A Bela e a Fera foi a 2ª animação da chamada “segunda era de ouro da Disney”, tendo iniciado com A Pequena Sereia, em 1989 e durante anos continha a grande marca de ter sido a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme, isso numa época em que eram apenas 5 indicados na categoria. Era uma época da Disney pré-Pixar, com animações em 2D ainda em alta, e é impressionante como jamais fica datada. Pelo contrário, uma das magias de A Bela e a Fera é ver o que eles conseguiam fazer naquela época sem a tecnologia de hoje. E se torna mais atual, mesmo após 25 anos de seu lançamento de 1991 (mas no Brasil só estreou nas férias de julho de 1992!).

E durante essa chamada segunda era de ouro, não existia ainda a categoria de Melhor Filme de Animação no Oscar e a presença das canções e trilha sonora da Disney eram garantidas. Não por acaso, A Bela e a Fera ganhou 2 Oscar em 1992: Trilha Sonora Original e Canção para Beauty and the Beast.

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Tudo começou em um conto da França de 1740 e recebe versões até hoje. E em 2017 terá um filme em live action protagonizado pela Emma Watson. Na história, uma velha mendiga oferece uma rosa a um príncipe de um castelo, que a desdenha e recusa. Ela acaba jogando um feitiço nele, transformando-o em uma fera e seus criados em objetos e o feitiço só poderia ser quebrado se alguém se apaixonasse por ele, que vive recluso em seu castelo. Nesse meio tempo surge Bela, uma camponesa que tem devoção pelo pai e paixão pela leitura. Ela é pressionada para se casar com um sujeito rico e arrogante, mas o rejeita e descobre o castelo da Fera por acaso, se torna prisioneira dele, mas não demora muito para iniciarem uma improvável amizade.

É fato que a Disney tem preferência por histórias com finais felizes, de que o amor supera tudo e com lições de moral. A diferença é que o estúdio faz isso direito. As histórias sobre amor, amizade, família e até de humildade podem parecer grandes clichês e vendo um filme recente do estúdio, como A Princesa e o Sapo e Frozen, podendo deixar aquela sensação de “deja vu”, mas sempre é explorada alguma conotação diferente de um determinado assunto com um algo a mais.

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Em A Bela e a Fera temos uma história de amor entre uma moça linda e um sujeito esteticamente imperfeito. Não é nada de novo, mas esse “algo a mais” aqui é a quebra de paradigmas. O personagem teoricamente feio tem um bom coração, porém, amargurado. Já o galã é arrogante e machista, que a mocinha da história, que sim, é linda, o despreza.

É fácil de a plateia se envolver e se emocionar pela Bela. Não pela beleza ou por ser uma “mulher inatingível”, mas é justamente porque de inatingível ela não tem nada, é acessível à sua comunidade e ao contrário de muitas princesas da Disney, pode ser qualquer uma.

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A Bela e a Fera apresenta momentos que entraram para a história e de cortar o coração. Como não se comover com a valsa entre o casal principal ao som de Beauty and the Beast, ou a convivência humana e verdadeira entre a Fera e a Bela, culminando em uma história de preconceito da comunidade com esse ser desconhecido chamado Fera e o desfecho de fazer qualquer um ir às lágrimas?

A Bela e a Fera é uma história que jamais morre com o tempo, a prova disso são os mais de 200 anos desde que o conto foi escrito e hoje é transmitido por gerações e temáticas diferentes. E se tem um blockbuster vindo aí para 2017 com essa história clássica, é porque há muito mérito. E serão mais 25 anos para falar dessa animação maravilhosa da Disney que estará sempre em nossos corações.

Nota: 10,0