do que aparentam, e com o voo nos filmes de Miyazaki não seria diferente.

Nessas animações, às vezes o voo representa liberdade. É o que vemos em Porco Rosso, com um protagonista aviador que preza muito pela sua capacidade de estar nos céus quando quiser, para ir aonde quiser. Outras vezes, em vez de ser um ato mundano, o voar é uma ação mágica, surreal, como em A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado (ver GIF acima). E sem contar quando o voo também é representado como algo capaz de causar destruição, como em O Castelo Animado, com seus aviões e zepelins bélicos.

Quando chegou a hora de fazer seu último filme, Miyazaki se deixou imergir por completo no mundo da aviação: Vidas ao Vento é uma cinebiografia de Jiro Horikoshi, um dos mais famosos designers de aviões da história do Japão. Em certos momentos do filme, Miyazaki parece até mesmo se misturar com o protagonista: afinal, ambos foram jovens sonhadores que se tornaram completamente fascinado com a ideia de voar pelos céus.

The Wind Rises 2

No fim das contas, Miyazaki pode não ter se tornado uma criatura mágica capaz de alçar voo ou mesmo um aviador. Mas, de certa forma, ele conseguiu manter vivo ao longo de sua vida o sonho de voar. E, felizmente, ele compartilhou essa fantasia de forma magistral com seu público, ajudando a manter vivo o sonho de estar entre as nuvens.

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Gostou de ler esse texto sobre como o Miyazaki conta suas histórias? Então você deveria conferir o novo vídeo do meu canal no YouTube, o EntrePlanos! Nele, eu analiso a obra do cineasta e explico qual conceito filosófico é fundamental pra ele na hora de criar filmes. Clica aí!

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