Escolha uma Página

A produção de Cinema Independente tem ganhado destaque nos últimos anos no país. Claro, o Brasil sempre fez bonito na questão de filmes autorais, ou nos famosos “filmes de arte”, e já foi premiado muitas vezes por desenvolver constantemente marcas estéticas interessantíssimas quando falamos numa característica de direções específicas.

Pensando em tudo isso, fizemos essa listinha de filmes nacionais independentes, pra mostrar o que o nosso país tem produzido de melhor no audiovisual.  E olha, Escolher só cinco, em meio a todas as obras -primas que tem sido produzidas recentemente foi difícil, viu?

Não esqueçam de comentar sobre as películas que vocês tem visto, produções das terras tupiquinim que vocês gostam e se liguem que também tem matéria pra quem quer saber o que tem de bom recentemente no cinema de terror nacional.

Pegue a pipoca e bom filme!

1 . Tatuagem (2013)

A película de Hilton Lacerda é uma avalanche.  As atuações incríveis do elenco, destacando os protagonistas Irandhir Santos e Jesuíta Barboa, conferem ao filme uma naturalidade singular ao contar a história de um cadete do exército que e um artista que se encontram no mundo em pleno 1978, num Brasil ainda preso à ditadura. Com a incrível direção de arte de Renata Pinheiro – que também trabalhou em Amor, Plástico e Barulho (outra pérola do cinema nacional recente) – o filme ambienta o calor de uma eferverscência artística em meio à repressão. Isso sem falar dos contrastes visuais entre os ambientes da trama. É um deleite pros olhos e pros ouvidos, já que a trilha sonora de Johnny Hooker embala o longa. É um filme que entra em embate com conceitos de moral conservadora, que questiona e abre debates e de quebra é uma obra de arte.

2. Boi Neon (2016)

Do pernambucano Gabriel Mascaro, Boi Neon é uma experiência estética deliciosa. A bagagem de cinematografia documental do diretor, traz ao filme uma naturalização não só das atuação, mas também da forma de filmar. A sensibilidade do olhar é presente em cada cena e auxilia diretamente no diálogo com a trama, igualmente sensível. Na narrativa, acompanhamos s história de Iremar, um vaqueiro que tem como sonho virar estilista. O paralelo entre a indústria têxtil e a vaquejada encontra casa na região agreste, que tem as duas atividades como pólos distintos, que se encontram na trajetória da personagem, interpretado por Juliano Cazarré. Os recursos de cor, de fotografia e iluminação, trazem mais familiaridade ainda aos dois campos, mesclando tudo em uma composição visual extremamente sensual, mudando e transitando entre as personagens. Boi Neon, como o próprio Gabriel colocou, é uma filme sobre transformação.

3. Santa Mônica

O jovem diretor Felipe André Silva, pernambucano, fez este filme todo filmado com o celular. Sem diálogos e com uma sensibilidade interessante para a expressão dos atores, esse aqui se configura um dos filmes independentes no sentido mais literal da palavra. Felipe, que tem a iniciativa Cinema Janque, segue uma tendência cinematográfica advinda de influências norte-americanas que retratavam os jovens e suas discussões existenciais que podiam ou não beirar a futilidade. No preto e branco, Santa Mônica nos conta a história de um rapaz que terminou um namoro recentemente e nós, os espectadores, o acompanhamos durante algum dias desse processo de recuperação.

4. Cine Holliúdy

No maior estilo de metalinguagem cinematográfica, o longa cearense de Halder Gomes, conta a história de Francisgleydisson, um entusiasta do cinema, proprietário de um cinema fascinado pela sétima arte, com um xodó especial pelos filmes de arts marciais. A partir daí, temos uma trama que se desenvolve leve e gostosa de assistir. Entre resgates de referências como Cinema Paradiso e outras obras sobre o fazer e a apreciar dentro do Cinema, o filme dá uma aula sobre como misturar o aprofundamento da linguagem do cinema falando de cinema e um humor despreocupado. É um filme para divertir, e consegue fazê-lo com primazia.

5. Branco sai, preto fica

De Adirley Queirós, esse foi um dos filmes que causou mais rebuliço por conta das discussões levantadas no mesmo. Para além, é um filme que mistura ficção, documentário e ficção científica, em certo nível. A frase que intitula o filme é pronunciada por policiais ao entrarem num baile funk, antes de começarem a série de tiros e pancadaria direcionados aos que ficaram no salão.  Temos nesse contexto a história de dois homens que relembram o trauma, e a visita de um cidadão do futura, que expõe a culpa da sociedade em que vivemos, no contexto desse tipo de acontecimento. Entre as discussões sobre racismo, repressão e uma sociedade doente, temos uma narrativa fragmentada, uma mistura de estilos estéticos e narrativos, que resultam numa obra cinematográfica extremamente inovadora.

Gostou da matéria? Apoie o Acabou de Acabar no Patreon!

Comments

comments