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As Tartarugas Ninja (2014) foi um grande desastre cinematográfico. A crítica não economizou em falar mal e até mesmo parte do público não gostou. Apesar do filme ter ido relativamente bem de bilheteria, as principais razões do filme não ter dado certo foram bem claras. Tentar transformar a história de 4 tartarugas mutantes em um filme sombrio, não agradou, além da necessidade focar a trama na coadjuvante  April O’Neil (Megan Fox) e não nas Tartarugas.

Agora (2016), a continuação, As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras, é claramente superior ao primeiro filme e consegue resolver elegantemente as ressalvas de seu antecessor. O filme não tenta ser sombrio, ao contrário, é cômico, recuperando muito da linguagem da animação dos anos 90, focando o público infantil. Para quem tiver uns 10 anos, este pode até ser “grande o filme da infância”.

A April O’Neil da Megan Fox é relegada ao papel de coadjuvante, como a personagem deve ser, servindo  apenas de suporte para o quarteto principal e não o foco da história. E mesmo sendo Megan uma péssima atriz, aqui ela até se diverte mais no papel, num filme que não exigia muito dela.

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Porém filme ainda não está livre de um dos seu principais males: Michael Bay. Além de ser um dos piores nomes de Hollywood, na minha opinião, e mesmo que aqui ele não está na cadeira de diretor só produz mas, claramente se vê que é um filme com seus traços, como: o excesso de CGI, a câmera panorâmica em batalhas pontuais e algumas subtramas que são quase novelas – e da pior qualidade. As cenas de ação são muito mal coreografadas e assim como em Transformers. A platéia não compreende o que se passa em tela e o filme usa do recurso da câmera lenta – que aqui no filme é usado de forma incessante. E a prova que este é sim, um filme de Michael Bay é que, tanto aqui quanto no primeiro filme, foram escalados dois diretores sem um nome em Hollywood que não teriam uma autoria e que Bay poderia ter a palavra final. Mesmo este sendo um filme sem compromisso, a mão de um diretor faria a diferença.

Mesmo com essa penca de elementos Bayinianos, é bom que este segundo filme faça muito sucesso, porque mesmo sendo cheio de falhas, ele  diverte e pode levar para um terceiro filme que seja mais divertido ainda, abraçando o bizarro de vez. O chamado fan service está em alta nos blockbusters hollywoodianos, foi assim com Batman vs Superman e com Warcraft.  As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras é feito para os fãs do desenho dos anos 90, referenciando a piadas e personagens, como Bebop e Rocksteady. Só faltou mesmo a saudosa frase “santa tartaruga”.

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As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras acerta no vilão Krang, tanto no visual, como no personagem em si, o mesmo pode-se dizer do Dr. Baxter, mas inutiliza alguns personagens, como o próprio Destruidor, que a troca de ator pode ter sido benéfica, mas o personagem fica remetido ao segundo plano e até Casey Jones vivido pelo Stephen Amell (o Arqueiro de Arrow), que os trailers prometiam muito mais do personagem e aqui é mais um coadjuvante de luxo.

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Não houve lugar em que o primeiro filme tenha faturado mais do que no Brasil e o estúdio entendeu bem isso, tanto que há vários elementos brasileiros aqui em As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras: há uma cena “filmada” no Brasil (mas, na verdade, é um cenário todo em CGI), o diretor de fotografia é o grande Lula Carvalho e a modelo Alessandra Ambrósio faz uma ponta como a namorada de Vernon. Isso é que chamamos de fan service.

As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras está longe de ser um grande filme, mas é o indício que a franquia pode melhorar em um terceiro filme. menos Michael Bay e mais Tartarugas. E não deixem de notar nos créditos finais as animações clássicas e a música do desenho dos anos 90. Cowabunga!
Nota: 7,0

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