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Quando a Pixar começou a fazer longas-metragens lá nos anos 90, havia uma política de não fazer continuações por dois motivos. Primeiro era uma questão de ideologia de seus criadores, John Lasseter e Steve Jobs; Segundo porque essa era uma briga entre a Pixar e a própria Disney. a empresa do Mickey lançava continuações de seus clássicos que iam direto para Home Video e a qualidade dessas animações era discutível, como O Rei Leão 2 Bambi 2. A Disney praticamente obrigou a Pixar e fazer Toy Story 2 direto para as locadoras. Felizmente o projeto foi engavetado, a própria Pixar o produziu e como sabemos, Toy Story 2 foi lançado nos cinemas em 1999 e é tão bom – ou superior – ao original.

Se Toy Story 2 e 3 foram grandes acertos, o mesmo não se pode dizer de Carros 2, que até o momento é o único filme ruim da Pixar . Para os próximos anos, a empresa está planejando mais uma continuação de Carros, Toy Story e Os Incríveis. Mas enquanto o “futuro não vem”, em 2016 seu grande filme e lançamento para o verão e período de férias é Procurando Dory.

Após 13 anos do sucesso de público e crítica de Procurando Nemo, a Pixar resolveu explorar mais o mundo do fundo do mar e seus personagens carismáticos, sobretudo a personagens mais memorável daquela animação: a irresistível peixinha Dory, que tem problema de perda de memória recente e nos ensinou que, se as coisas estão difíceis, “Continue a Nadar!”.

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Para quem está de fora, fica a pergunta? Procurando Nemo precisava de uma continuação? A resposta é não! Mas Procurando Dory é uma grande animação e quase tão boa quanto o original. Na verdade, Procurando Dory nem é a melhor animação de 2016, esse posto fica para Zootopia, desconsiderando os filmes do Oscar.

A animação se passa 1 ano após os acontecimentos de Procurando Nemo e a Dory começa a ter um flashbacks de sua família e de como ela se perdeu de seus pais. Aliás, a animação tem vários flashbacks e eles funcionam, sobretudo para que o grande público tenha empatia com o passado e se envolva com a história da família da Dory. Já na cena de abertura, antes de subirem os créditos, há uma cena comovente da infância da nossa protagonista.

Procurando Dory é uma animação engraçada, porém, mais intimista e até mais dramática do que o anterior e por diversos momentos a protagonista, que era um alívio cômico, tem lampejos de tristeza. Até porquê esta é uma história mais focada na questão familiar e esse é um dos principais motivos que os pais vão curtir a animação tanto quanto os filhos, independentemente de terem assistido a Procurando Nemo ou não.

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Dory já está consolidada como uma grande personagem na cultura pop e aqui neste filme mostrou que consegue segurar um filme sozinha, mas assim como no longa anterior, quem se destaca são os coadjuvantes, sobretudo os personagens novos. E todos são absolutamente irresistíveis, tiveram os seus momentos e roubaram a cena: Jenny e Charlie como os pais da Dory – e descobrimos a origem de “Continue a nadar!”; Hank, um polvo totalmente o oposto da protagonista: ranzinza, pessimista e interesseiro, mas tão engraçado quanto. Hank planeja sua vida, ao contrário de Dory, que acha que “As Melhores Coisas da Vida Acontecem Por Acaso”. Essa dualidade entre os dois é mágica. Bailey e Destiny são dois personagens a serem descobertos, sobretudo no que diz ao fato de nossa protagonista falar em “baleiês”. Becky consegue ser um ótimo personagem sem dizer uma só palavra – e sem ser um animais marítimo.

Mas os grandes alívios cômicos de Procurando Dory são os leões marinhos Fluke e Rudder, que no idioma original são dublados por Idris Elba e Dominic Wets, respectivamente. Eles são preguiçosos, folgados e protegem sua cobiçada pedra do Geraldo, um outro leão marinho que “almeja aquele território”. Em todas as cenas que aparecem esses três, a reação da platéia foi de ataque de riso.

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Procurando Dory é um daqueles casos em que a dublagem brasileira é tão boa quanto a original. Os dubladores de Dory, Marlin e Nemo são os mesmos, e o destaque aqui fica para Antonio Tabet como Hank e Marília Gabriela como a narradora, no lugar de Sigourney Weaver na versão em inglês.

Um dos trunfos de Procurando Nemo era o aspecto visual, a viagem do fundo do mar e todos os detalhes daquele mundo. De fato, isso não é muito explorado por aqui, mas isso não quer dizer que Procurando Dory não seja inovador, muito pelo contrário: os humanos são mais explorados, há um belo trabalho de design de produção e por diversos momentos, sobretudo quando a ação se passa em terra firme, que fica a impressão de que estamos vendo um filme em live action – e não uma animação. Há uma cena de perseguição que mais se parece com um plano-sequência, onde a câmera vai intercalando dois personagens praticamente no mesmo espaço e lugar. É uma imersão interessante.

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Procurando Dory tem tudo – e mais um pouco – para ser o grande filme desse período de férias escolares e não há o que duvidar se ultrapassar a barreira de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Com certeza vai gerar produtos e materiais, tanto da Dory quanto dos coadjuvantes.

No que diz à qualidade, Procurando Dory é um grande filme, não tão brilhante quanto o anterior, mas, felizmente, age de forma independente, sem precisar muito de Procurando Nemo. E já olhando para o futuro, para as premiações do começo de 2017, merece estar na lista de Melhor Animação, mas, se ganhar de Zootopia, é marmelada.

Avisos importantes: não deixem de reparar no curta Piper, que antecede Procurando Dory. E não saia antes de encerrar os créditos finais, pois há uma cena pós-créditos simplesmente hilária! 

Nota: 9,0

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