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O cinema hollywoodiano dos anos 90 mostrava à exaustão o poder estadunidense e era o retrato da grande potência única que o país era no período, já que seu então rival, a URSS, havia deixado de existir no fim da década. A crítica torcia o nariz e o público adorava, porque o que valia mesmo era a diversão, afinal não dava para levar alguns filmes, como Força Aérea Um e Crime na Casa Branca, a sério e a comédia Mera Coincidência ironizou isso de forma genial. E toda geração tem seu símbolo, o grande carro-chefe desse período “imperialista” de Hollywood era ninguém menos do que o arrasa-quarteirão Independence Day, que foi mais do que um sucesso.

Independence Day foi um fenômeno, “A” grande bilheteria do ano de 1996, com um orçamento de 75 milhões de dólares, faturou mais de 800 milhões nos cinemas mundiais. Quem estava vivo em 1996, não pode ignorar o film, e no Oscar de 1997 ele não deu chance para Twister e Coração de Dragão na categoria de Efeitos Visuais. Visto hoje, alguns efeitos podem parecer datados, mas a grande maioria sobrevive com certa dignidade, como o design dos seres alienígenas e a icônica cena em que os ETs explodem a Casa Branca.

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E o que Independence Day tem de tão especial? O que o fez se destacar tanto assim para se tornar um fenômeno mundial?
Assim como vários outros exemplares da época, ele não se leva a sério e até poderia: a questão da vida extraterrestre poderia ter um momento de reflexão e faria todo o sentido, apesar de ele ser considerado uma ficção científica – e Arquivo X estourava na TV no período.

E também tem o detalhe do diretor Roland Emmerich: vemos em sua carreira que ele sabe muito bem destruir seu mundo de forma divertida e eficiente, como em O Dia Depois de Amanhã e O Ataque e mesmo em bombas como Godzilla e O Patriota, ele ainda consegue trabalhar bem com atores, transmitir carisma a seus personagens e fazer com que a plateia passe a se envolver com suas tramas, mesmo sendo o foco as cenas de ação espetaculares e a destruição em massa – muito ao contrário de Michael Bay, por exemplo, que consegue transformar grandes atores em papéis insuportáveis em filmes desastrosos.
E carisma é algo que Independence Day tem de sobra: há um grupo de personagens heterogêneos, mas que é possível até de o público se identificar, seja o excêntrico bem intencionado ou o pai de família que é recrutado para salvar o mundo.

E o que dizer do presidente norte-americano boa praça, pai de família exemplar e que consegue fazer um discurso improvisado no meio das explosões? Houve grandes atores que interpretaram o presidente americano na época, como Harrison Ford, Michael Douglas e Jack Nicholson e Bill Pullman aqui é a personificação do sonho americano: um sujeito com uma boa família, que tem um bom caráter e ainda consiga transmitir o pulso firme que um cargo assim precise.

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Independence Day se passa entre os dias 2 e 4 de julho e um corpo estranho entra na órbita da Terra e logo descobre-se que são seres alienígenas que querem atacar o planeta. No meio de tudo isso um operador de TV a Cabo, David Levinson (Jeff Goldblum) detecta os sinais dos satélites e o Capitão Hiller (papel do Will Smith) para trabalhar no feriado de 4 de julho junto com outros pilotos e combater a ameaça alienígena.

O fato de Independence Day se passar em 3 dias não é à toa: é a sensação de tudo acontecer em um determinado dia e em poucas horas, coisa que a série 24 Horas fazia de forma mais dinâmica e não há nada de planos longos ou ideia de plano-sequência: os cortes estão lá e não há nada de inovador por aqui.

E tem mais: 3 dias são exatamente 3 atos bem distribuídos: o dia 2 é a preparação e invasão; o dia 3 são as reações da humanidade e o dia 4 é a guerra em si. Todos os atos conversam entre si e ditam o ritmo da história, apesar de 150 minutos ter sido um tempo exagerado.

Olhando para o elenco de Independence Day ficou a impressão de que apenas o Will Smith teve uma carreira consolidada de fato: o restante do elenco ficou no meio do caminho, embora Jeff Goldblum já tivesse aparecido em um outros arrasa-quarteirão dos anos 90 (Jurassic Park), sua carreira se limitou a pequenas participações como coadjuvante com o passar dos anos. E temos Vivica A. Fox, que mais prometeu do que cumpriu, mas seu papel em Kill Bill foi muito bacana!

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Longe de ser uma obra-prima, Independence Day tem o seu lugar na história do cinema e agora com Independence Day – O Ressurgimento estreando nos cinemas, pode ser a chance de uma nova geração o descobrir e se hoje temos arrasa-quarteirões praticamente todos os meses, deve-se olhar a época, na qual um filme como Independence Day era um filme-evento e que levou multidões ao cinema, sendo das maiores bilheterias da época e, se contar com a inflação, ultrapassa a barreira de 1 bilhão de forma tranquila. E isso ninguém pode tirar dele.
Nota: 8,0

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