Ben Affleck está de volta com “A Lei da Noite” (Live the Night), novo filme dos estúdios Warner que leva a assinatura do ator como diretor, roteirista e ator do projeto, que é baseado no premiado romance “Os Filhos da Noite”, do escritor policial norte-americano Dennis Lehane, mundialmente conhecido pelo livro “Sobre Meninos e Lobos”, que também foi adaptado para o cinema, em 2001, por Sean Penn.

Produzido por Leonardo DiCaprio, em “A Lei da Noite” o argumento principal é bem simples: dois homens – um fodão, mais velho e poderoso; e um mais novo, veterano da 1a Guerra Mundial e ajudante de assaltante – por X razões acabam disputando a atenção de uma prostituta no submundo da Boston dos anos 1930s. Por causa dela, uma rixa é travada entre os dois, e é esse desejo de vingança que irá permear o fundo da trama. Em paralelo, vamos acompanhando a ascensão de Joe Coughlin, que além de ser assaltante de bancos é também filho de um respeitável policial em Boston. Logo no início do filme Joe se envolve em um assalto no qual ele sofre um acidente ao fugir, e, por conta disso, acaba enfrentando uns anos na prisão. Ao sair, Joe tem apenas uma coisa em mente: vingar-se de Alfred, o bandido que além de roubar a vida da mulher por quem ambos eram apaixonados, também roubou sua liberdade.

Ao longo das 2h30 de thriller, acompanhamos Joe ascendendo no mundo do contrabando no estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos. Talvez este seja um dos pontos positivos do filme: o fato de ser uma história de gângsters que sai do eixo Nova York/Boston/Chicago e vai para um local improvável – a ensolarada e espanholada Flórida. Lá Joe se envolve com as famílias cubanas e italianas, e acompanhamos como a economia do estado se ancorava em muito no comércio clandestino de bebida destilada, principalmente o rum, numa época em que a Lei Seca foi implementada naquele país e a compra de bebidas alcoólicas não só era algo difícil de se conseguir, mas também lucrativo para quem estava do outro lado do balcão.

Outro ponto que dá o diferencial neste suspense é o envolvimento – direta ou indiretamente – de grupos religiosos com a economia local e os gângsters, tais como as congregações católicas e o Ku Klux Klan. O ponto baixo talvez seja a atuação do próprio Ben Affleck, que não transmite nenhuma emoção e parece preso dentro de um terno branco o tempo todo, impedido de se desenvolver. A ideia parece ter sido transmitir que apesar de tudo, Joe é um bandido bom, com coração, que só queria ser feliz, conseguir sua vingança e montar uma família, mas Ben está apático, apesar da boa trama e dos diálogos ágeis do roteiro, que comprova que todo bom gângster tem sempre que ter a resposta na ponta da língua, e nunca deixar que o outro tenha a última palavra.

Veja o trailer aqui: